Baterista, produtor e youtuber: o som plural de um criciumense apaixonado pela música

Gilson Naspolini também é engenheiro de som e leciona aulas em um instituto musical

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Baterista, produtor e youtuber: o som plural de um criciumense apaixonado pela música
Foto: Divulgação

Baterista, criador de conteúdo digital, educador, engenheiro de som e produtor musical, o criciumense Gilson Naspolini, de 42 anos, tem uma trajetória marcada por versatilidade e paixão pela música. Fundador do Instituto Gilson Naspolini, em Criciúma, o artista está há mais de duas décadas atuando no cenário musical, e possui um canal que conta com mais de 100 mil inscritos e quase oito milhões de visualizações no Youtube.

Desde a juventude, Naspolini sempre esteve muito envolvido com os bastidores das melodias. A evolução na carreira foi, segundo ele, um processo natural. “Desde muito jovem eu convivia com produtores. Então, quando passei a dar aulas e ter meu próprio espaço, comecei também a gravar baterias para artistas. Aos poucos, passei a produzir os projetos completos”, explica.

Em meio a apresentações de pop, rock e reggae, Naspolini conta que sua maior identificação está no gênero das guitarras. “Sem dúvidas, minha identidade é com o rock. Mas costumo dizer para meus alunos: o estilo mais desafiador é sempre aquele que você nunca ouviu. Se você não cresceu imerso em determinado ritmo, vai precisar estudar e entender sua linguagem”, destaca.

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Durante sua caminhada, o criciumense acumulou aprendizados ao lado de grandes nomes da música local e nacional. “A experiência ao lado de nomes como Adair Daufembach, Daniel Fernandes, Elison Máximo, Tiago Pimpas, Thiago Bianchi foi essencial para eu trilhar esse caminho com segurança e maturidade”, salienta.

Ao lado de Adair Daufembach, Naspolini já gravou com uma infinidade de artistas, e está, agora, produzindo um álbum com sua própria banda, As The Palaces Burn. “‘Zodiac’ está sendo finalizado, e já tem single disponível nas plataformas digitais. É nosso segundo ‘full álbum’ com o Adair, e tem um peso emocional e artístico muito forte pra mim”, afirma.

Gilson Naspolini atua como baterista, na banda ‘As The Palaces Burn’.(Foto: Divulgação)

Referências e cenário local

A maior inspiração do baterista sempre foi o músico canadense Neil Peart, da banda Rush. “Por conta de sua musicalidade, pela construção inteligente das linhas e pela forma como ele unia técnica e composição”, destacou. Nomes como Nicko McBrain, do Iron Maiden, Lars Ulrich, do Metallica, e Mike Portnoy, do Dream Theater, também serviram como inspiração. “São bateristas que marcaram minha formação e que, cada um ao seu modo, continua sendo referência para mim até hoje”, pontua.

Na visão dele, o cenário musical catarinense possui um grande potencial. “Vejo uma cena rica em talentos, com muita gente criativa produzindo boas músicas. No estado, existe uma força muito grande no rock e na música autoral. Falta um pouco mais de visibilidade e apoio, mas o potencial é enorme”, frisa.

Atuação como produtor musical

O criciumense é músico, educador, produtor e criador de conteúdo digital.(Foto: Divulgação)

Ele explica que muitos ainda confundem as funções de produtor musical e engenheiro de som. “O engenheiro de som é o técnico responsável por captar e mixar os áudios com qualidade. Já o produtor musical é quem guia a direção artística, sugere arranjos, escolhe timbres e participa das decisões criativas. Onde eu atuo, acabamos acumulando funções, então sou produtor, engenheiro, músico e até psicólogo em alguns momentos”, destaca.

Muito mais do que somente gravar e organizar as músicas, produzir é, para ele, um ato de empatia e acolhimento. “Já trabalhei com artistas que estavam inseguros ou com medo de gravar. Nessas horas, meu papel é incentivar, tranquilizar e dar espaço para que eles se expressem. Às vezes, uma boa conversa antes da gravação vale mais do que qualquer microfone caro”, pontua.

Nem sempre os bastidores seguem o roteiro planejado. O produtor relembra uma gravação inusitada. “Uma vez, um músico ficou tão nervoso durante a gravação que simplesmente esqueceu como tocava a própria música. Tivemos que parar tudo, tomar um café e dar risada. Só depois de uma boa conversa ele conseguiu voltar ao estúdio e gravar tranquilamente”, recorda Naspolini.

Instituto Gilson Naspolini

Fundado em 2012, o Instituto de Música Gilson Naspolini nasceu da necessidade do educador de encontrar um espaço novo para suas aulas. “O maior desafio, sem dúvida, foi a parte financeira. Equipar um estúdio exige muito investimento e planejamento, mas tudo valeu a pena”, relembra.

O Instituto tem como foco atuar como um espaço de transformação, introduzindo as pessoas no mundo musical. “Meu objetivo é, mais do que formar músicos, formar pessoas apaixonadas pelo que fazem. Quero que os alunos não apenas aprendam técnica, mas desenvolvam autonomia musical, sensibilidade artística e confiança. É uma das partes mais gratificantes do meu trabalho”, conta o professor.

O espaço conta com aproximadamente 25 alunos presenciais por semana, além de dezenas que acompanham as aulas de Naspolini à distância, através de plataformas digitais. “A música é um processo contínuo de aprendizado. É normal errar, recomeçar e crescer com isso”, pontua.

Instituto atua há mais de uma década na formação de novos músicos. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A força da internet

A evolução da tecnologia permitiu que, artistas como Naspolini, pudessem conquistar grande visibilidade mesmo longe de metrópoles nacionais, como Rio de Janeiro e São Paulo. “A internet encurtou distâncias. Hoje conseguimos mostrar nosso trabalho para o mundo, mesmo estando longe dos grandes centros. Persistência e criatividade fazem toda a diferença”, diz o músico.

Há 15 anos, o influenciador digital criou seu canal no Youtube, que hoje conta com quase oito milhões de visualizações e mais de 100 mil inscritos. “A ideia inicial era ajudar meus alunos a estudarem em casa. Eu postava vídeos para evitar que cometessem erros de postura ou interpretação. Um desses vídeos acabou viralizando, a partir daí, comecei a postar com mais frequência e o canal cresceu bastante”, conta.

“Poste. Comece. Ninguém nasce pronto, e a evolução só vem com a prática. Mostrar seu trabalho na internet é uma forma poderosa de se conectar com o público e abrir portas. O importante é ser honesto com o que você faz”, aconselha.

A história de um estudante reforça o poder que a internet tem na transmissão do conhecimento musical. “Tive um aluno que foi de Criciúma para Joinville, ao ser aprovado em um conservatório. Semanas depois, ele me mandou a foto de uma aula, e o material usado era justamente um conteúdo meu. Aquilo me emocionou. É gratificante demais saber que o que você ensina alcança pessoas, mesmo quando você nem imagina”, ressalta.

Rotina intensa e planos futuros

Produtor musical, educador, youtuber e baterista. Por mais que sejam funções distintas, para ele todas se conectam. “Tudo gira em torno da música: tocar, gravar, ensinar e produzir. Às vezes é cansativo, claro, mas como tudo está ligado, acaba fluindo de forma natural. A variedade também mantém tudo sempre estimulante”, afirma.

Entre as funções de Naspolini, criar, compor e produzir é o que mais lhe fascina. “Cada gravação é um universo novo, um desafio criativo que me prende completamente. É um trabalho onde eu realmente perco a noção do tempo”, conta.

Ele destaca suas próximas metas na carreira. “Estamos finalizando o álbum Zodiac, do As The Palaces Burn, e novos clipes estão a caminho. Com a Karol & The Snow Dogs, recentemente tocamos na Escócia, e esperamos repetir essa experiência em breve, em outros eventos espalhados pelo mundo. Também temos o evento Rush Fest, aqui de Criciúma, que em 2026 comemora 10 anos, com uma edição especial já marcada para os dias 17 e 18 de abril”, salienta.

O artista divulga seu trabalho em redes como Instagram, Youtube e Facebook. Além disso, ele possui um site, o qual é possível acessar clicando no link.

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