“Eu chorava no escritório”: Neném relembra as crises e anuncia a nova loja do Abimar
Mano Dal Ponte recebeu o Neném do Abimar no uMANOs Talk Show Engeplus

De um pequeno armazém na Lagoa no Faxinal, onde a família vendia produtos básicos no balcão, a uma rede de supermercados com operações no Sul de Santa Catarina. A trajetória de Custódio Abílio, o famoso Neném do Abimar, é marcada por trabalho, crises, decisões arriscadas e uma estratégia de crescimento baseada na cautela e na proximidade com os consumidores. Em entrevista ao uMANOs Talk Show, o empresário relembrou os principais momentos da história do Abimar e revelou detalhes do próximo grande investimento da família em Içara.
Filho de agricultor e de uma professora, Neném começou a trabalhar ainda criança. A família posteriormente deixou o Faxinal e se estabeleceu na região da Pedreira, onde iniciou uma nova fase do empreendimento. O pequeno comércio de aproximadamente 77 metros quadrados cresceu para uma estrutura de mais de 600 metros quadrados, antes de a família iniciar um processo de expansão para outras cidades.
A trajetória, entretanto, esteve longe de ser linear. Uma das maiores dificuldades ocorreu justamente durante uma expansão em Içara, quando a operação não alcançou o resultado esperado e a família chegou a enfrentar problemas para manter as contas em dia. “Tu sabe o que é ligar para o teu irmão chorando?”, relatou Custódio ao lembrar do período em que chegou a considerar a venda do negócio.
O empresário atribui a superação daquele momento ao trabalho, à união familiar e à capacidade de recuar quando necessário. A experiência também mudou a maneira como os novos investimentos passaram a ser planejados.
Mano Dal Ponte recebeu o Neném do Abimar no uMANOs Talk Show Engeplus:
Uma expansão construída com cautela
Depois da experiência em Içara, a família decidiu estudar de forma mais detalhada o mercado antes de avançar para Araranguá. Neném conta que ele e o irmão Donizete passaram a visitar diariamente os estabelecimentos da cidade para observar movimento, preços, concorrência e potencial de consumo.
A construção da unidade levou aproximadamente quatro anos. O cuidado refletia o receio de repetir os problemas enfrentados anteriormente. O resultado, segundo Neném, foi diferente: a loja começou a apresentar lucro já no primeiro mês de funcionamento.
A estratégia passou a orientar os investimentos seguintes. Em vez de uma expansão acelerada, a família optou por concentrar recursos em grandes unidades, buscando manter competitividade e qualidade na operação.
Novo projeto terá 20,6 mil metros quadrados
É dentro dessa estratégia que surge o novo empreendimento em Içara. O projeto terá aproximadamente 20,6 mil metros quadrados, área significativamente superior às unidades de Araranguá e Balneário Rincão, que possuem cerca de 12,3 mil metros quadrados cada.
A estrutura terá características de um complexo comercial. Na parte superior ficará a operação principal, seguindo o conceito das demais unidades, com supermercado, restaurante e espaços comerciais. Já a área inferior deverá receber um novo centro comercial.
Segundo Neném, o projeto terá ligação entre a rua Vitória e a rua Donato Valvassori. A estrutura também contará com um amplo estacionamento, com 170 vagas, outras 50 vagas de reserva e aproximadamente 100 vagas destinadas a funcionários e lojistas.
“Poucos, mas os melhores”
A expansão não significa, segundo o empresário, uma mudança na filosofia da empresa. Neném afirma que a família poderia distribuir os investimentos em diferentes cidades e abrir mais unidades, mas decidiu seguir outro caminho. A opção é concentrar a expansão em operações maiores e competitivas.
“Nós decidimos por ter poucos, mas ter os melhores”, afirmou.
O empresário considera a proximidade com os consumidores um dos principais diferenciais construídos ao longo da história do Abimar. Mesmo com o crescimento da empresa, ele afirma sentir falta do contato diário que tinha com os clientes nos primeiros anos.
Supermercado exige escala e margem reduzida
Durante a entrevista, Neném também falou sobre os desafios econômicos enfrentados pelo setor supermercadista. Segundo ele, a atividade trabalha com margens reduzidas e exige grande volume de vendas para produzir resultados.
A operação envolve grande número de colaboradores, logística, controle de estoque, fiscalização e uma estrutura tributária considerada complexa pelo empresário. Na avaliação de Neném, a simplificação dos impostos poderia reduzir custos e aumentar a transparência para empresas e consumidores.
Apesar das margens apertadas, ele afirma que o setor é rentável quando existe escala e eficiência. “Nós ganhamos porque o nosso volume é muito grande”, explicou.
Do panfleto às redes sociais
Neném também relembrou uma transformação na forma de fazer publicidade no setor. No passado, o Abimar chegou a utilizar uma Kombi com funcionários para distribuir panfletos promocionais diretamente nas residências. Os encartes eram uma ferramenta fundamental para atrair consumidores para as ofertas do fim de semana. Hoje, segundo o empresário, as redes sociais ocupam uma parte importante desse espaço.
A estratégia comercial, porém, não pode se resumir ao preço. Para Neném, qualidade dos produtos e atendimento continuam sendo fundamentais para manter o consumidor.
Família prepara sucessão
A continuidade do negócio também já está sendo construída dentro da família. Os filhos de Neném e Donizete participam da operação, enquanto um dos filhos de Donizete escolheu seguir carreira na medicina. Neném afirma que os filhos que permanecem no empreendimento precisam seguir os mesmos princípios que orientaram a primeira geração. Entre eles estão trabalho, responsabilidade e respeito às pessoas.
Para o empresário, não basta fazer parte da família proprietária. É necessário estar preparado para trabalhar e assumir responsabilidades dentro da empresa.
Respeito aos concorrentes
Apesar de atuar em um mercado altamente competitivo, Custódio afirma não enxergar os concorrentes como inimigos. Para ele, a competição precisa existir acompanhada de respeito. O empresário citou, inclusive, uma situação em que uma obra do próprio grupo provocou o acúmulo de barro em frente ao estabelecimento de outro supermercadista em Içara. Ao tomar conhecimento do problema, determinou que a equipe fosse imediatamente ao local para realizar a limpeza.
Para Custódio, reconhecer os próprios erros é indispensável para conquistar respeito. “Quando tu não reconhece as tuas culpas, tu não tem o respeito das pessoas”, afirmou.
A abelha que virou símbolo do Abimar
Outro elemento lembrado durante a entrevista foi a abelha que se tornou mascote do Abimar. Segundo Neném, o personagem foi criado originalmente para uma ação relacionada ao mel e posteriormente incorporado à identidade da empresa. A escolha ocorreu pela associação da abelha ao trabalho e à produtividade. O personagem passou a fazer parte da comunicação da marca e, conforme relatado pelo empresário, está registrado no INPI.
Mais do que uma mascote, a abelha passou a representar uma característica que Neném considera fundamental na trajetória da família: o trabalho contínuo.
“Os percalços vão aparecer”
Ao olhar para a trajetória construída desde o pequeno armazém no Faxinal, Neném considera que as dificuldades foram fundamentais para preparar a família para os novos desafios. Ele afirma que não pretende esconder os momentos em que pensou que o negócio poderia não dar certo. Pelo contrário, considera essas experiências parte da construção empresarial.
A mensagem que leva para a próxima geração é de persistência. Para Neném, um erro não representa necessariamente o fim de um projeto. “Se tu botou um negócio e o negócio não caminhou, tens que trabalhar o dobro”, afirmou.
O próximo capítulo da história será escrito novamente em Içara. Com um projeto de 20,6 mil metros quadrados e uma estrutura que pretende reunir supermercado, restaurante, lojas e centro comercial, a família Abílio prepara mais uma etapa de uma trajetória iniciada há décadas em um pequeno comércio.
Para Neném, a fórmula continua sendo a mesma: trabalho, cautela, família, respeito e persistência. No fim da entrevista, ele resumiu sua visão sobre empreender no Brasil de uma maneira particular: é preciso ser resiliente — ou, como prefere definir, “teimoso”.

Mano Dal Ponte apresenta na Engeplus o uMANOs Talk Show



