Marroquinos divulgam Islã em Criciúma

Por Texto/fotos: Ariadne Niero - ariadne.niero@engeplus.com.br

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Sem data para voltar à casa, sete marroquinos estão há uma semana hospedados na Mesquita de Criciúma com a tarefa de divulgar o Islã entre os catarinenses adeptos da religião.

Vestidos com uma túnica característica do Marrocos, com um capuz e um turbante, eles passam a maior parte do tempo em oração no templo situado ao lado do Parque Centenário.

É a primeira vez que o grupo está no Brasil com a missão de visitar também residências muçulmanas. Para incentivar as famílias a freqüentar mais as mesquitas, eles já passaram por São Paulo e Florianópolis.

“Não importa a religião, por onde passamos somos recebidos de braços abertos“, disse o líder do grupo Abdel Kader Atiki, comunicando-se em árabe. "O melhor povo do mundo é o do Brasil e vamos levar esta recordação para o Marrocos. A começar pela receptividade em Criciúma", acrescentou.

Para facilitar a comunicação em solo criciumense, eles contam com o tradutor Abdo Hamad, comerciante palestino radicado em Criciúma há mais de quatro décadas.
"O sotaque é bem diferente da Palestina, mas conseguimos nos entender", contou intérprete que vai todos os dias à mesquita.

Aposentado de uma mina de extração de fosfato, o peregrino Najib Azizi também manifestou um carinho especial pela cidade. “O respeito entre as pessoas é grande”, comentou ele, que em português aprendeu a dizer “obrigado” e “paraíso” até agora. "Com as famílias muçulmanas daqui também estamos aprendendo sobre a culinária local. Gostei muito de tomates com azeite”, brincou.

ROTINA EM CRICIÚMA
Para dar conta do recado, o dia dos marroquinos em Criciúma começa cedo, ou melhor, antes do sol nascer. Às cinco horas, já estão em oração. São 15 ao longo do dia. Mesmo longe de suas origens também não dispensam o tradicional ritual marroquino na hora de comer. Servir chá e o famoso café com o pó depositado ao fundo da xícara fazem parte dos intervalos de rezas na mesquita. Tâmaras, nozes e figos completam o cardápio.

Questionados sobre os conflitos na região da Faixa de Gaza e Cisjordânia, os peregrinos foram rápidos na resposta. “Não nos metemos em assunto de política e sim divulgamos o Islã pelo mundo”, enfatizou Azizi, antes de retornar para a última reza, na noite de segunda-feira com os integrantes da missão religiosa.

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