uMANOs Talk Show

Enquanto o varejo sofre, a La Moda cresce. Hugo Olivo fala sobre negócios, moda e liderança

Mano Dal Ponte recebeu Hugo Olivo, CEO da La Moda, no uMANOs Talk Show Engeplus

Por Mano Dal Ponte21 de setembro de 2026 9 min de leitura
Daniel Vieira / Triplice Filmes

O universo da moda vai muito além das passarelas, das vitrines e das tendências. Por trás de cada coleção existe uma complexa operação que combina criatividade, gestão, estratégia, relacionamento e capacidade de interpretar o comportamento do consumidor. Foi sobre esse universo que o empresário e administrador Hugo Olivo conversou com Mano Dal Ponte no uMANOs Talk Show Engeplus. À frente da La Moda, grupo responsável pelas marcas Lança Perfume, Lança Perfume Easy, My Favorite e BO Bruna Olivo, o CEO revelou detalhes da rotina de uma empresa que precisa transformar criatividade em resultado.

Durante a entrevista, o empresário destacou que um dos maiores desafios do negócio está justamente na dependência do capital criativo. Cada marca trabalha com novas coleções e centenas de referências que precisam ser renovadas constantemente. Para Hugo, o sucesso está em equilibrar dois universos aparentemente opostos: a liberdade necessária para criar e a disciplina dos números. Formado em Ciências Contábeis, ele contou que chegou a participar diretamente da criação das primeiras coleções da Lança Perfume, unindo desde cedo a visão criativa com a racionalidade da gestão.

Confira a entrevista completa no Youtube:

Em entrevista ao uMANOs Talk Show Engeplus, Hugo Olivo, CEO da La Moda, falou sobre moda, gestão, redes sociais, relacionamento com lojistas, criatividade e os desafios de comandar marcas como Lança Perfume, My Favorite e BO Bruna Olivo.

Outro ponto central da conversa foi a mudança na relação entre empresas e consumidores. Para Hugo, não foi exatamente o varejo que mudou, mas o consumidor, que passou a pesquisar, comparar, comprar digitalmente e exigir experiências cada vez mais personalizadas. Essa transformação também levou a La Moda a aproximar-se dos lojistas multimarcas, que representam uma parcela significativa do negócio. A empresa passou a trabalhar com uma lógica de comunidade, buscando construir uma relação de parceria e objetivos compartilhados com quem está na ponta da venda.

Hugo também falou sobre a própria transformação como empresário e figura pública. Apesar de se considerar uma pessoa naturalmente tímida, passou a utilizar as redes sociais como ferramenta estratégica de comunicação e aproximação com clientes, parceiros e consumidores. Fora do trabalho, revelou a paixão pela pesca esportiva, atividade que considera fundamental para desconectar a mente e recuperar energia. Ao longo da entrevista, o empresário mostrou uma visão de negócios baseada na combinação entre pessoas, criatividade, gestão e relacionamento — princípios que, segundo ele, ajudam a explicar a trajetória da La Moda.

Moda exige equilíbrio entre criatividade e números

Administrar uma empresa de moda significa lidar com um ritmo de renovação muito diferente de outros segmentos. Hugo Olivo explica que a La Moda trabalha com quatro coleções por ano em cada uma das marcas, envolvendo centenas de referências, diferentes tamanhos e cores. O que é novidade hoje pode deixar de ser relevante poucos meses depois, tornando a criatividade um dos principais ativos da companhia.

Para o empresário, o maior desafio está justamente em administrar a dependência do capital criativo. Estilistas, profissionais de marketing e outros especialistas precisam encontrar constantemente novas ideias capazes de despertar o desejo do consumidor. “Quem define o sucesso do negócio são os artistas”, explicou Hugo durante a entrevista, destacando que a gestão precisa criar um ambiente capaz de estimular essas pessoas.

Ao mesmo tempo, criatividade sem gestão pode comprometer o negócio. Formado em Ciências Contábeis, Hugo afirma que sempre buscou equilibrar os dois lados. Na La Moda, essa filosofia se traduz em uma combinação entre liberdade criativa, análise de resultados, preço, usabilidade e planejamento. Para ele, a ideia precisa primeiro ter espaço para nascer e somente depois ser submetida aos critérios racionais da gestão.

Flexibilidade e ambiente de trabalho fazem parte da estratégia da La Moda

A cultura empresarial também foi um dos assuntos abordados por Hugo Olivo. Segundo ele, a La Moda procura oferecer um ambiente mais flexível, com diferentes formas de trabalho e espaços de convivência. A sede da empresa, inclusive, ganhou uma cafeteria, iniciativa que inicialmente gerou resistência dentro da família, mas que posteriormente passou a simbolizar uma nova forma de pensar o ambiente corporativo.

Hugo defende que as empresas precisam compreender que as pessoas passam uma parte significativa da vida trabalhando. Por isso, considera insuficiente oferecer apenas remuneração. Na visão do empresário, é necessário criar um ambiente em que o profissional possa se sentir motivado, desafiado e conectado ao propósito da organização, sem abrir mão da cobrança por resultados.

Na La Moda, esse propósito está diretamente ligado à emoção. Hugo afirma que as marcas trabalham com autoestima, autoconfiança e expressão pessoal. A roupa, nesse contexto, deixa de ser apenas um produto e passa a ser uma ferramenta para que as pessoas expressem quem são e como desejam ser percebidas.

Hugo Olivo transforma timidez em ferramenta de comunicação

A presença de empresários nas redes sociais também entrou na conversa. Hugo revelou que não tinha facilidade para falar em público e que durante boa parte da vida evitou apresentações. A mudança aconteceu gradualmente, principalmente quando percebeu que a comunicação direta poderia aproximar a empresa de consumidores e parceiros.

Depois da pandemia, segundo Hugo, a La Moda passou a compreender ainda mais a importância de ter pessoas da própria empresa representando as marcas. As irmãs Bruna e Bianca passaram a ter uma presença mais forte na comunicação, aproximando as marcas dos consumidores. O empresário decidiu fazer o mesmo e passou a utilizar suas próprias redes sociais como canal de relacionamento.

Hugo define esse movimento como uma necessidade do empresário contemporâneo. Para ele, as redes sociais funcionam como uma ferramenta que permite chegar diretamente às pessoas, reduzindo distâncias e custos de comunicação. A mudança, no entanto, exigiu treinamento e exposição. “Ou você faz por dom ou faz por treino. No meu caso, é treino”, afirmou durante a entrevista.

Para Hugo Olivo, quem mudou foi o consumidor

Uma das principais análises feitas por Hugo durante a entrevista foi sobre a transformação do varejo. Na avaliação do empresário, a mudança não aconteceu simplesmente porque as lojas físicas perderam espaço, mas porque o consumidor passou a se comportar de maneira diferente. A digitalização acelerou esse processo e aumentou a exigência por conveniência, personalização e conhecimento sobre o cliente.

O consumidor atual pode pesquisar preços pelo celular, comprar de diferentes regiões e esperar que as marcas conheçam suas preferências. Para Hugo, isso cria uma nova obrigação para o varejo: entender quem está comprando. No segmento de moda, essa personalização pode envolver desde tamanho e modelagem até estilo, cores e características regionais.

A La Moda também precisou adaptar sua atuação a essa realidade. Com cerca de 70% do negócio realizado por meio de revendedores multimarcas, a empresa passou a investir na aproximação direta com os lojistas. Eventos, conteúdos, encontros regionais e comunicação pelas redes sociais são algumas das ferramentas utilizadas para reduzir a distância entre a indústria, o lojista e o consumidor final.

La Moda aposta em uma relação de comunidade com lojistas

A relação com os lojistas ganhou um capítulo especial na entrevista. Hugo contou que, em determinado momento, uma decisão estratégica da empresa provocou insatisfação entre parceiros, que chegaram a se organizar para discutir a situação. O episódio levou o empresário a repensar a forma como a companhia se relacionava com quem comercializa seus produtos.

A partir dessa experiência, a La Moda passou a trabalhar com uma filosofia de comunidade. A ideia é que empresa e lojista tenham objetivos comuns e façam parte da mesma cadeia de valor. Em vez de uma relação baseada apenas em compra e venda, a proposta passou a envolver parceria, comunicação direta e participação conjunta na construção dos resultados.

Um dos exemplos desse modelo são os eventos promovidos pela empresa, que reúnem centenas de lojistas para discutir marcas, estratégias, resultados e planos. Hugo reconhece que a transformação não acontece em um único encontro, mas por meio de uma sequência de ações. Para ele, quando o lojista tem um problema, a empresa também precisa enxergar aquilo como um problema próprio.

La Moda aposta em uma relação de comunidade com lojistas

A relação com os lojistas ganhou um capítulo especial na entrevista. Hugo contou que, em determinado momento, uma decisão estratégica da empresa provocou insatisfação entre parceiros, que chegaram a se organizar para discutir a situação. O episódio levou o empresário a repensar a forma como a companhia se relacionava com quem comercializa seus produtos.

A partir dessa experiência, a La Moda passou a trabalhar com uma filosofia de comunidade. A ideia é que empresa e lojista tenham objetivos comuns e façam parte da mesma cadeia de valor. Em vez de uma relação baseada apenas em compra e venda, a proposta passou a envolver parceria, comunicação direta e participação conjunta na construção dos resultados.

Um dos exemplos desse modelo são os eventos promovidos pela empresa, que reúnem centenas de lojistas para discutir marcas, estratégias, resultados e planos. Hugo reconhece que a transformação não acontece em um único encontro, mas por meio de uma sequência de ações. Para ele, quando o lojista tem um problema, a empresa também precisa enxergar aquilo como um problema próprio.

Pesca ajuda Hugo Olivo a desconectar da rotina empresarial

Fora do ambiente corporativo, Hugo Olivo encontra na pesca esportiva uma das principais formas de desconexão. A paixão começou ainda na infância, influenciada também pelo pai, e evoluiu ao longo dos anos para modalidades mais técnicas, com barcos, equipamentos, sonares e participação em competições.

O empresário contou que já participou de campeonatos de pesca nos Estados Unidos e que a atividade representa muito mais do que um hobby. Para ele, estar em contato com a natureza e concentrar-se em uma única tarefa ajuda a “limpar” a mente dos problemas do cotidiano. A pesca esportiva também envolve autodesafio e exige concentração, características que acabam dialogando com a própria rotina empresarial.

Apesar da importância da atividade, Hugo reconheceu que tem pescado menos do que gostaria. Segundo ele, quando o trabalho aperta, o lazer costuma ser uma das primeiras coisas sacrificadas. A reflexão, porém, é justamente sobre a necessidade de equilíbrio: ao afastar-se temporariamente dos problemas, o empresário acredita que pode retornar a eles com uma perspectiva diferente e encontrar novas soluções.

Mano Dal Ponte apresenta na Engeplus o uMANOs Talk Show

Compartilhar:

Notícias relacionadas