Futebol, um negócio portentoso

FUTEBOL, UM NEGÓCIO PORTENTOSO
Texto – Willi Backes.
A história dos desportos reconhece que o inglês Ebenezer Cobb Morley, da Universidade de Oxford, em 1863, com a denominação de Soccer, criador das regras básicas do esporte que conhecemos como Futebol de Campo, ou Futebol de 11. O brasileiro Charles Miller estudante nas escolas inglesas, em 1894, trouxe uma bola e as regras básicas – na sua maioria perduram até hoje – para demonstração e prática popular no Brasil. A história do futebol assim como ela é hoje, teve início, mas, futuro ainda para descoberta.
Com mais ou menos intensidade, o futebol é esporte praticado em todo planeta. Estatísticas imaginam existir mais de 200 milhões de praticantes, amadores, semiamadores e profissionais. Apesar das regras iniciais serem quase que as mesmas, para os praticantes melhorou substancialmente os equipamentos ofertados como a bola dos jogos, calçados, uniformes, alimentação específica, treinamentos técnicos, medicina preventiva e curativa, arbitragens, gramados, estádios, segurança, transportes, alojamentos e promoção. Assim também, além dos praticantes, cresceu e cresce vertiginosamente os consumidores alheios à prática do desporto futebol. Formou-se assim o tal do mercado do futebol, um negócio portentoso.
FUTEBOL ASSIM COMO ERA, MÍNGUA
O futebol está nas nossas vidas queiramos muito ou apenas pouco. É popular em todas as faixas etárias, dos bebês uniformizados, infantis e juvenis, jovens e adultos praticantes semiamadores e profissionais, torcedores e simpatizantes. É também programação principal da mídia televisiva e social, ocupante exponencial na retransmissão radiofônica e impressa. É o esporte agenda e programação preferencial da Família Brasileira, gostando ou apenas acompanhando no modismo.
Na contramão, a prática do futebol amador adulto como se conhecia no passado recente, diminuiu substancialmente quanto ao número de praticantes. Nos tempos atuais, crianças praticam o futebol nos educandários, escolinhas com orientadores remunerados ou nas conhecidas equipes de base dos clubes times semiamadores e profissionais. Futebol de rua, terrão e campos pastos gramados, acabou. O dito futebol de campo devido ao grande número de praticantes necessários para promover um jogo completo, de certa forma fez crescer o número de praticantes do Futsal de quadra, com menor número de praticantes para formar um time. Foi bom enquanto durou, o futebol com paixão amadora.
FUTEBOL, INDÚSTRIA, COMÉRCIO E ATÉ LAZER
Apesar de ainda persistir a existência do dirigente abnegado e não remunerado, a organização de um time/clube de praticantes do futebol semiprofissionais e profissionais, exige investimentos de milhares, milhões e até bilhões de reais no Brasil anualmente.
Segundo órgão regulador do futebol, no Brasil existem 850 clubes/times profissionais e outros 13 mil semiprofissionais e amadores, nos quais 11 mil são jogadores federados e 88 mil são profissionais. As Federações Estaduais de Futebol filiadas à CBF em 2023 promoveram em torno de 300 competições no Brasil. Estádios de futebol no País somam-se aos milhares. A média de público nos estádios nos jogos da Série A do Campeonato Brasileiro é em torno de 30 mil torcedores e simpatizantes. Todos os dias, de segunda feira a domingo, de janeiro a dezembro, tem um ou vários jogos transmitidos pelas emissoras de TV com sinal aberto ou por assinatura, com audiências superiores à programação tradicional. Simultaneamente milhares de emissoras de radiodifusão gritam gols, impedimentos, comentam escalações, fazem pós-jogo, promovem embates na programação diária.
Hotéis, restaurantes, bares, casas noturnas, ônibus, carros, aviões, aparelhos de rádio, televisão e celular adquiridos, fabricação e venda de inúmeras peças promocionais com merchandising oficial e comercial são consumidas pela curiosidade e fanatismo torcedor.
A atividade Futebol está entre as mais bem organizadas, compreendidas e consumidas pelo público. Calcular o tamanho dos investimentos e ganhos, é um “chutômetro”.
FUTEBOL, ANTECIPANDO FUTURO
Em 6 de agosto de 2021, foi promulgada no Congresso Nacional a Lei 14.193/2021 que permite a criação e atuação de Sociedade Anônima do Futebol – SAF, formato empresarial nos Clubes de Futebol, em possível substituição das Associações Civis Sem Fins Lucrativos. Em vez de Presidente eleito pelos associados por tempo determinado, Empresa/Dono por tempo indeterminado. Convenhamos, o ato autorizado não tem nada de “sociedade anônima”, ao contrário.
Organizar e promover o futebol profissional é sim possível importante e exigente negócio econômico, cada vez menos dependente da presença física dos torcedores na praça esportiva. Independentemente da sede da indústria que produz o futebol, fundamental são os meios em que o futebol é comercializado. Bons produtos tornam-se duradouros e vigorosos no mercado consumidor.
Em Santa Catarina, o Hercílio Luz/Tubarão e o Barra/Camboriú, são modelos iniciais de atuação do modelo empresarial SAF. No Brasil, clubes com enormes dificuldades na gestão e finanças como o Botafogo e Vasco da Gama do Rio de Janeiro, Coritiba/PR, Bahia e Cruzeiro/MG, são os casos de maior retumbância. O Cruzeiro das Minas Gerais o primeiro SAF do Brasil, agora já foi passado adiante, com lucro expressivo para o primeiro adquirente Ronaldo Nazário.
O futebol hoje pode ser organizado e promovido em qualquer local, desde que tenha projeto sólido, recursos para investimentos e paciência para conquistar os objetivos. No futebol mundial inúmeros são os bons exemplos. No Brasil, sem dúvida alguma, a iniciativa da empresa Red Bull austríaca no futebol do Bragantino, em Bragança Paulista/SP, é modelo industrial para produção do futebol. A cidade Red Bull construída para produção do futebol é impressionante e vai muito além das ideias amadoras ainda vigentes no mercado competitivo. Hoje a Red Bull Bragantino nas competições em que participa está sempre na parte de cima das tabelas classificatórias. Logo estará no topo.



