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Manoel Dias, personagem sereno e conciliador

Legado Manoel Dias

Manoel Dias: uma trajetória de serenidade, resistência e dedicação à vida pública

Por Willi Backes31 de agosto de 2026 6 min de leitura

Manoel Dias nasceu em 13 de agosto de 1938, no Distrito de Aliatar (hoje Içara) e foi registrado no município de Cresciuma (hoje Criciúma). Faleceu em 22 de agosto de 2026, em Florianópolis, aos 88 anos.

Ao longo da caminhada profissional, tive inúmeras oportunidades de relacionamento com o sereno e conciliador Manoel Dias. Ela se iniciou, o conhecimento e futuro relacionamento, de forma curiosa e imprevista.

No final dos anos 70, durante mais de 4 anos, residi e atuei profissionalmente em Maringá, no norte do Paraná. Lá, conheci e mantive longas conversações com um militar da reserva, que naqueles anos atuava na representação comercial de uma grande metalúrgica de Blumenau. O tema principal das nossas longas divagações, foi o fato de que esse militar ter participação efetiva na condição de digitador e redator final do Inquérito Militar em 1964 no sul catarinense, com sede em Criciúma.

Decorrente da Intervenção Militar em todo o Brasil, em 31 de março e 01 de abril de 1964, por ordem do Ministério da Guerra, aportaram em Criciúma, Comandantes e Soldados da 5ª Região Militar e 23º Regimento de Infantaria sediados em Blumenau, Santa Catarina.

Em 17 de junho de 1964, Coronel Newton Machado Vieira, Encarregado do IPM Inquérito Policial Militar, enviou extenso relatório para o Auditor de Guerra em Brasília, Distrito Federal, expondo em detalhes as investigações realizadas em Criciúma, Jaguaruna, Tubarão, Lauro Muller, Araranguá, Laguna e Imbituba. Majoritariamente a relação dos investigados eram membros atuantes nos sindicatos e organizações relacionadas à indústria da extração do carvão, e, lideranças políticas, religiosas e estudantis. Encerrada a varredura investigativa resultou relatório confidencial com solicitação para continuidade de inquéritos a determinado grupo sobejamente identificados e fichados.

Naqueles tempos Criciúma era considerada centro e foco da militância política esquerdista, tendo por objetivo implantar o comunismo no Brasil.

Na abertura do Relatório do Inquérito Policial Militar, em 1964, o relator Coronel Newton Machado Vieira fez descrição pessoal de como percebeu as questões ambientais, sociais e políticas no sul catarinense.

Mais tarde, já morador em Criciúma, atuando na área comercial da RBS TV Catarinense, convidei o amigo militar relator do Inquérito de 1964 para Padrinho de Casamento em janeiro de 1980. O presente que me concedeu foi e é de valor histórico imenso. Simplesmente me presenteou Cópia Datilografada resultante da ação do Inquérito Militar em Criciúma e Região em 1964.

No documento estão relacionados centenas de nomes de Criciúma e região, muitos acusados e apreendidos, depoimentos e testemunhos de acusação e defesa dos inqueridos. Dentre os nomes dos acusados, constava também o nome do jovem militante Manoel Dias, no relatório o 25º investigado, teve a seguinte redação:

“ MANOEL DIAS – É um caso doloroso de um jovem, de ótima família, da melhor índole ainda, de formação profundamente católica, mas que se deixou envolver, por motivos políticos, com aqueles que eram comunistas, ou, então, agitavam nesta região (Fls 557).”

“Foi sempre um entusiasmado pela política, à qual se dedicou desde seus tempos de estudante, tendo sido Presidente da União Catarinense de Estudantes. Esta mesma política serviu também para melhorar suas condições de vida, tendo sido funcionário da Imprensa Estadual, Secretário da Prefeitura de Criciúma e atualmente é Fiscal da Previdência do IAPETC. Ë lógico que só obteria estas vantagens pertencendo ao Partido dominante, o PTB, pelo qual era vereador no município de Içara, mandato este que já lhe foi caçado. Por pertencer ao PTB e nesta condição é que viajou até Porto Alegre, no último dia 1 de abril e também esteve presente ao Comício do Padre ALIPIO DE FREITAS aqui em Criciúma (Doc. Fls 195, 200)”

No Relatório constam ainda outras inúmeras situações e citações com participação do político iniciante Manoel Dias.

A carreira política representativa e partidária foi presente em toda sua trajetória de vida. Junto com Leonel Brizola foi fundador e dirigente do PDT Partido Democrático Trabalhista, fundado em 26 de maio de 1980.

O gaúcho Leonel Brizola foi Governador do Estado do Rio de Janeiro em dois períodos – março de 1983 a março de 1987 e, janeiro de 1991 a abril de 1994.

Em 1985, já na condição de fundador da Nossacasa Assessoria Mercadológica (13/5/85), e tendo o BANERJ Banco do Estado do Rio de Janeiro como cliente em Santa Catarina, conquistado através de solicitação do Secretário-Geral Nacional do PDT Manoel Dias, a agencia administrou o patrocínio da atleta catarinense Silvana Pereira, fundista multicampeã catarinense, brasileira e sul americana.

Campanha institucional criada e produzida pelos profissionais Liliane Silveira e Clóvis Veiga da agencia Nossacasa, com massinha de modelar para o Banerj, foi vencedor de etapa estadual do TOP de Marketing da ADVB/SC.

O relacionamento partidário de Manoel Dias e o Governador Leonel Brizola sempre foi de profundo respeito, admiração e conceitos comuns. Tive o privilégio em testemunhar tal harmonia quando em reuniões acessadas por porta privativa no Palácio Guanabara no Rio de Janeiro, Manoel Dias e Leonel Brizola discorriam temas relacionados a agendas e compromissos políticos partidários.

Também em 1985, a Nossacasa em parceria com o dirigente partidário Manoel Dias, produziu e veiculou campanhas políticas para eleições extraordinárias nos municípios da Área de Segurança Nacional e Capital do Estado – Florianópolis, Descanso, Dionísio Cerqueira, Guaraciaba, Itapiranga, São José do Cedro, e São Miguel do Oeste. O PMDB, hoje MDB, venceu as eleições nos sete citados municípios.

O Banerj foi privatizado em 26 de junho de 1997, adquirido em leilão pelo Itaú por R$ 311,1 milhões.

Em 2015, Manoel Dias na condição de Ministro do Trabalho e Emprego no Governo de Dilma Rousseff, esteve representando o Governo Brasileiro na 3ª edição da Feira AgroPonte em Criciúma (foto).

Manoel Dias foi Bacharel em Direito pela UFSC. Advogado, Procurador Público-Adjunto, Auditor Fiscal da Receita Federal e Líder Estudantil na condição de Presidente da União Catarinense de Estudantes – UCES.

Em 1962 foi eleito vereador em Içara pelo PTB, teve seu mandato cassado pela Intervenção Militar de 1964.

Em 1967 a 1971 foi eleito deputado estadual em Santa Catarina pelo PMDB, hoje MDB, partido que ajudou a fundar. Teve o mandato cassado pelo AI-5 e ficou inelegível por 10 anos.

Nos anos 80 atuou na redemocratização e ajudou a fundar o PDT, tornando-se o principal nome do brizolismo em Santa Catarina e de fundamental importância para o partido no Brasil.

De 2013 a 2015, no governo da Presidente Dilma Rousseff, Manoel Dias ocupou o cargo de Ministro do Trabalho e Emprego.

No PDT, Manoel Dias teve atuante atuação partidária na condição de Secretário-geral Nacional e Presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini.

Em 2019, Manoel Dias recebeu a restituição de seu mandato de Deputado Estadual que fora cassado pela Intervenção Militar, em sessão Solene na Assembleia Legislativa de Santa Catarina – ALESC.

Manoel Dias foi em Paz. Paz que sempre almejou com sua serenidade.

Foto: Rodrigo Minotto – Deputado Estadual do PDT, Manoel Dias – Ministro do Trabalho e Emprego, Willi Backes – Organização Feira AgroPonte em 2015.

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