Futebol, estranhas involuções
Futebol moderno
O torcedor perde espaço para os interesses comerciais do futebol moderno

Há muitas e muitas décadas o futebol é a atividade desportiva mais praticada no planeta. A fidelização muito se deveu às regras claras e simples, de fácil entendimento e cumprimento, consequentemente, de possível organização intramuros e em inúmeras competições.
As regras estabelecidas nos primórdios na Inglaterra - 1ª partida considerada oficial ocorreu em 1860 entre o Sheffield FC x Hallam FC - poucas evoluções ocorreram ao longo de muitas temporadas. Considerando ainda que o 1º Campeonato Nacional estruturado foi o Football League promovida na Inglaterra em 1888.
As “regras de um jogo de futebol” sempre foram de fácil compreensão, ao mesmo tempo, a organização e promoção do futebol cresceram de tal forma até que é a muitos anos considerada atividade econômica e cultural de maior relevância mundial. A relevância é determinada pelo numero de profissionais e organizações envolvidas, e, notadamente pelos valores monetários trilionários investidos e revertidos.
Aquilo que se convencionou de se chamar de “futebol raiz”, definitivamente acabou. Não se comprova mais nem mesmo no futebol considerado amistoso, ou, amador. É uma evolução teórica, porém, de degustação precária. Tudo se tenta justificar como sendo ações mercadológicas e profissionalizantes.
A organização em uma agremiação e as competições em que a mesma está inserida, definitivamente estão condicionadas as decisões que visam gerar rendas e lucros infinitos aos ditos investidores. Os valores revertidos às agremiações incentivam o pagamento de valores extraordinários, aos milhões mensamente, a uma elite praticante do futebol. Atos e fatos que definitivamente irão (já estão), tornar inadimplentes e insolventes clubes tradicionais do futebol. O ciclo patrocinador das casas de jogos com referência ao futebol está por findar. Se possível, a sobreposição em substituição será menor, lenta e gradual. Com agravante, a poupança administrativa nos clubes inexiste.
O maior patrimônio de uma agremiação – clube de futebol – sem dúvidas ou reticências, é o seu torcedor, o simpatizante da prática esportiva. É como numa nação democrática que tem no seu povo o principal componente.
Hoje e em tempos recentes, respeitando contratos comerciais, o futebol é organizado e promovido para atender compromissos patrocinadores, porém longe de atender as disponibilidades populares. A crise econômica em geral atinge a economia popular com consequente inadimplência familiar.
Contribui para o menor público torcedor, o ridículo horário de alguns dos jogos, como por exemplo o recente jogo Juventude/RS x Criciúma, em Caxias do Sul, início às 21:15h, sábado com intenso frio regional. Apenas para atender patrocínio televisivo.
O valor dos ingressos para os jogos em geral, não corresponde com a inferior qualidade da acessibilidade e serviços prestados nos estádios, casas esportivas.
As formalidades impostas para quando dos times adentrarem no campo de jogo, reduziram a “zero” a emoção torcedora. Para agravar, é incompreensível a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional e do Estado, antes de qualquer jogo e/ou competição. Porque então não executar os Hinos dos Clubes/Times participantes? É racional pensar que o Hino Nacional deva ser executado nos jogos internacionais interclubes, quando dos jogos da Seleção Nacional, e talvez, talvez em jogos finais das competições nacionais.
A trajetória e história promocional e institucional de uma agremiação esportiva é contada nas cores e formato de seus trajes esportivos. O impulsivo desejo comercial das empresas fornecedoras e patrocinadoras dos uniformes trajes das entidades/times de futebol, por vezes, vulgarizam anos de tradição.
A FIFA oficializou o uso de nomes nas costas e numeração fixa – permitindo números acima de 11 – para Seleções a partir da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos. Acabou assim o uso e costume dos times e seleções com mais de 100 anos de tradição, usarem a numeração de 1 a 11 no time titular. Nada é tão ruim que não possa piorar. A quebra da regra da numeração 1 a 11, idealizada pela FIFA, foi de imediato copiado pelos clubes e seleções, pra alegria dos fabricantes de materiais esportivos e para tristeza imensa do público torcedor, simpatizante e consumidor.
Quando o torcedor pergunta pro próximo quem é o jogador com número 59 na camisa do seu time do coração, algo está muito errado no reino do futebol.
Foto – Estadio Heriberto Hulse 2022.



