uMANOs Talk Show

Como a indústria carbonífera impulsionou a moda masculina em Criciúma

Mano Dal Ponte veste Homem & Cia, Fidelis e Highstil

Por Mano Dal Ponte03 de agosto de 2026 4 min de leitura
Daniel Vieira / Triplice Filmes

A história da moda masculina em Criciúma se mistura com a própria história do desenvolvimento da indústria carbonífera. Em entrevista ao uMANOs Talk Show, o empresário Mazinho Rocha, da Homem & Cia, relembrou as origens da tradicional Alfaiataria Rocha, falou sobre as transformações no comportamento dos consumidores e explicou como a elegância masculina acompanha as mudanças da sociedade.

Segundo Mazinho, tudo começou na década de 1950, quando seu pai, Osmar Rocha, chegou a Criciúma para trabalhar com o irmão, que já mantinha uma alfaiataria na cidade. Na época, os principais clientes eram os trabalhadores das minas de carvão, que tinham o hábito de encomendar roupas sob medida.

"Naquele período não existia roupa pronta. O homem usava terno para ir ao centro, à missa e aos compromissos sociais. Criciúma chegou a ter mais de dez alfaiatarias", recordou.

Com o passar dos anos, Osmar Rocha tornou-se sócio do irmão e, posteriormente, assumiu o negócio, fundando a tradicional Alfaiataria Rocha, que deu origem ao Rocha Magazine, uma das referências do comércio de moda masculina da região durante seis décadas.

Confira o programa completo no Youtube:

Da alfaiataria à consultoria de imagem

Embora não tenha seguido a profissão de alfaiate, Mazinho cresceu acompanhando o trabalho do pai e aprendendo sobre qualidade, tecidos e acabamento das peças. Segundo ele, a experiência adquirida ao longo dos anos transformou a venda de roupas em um trabalho de consultoria.

"O cliente não procura apenas um vendedor. Ele quer alguém que entenda seu estilo, seu biotipo e a ocasião em que vai usar a roupa."

Atualmente, a Homem & Cia passa por um processo de modernização da loja e de capacitação da equipe para oferecer atendimento ainda mais personalizado, considerando fatores como formato do corpo, proporções e combinação de cores.

Moda masculina acompanha mudanças de comportamento

Mazinho também destacou como eventos sociais mudaram nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Casamentos durante o dia, por exemplo, passaram a ser muito mais frequentes, alterando também o padrão das roupas utilizadas pelos convidados. Segundo ele, ternos em tons claros passaram a ganhar espaço durante eventos diurnos, enquanto os modelos escuros continuam sendo a principal escolha para cerimônias noturnas.

"O azul-marinho continua sendo extremamente versátil, mas eventos durante o dia permitem cores mais claras e tecidos mais leves", explicou.

Outro ponto abordado foi a diferença entre os conceitos de blazer, costume e terno, frequentemente confundidos pelos consumidores.

  • Blazer: apenas a parte superior;

  • Costume: blazer e calça;

  • Terno: blazer, calça e colete.

Moda mais consciente e menos descartável

Na avaliação do empresário, a moda masculina possui características diferentes da feminina por acompanhar tendências mais duradouras. Enquanto as coleções femininas mudam rapidamente, peças clássicas masculinas permanecem atuais durante anos, permitindo maior longevidade no guarda-roupa.

Ainda assim, ele observa que os homens estão cada vez mais atentos à imagem pessoal e buscam atualizar o visual com maior frequência.

"O homem percebe quando chega a um evento e vê pessoas usando cortes mais modernos. Aos poucos ele entende que também precisa renovar o guarda-roupa."

Canetas emagrecedoras já impactam o setor

Um fenômeno recente também começou a influenciar diretamente o mercado da moda masculina. Segundo Mazinho, o aumento no uso das chamadas canetas emagrecedoras fez crescer significativamente a procura por novas roupas. Muitos clientes perderam peso e precisaram substituir praticamente todo o guarda-roupa.

"É uma mudança positiva. A pessoa melhora a saúde, ganha autoestima e naturalmente precisa adequar as roupas ao novo corpo."

Empreendedor em diferentes segmentos

Além da moda, Mazinho revelou que também empreendeu em outros ramos ao longo da vida. Entre eles está a criação de um dos primeiros serviços organizados de motoboy em Criciúma, no início dos anos 2000, quando ainda não existiam aplicativos de entrega. A iniciativa acabou levando os sócios a adquirirem uma distribuidora de água mineral, ampliando os negócios por um período antes de retornarem ao foco principal na moda masculina.

Paixão por carros antigos e motociclismo

Fora do ambiente empresarial, Mazinho também é conhecido pelo hobby envolvendo veículos antigos. Durante mais de duas décadas colecionou modelos clássicos nacionais, chegando a possuir oito automóveis simultaneamente. Entre os destaques da coleção esteve um raro Volkswagen SP2, modelo bastante valorizado entre colecionadores.

Hoje, a paixão continua sobre duas rodas. Recentemente, realizou uma viagem de aproximadamente seis mil quilômetros de motocicleta até o Chile, experiência que define como uma forma de desconectar da rotina empresarial.

Elegância vai além da roupa

Para Mazinho Rocha, vestir-se bem não significa seguir todas as tendências da moda, mas compreender o próprio estilo e utilizar peças adequadas ao corpo e à ocasião.

"O homem elegante é aquele que está bem vestido, confortável e transmite credibilidade. A roupa precisa valorizar a pessoa, nunca chamar mais atenção do que ela."

Mano Dal Ponte apresenta na Engeplus o uMANOs Talk Show

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