Assim caminha a humanidade
De cá para lá, de lá para cá

Texto – Willi Backes
De cá pra lá, de lá pra cá
O CANAL DE SUEZ
O Canal de Suez teve sua construção iniciada em 1859 e foi finalizada dez anos após em 1869, sob o comando do técnico francês Ferdinand de Lessps. Tecnologia francesa, patrocínio do Reino Unido.
A abertura – canal artificial – está localizada na Península do Sinai, no Egito, e que permite a comunicação marítima entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo. A comunicação marítima permite que a Europa e a Ásia se aproximem no transporte de mercadorias e pessoas, sem a necessidade de realizar o contorno do continente africano. O Egito com essa passagem se tornou o Portal entre o Ocidente e Oriente.
Na construção, 1,5 milhão de trabalhadores estiveram na obra que no seu término fez reduzir a rota até o Oriente em 7.000 quilômetros. O Canal de Suez tem 193 km de extensão, com média de 24 metros de profundidade, e 365 metros de largura. Em média mais de 20.000 embarcações utilizam o canal por ano, trajeto percorrido entre 11 a 18 horas, o que representa próximo a 20% do comércio mundial de mercadorias.
O CANAL DO PANAMÁ
Finalizada a construção do Canal de Suez, em 1881 a França e o engenheiro Ferdinand de Lessps iniciaram a construção de um canal na América Central, naqueles tempos território da Colômbia, com a pretensão de interligar os Oceanos Atlântico e o Pacífico. O canal objetivava encurtar significativamente o transporte marítimo entre a costa do Oceano Atlântico e a Ásia, sem contornar o Continente Americano pelo sul. A construção não foi finalizada, após centenas de trabalhadores mortos e do próprio técnico responsável. A Companhia Francesa faliu.
Após a Independência Político Administrativa da Colômbia conquistada pelo Panamá, em 1904 os Estados Unidos da América do Norte assumiram a obra do canal.
A construção do denominado Canal do Panamá, com início de operação em 15 de agosto de 1914, fez uso do “sistema de eclusas” no canal artificial com 82 quilômetros de extensão, por onde transitam mais de 15 mil embarcações ano, de 170 países. Foi administrado pelos EUA até 1999, e após, está sob gestão do próprio Governo do Panamá.
OS CANAIS E VIAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
A Amazônia Legal é constituída por 9 Estados Brasileiros pertencentes à bacia amazônica instituída pelo Governo Federal via Lei 1.806/1953, são eles: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão. A Amazônia Legal é 59% do território brasileiro, próximo às dimensões do Continente Europeu formado por 50 países.
Já identificados, 40% do território da Amazônia estão em área do pré-cambriano e neles estão catalogadas imensas potencialidades com os depósitos de minerais como o ferro, manganês, cobre, alumínio, zinco, níquel, cromo, titânio, fosfato, prata, ouro, platina, paládio e também, petróleo. E mais, na Amazônia Legal estão madeiras raras em abundância, enormes estoques de borracha, castanha e peixes.
A maior reserva de água doce do planeta – Aquífero Grande Amazônia – com volume de 162 mil quilômetros cúbicos, poderia abastecer o mundo por longos 250 anos, está no subsolo em área de 1 milhão e duzentos mil quilômetros quadrados.
Deitados em berço esplendido, os brasileiros desconfiam saber das riquezas existentes, enquanto isso, o olho da COBIÇA estrangeira campeia através das milhares de organizações não governamentais patrocinadas e que perambulam por toda Amazônia.
INTEGRAR PARA CIVILIZAR E DESENVOLVER
Há muitas décadas o homem via aérea vai a Lua e também pousa em algumas cidades e capitais dos Estados do Norte do Brasil. Entretanto, via terrestre, ainda e já no século XXI, em determinados meses do ano, milhões de brasileiros ficam praticamente incomunicáveis via rodoviária e ferroviária. Inexiste planejamento e uso das possíveis hidrovias.
O General Emílio Garrastazu Médice, Presidente do Brasil no período de 1969/1974, iniciou projeto e obra para construção da Rodovia Transamazônica, com 4.260 quilômetros de extensão, iniciando na cidade portuária de Cabedelo na Paraíba, passando por inúmeros Estados, até cidade de Lábrea, no Amazonas. O conceito inicial previa mais 4.000 quilômetros de extensão ligando a rodovia aos países Peru e Equador, para acesso a Ásia via marítima.
O que teria desestimulado a volúpia desenvolvimentista e de integração nacional? Simples. A descoberta do mineral ouro, o que deixou alguns ricos e nos fez todos de tolos. Em 1980 o agricultor Genésio Ferreira da Silva trabalhando na lavoura na Serra dos Carajás, Pará, em terras que a Vale do Rio Doce tinha os direitos das jazidas, “capinou” sobre o solo, uma pepita de ouro de 13 quilos. A notícia se espalhou na rapidez de um rastilho de pólvora. Em pouco tempo, no local denominado Serra Pelada, 52.000 brasileiros lá estavam cavando as entranhas da terra. Em três anos mais de 50 toneladas de ouro foram extraídas, inclusive a maior pepita de ouro já conhecida de 60 quilos.
O Governo Federal indenizou a empresa Vale do Rio Doce com R$ 59 milhões pelo uso da área reservada, enviou o Major Curió para gestão da área minerada, instalou no local a Polícia Federal, Receita Federal, Correios e agência da Caixa Econômica. Em 1992 a jazida foi desativada. Restou no local um novo município pouco habitado chamado de Curionópolis, em homenagem ao Major Curió.
Os governos civis que sucederam aos Generais Presidentes nacionalistas, simplesmente “esqueceram” de finalizar e manter a Rodovia Transamazônica transitável 12 meses em cada ano.
Os pesquisadores e olheiros do estrangeiro, ao contrário, dedicaram e dedicam enorme interesse em identificar, reservar e extrair as riquezas de toda região Amazônica – madeiras, todos os tipos de minerais e tudo que a natureza biológica oferece e oculta.



