Agricultura e pecuária, origem evidenciada
AgroPonte
Desenvolvimento pelo cooperativismo

O sul do Estado de Santa Catarina foi colonizado nos séculos XIX e início de XX, primordialmente por açorianos e portugueses – pesca - italianos, alemães e poloneses - agricultura e pecuária, negros e espanhóis – mineração. Os nativos existentes subsistiam da caça e pesca.
Em 1925, quando a Vila São José de Cresciuma buscou Emancipação Político Administrativa de Araranguá, o novo município possuía 1.005 kms quadrados e englobava as áreas dos hoje municípios de Criciúma, Nova Veneza, Içara, Forquilhinha e Balneário Rincão.
Naqueles tempos, já com importante participação social e econômica da mineração do carvão, nas terras planas, irrigadas e férteis, eram predominantes as produções agrícolas do milho, feijão, aipim, hortaliças, batata, arroz, banana, suinocultura, avicultura e bovinos leiteiros. Simultaneamente surgiam as indústrias para produção de banha, leite, abatedouros para produção de proteína animal, indústrias de transformação. Essas aptidões familiares coloniais balizaram argumentação econômica e cultural para busca efetiva da emancipação político administrativa.
Nas décadas que se seguiram, inúmeros fatores e fatos somados contribuíram para classificar como “desimportante” a produção agrícola regional. Contribuíram para êxodo rural a implantação e diversificação industrial – cerâmica, metalomecânica, vestuário, serviços - busca da educação média e superior distante, pequenas e médias propriedades rurais para subsistência de famílias com grande número de filhos, infraestrutura precária de acesso rodoviário, atendimento à saúde familiar, energia elétrica e comunicação coletiva ausente e orientação técnica quase inexistente.
O lento, porém, eficaz ação que deu partida para remodelação das atividades no campo e lavoura – antes vista como roça – foi a orientação que incutia o necessário modelo associativo e em cooperação. Inicialmente, em Forquilhinha, foi constituída em 27 de janeiro de 1959 a Cooperativa de Eletrificação Rural Ltda (CERFOL), a primeira de Santa Catarina com o objetivo de levar energia elétrica às propriedades rurais. Hoje, as Cooperativas para fornecimento de energia elétrica atendem quase que a totalidade dos municípios do sul catarinense, menos as grandes aglomerações urbanas. Simultaneamente, antes através da ACARESC, depois e hoje EPAGRI e CIDASC, o Governo do Estado de Santa Catarina está presente diuturnamente nas propriedades produtivas, prospectando, orientando, educando e vigilante, objetivando a boa prática produtiva na agricultura e pecuária.
Como resultado imediato, o sul catarinense empreendeu em dezenas de indústrias de transformação alimentar como frigoríficos, abatedouros, queijarias, indústrias leiteiras e demais produtos finais derivados e inseridos nos capítulos relacionados ao agronegócio.
Simultaneamente foram constituídas importantes e fundamentais redes de distribuição dos alimentos produzidos, através de gigantes redes supermercadistas e atacadistas.
Através da melhoria da infraestrutura – vias, estradas, rodovias e energia elétrica – mais e fundamental orientação técnica, fez chegar nas propriedades rurais a alta tecnologia da informação empregada nos insumos e equipamentos, nos defensivos agrícolas, bem como, na genética apurada nas espécies animais reprodutores, de corte e de leite. Os avanços tecnológicos sistemáticos mudaram e avançaram para melhor e maior produtividade, sob olhares atentos e manejo dos agricultores e pecuaristas descendentes e os retornados às origens.
Hoje, os produtores rurais e pecuaristas tem pleno domínio do conhecimento da sua atividade e tem em seu “paiol”, insumos e equipamentos decorrentes de enormes investimentos monetários. Antigamente a antena parabólica era pra poucos, hoje, a internet coloca em suas mãos, conhecimentos e informações sobre o que acontece nas “cidades” próximas, do país e do mundo.
Enquanto isso, os residentes urbanos nas cidades, nada ou pouco sabem sobre a labuta no campo, seus procedimentos produtivos na agricultura e pecuária.
A organização e realização da AGROPONTE Feira do Agronegócio, Agricultura Familiar e Inovação foi pensada e projetada para concepção em área urbana da cidade de Criciúma, com intuito de propiciar relacionamento profícuo entre os produtores, criadores e consumidores urbanos em potencial. Construir e manter uma ponte de conhecimento, relacionamento e consumo.
A 14ª edição da Feira AgroPonte 2025 realizada no período de 13 a 17 de agosto, reuniu mais de 250 empresas e entidades expositoras e, nos cinco dias do evento, mais de 100 mil visitantes estiveram nos pavilhões com exposições em Criciúma.
Cem anos depois, no Centenário de Emancipação Político Administrativa de Criciúma, cada um de nós sulistas, de certa forma tem a mão ou o pé, ou ambos, na terra, reconhece o cheiro e sabor do campo, respeita a lida e labuta histórica e constante na agricultura e pecuária regional e estadual.
Foto: Guilherme Backes/Nossacasa – Jaqueline Backes/Nossacasa – Jorginho Mello/Governador de Santa Catarina – Vaguinho Espíndola/Prefeito de Criciúma – Willi Backes/Coordenador Feira AgroPonte – Edson Borba/Epagri Regional Criciúma – Luiz Felipe Zanette/Nossacasa.



