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“Minha força vem da disciplina e da fé”: Lucão Colonetti revela a transformação que o levou ao título mundial

Mano Dal Ponte recebeu Lucão Colonetti no uMANOs Talk Show Engeplus

Por Mano Dal Ponte12 de setembro de 2026 9 min de leitura
Daniel Vieira / Triplice Filmes

A busca por um novo título mundial tem levado o atleta catarinense Lucão Colonetti a uma rotina de preparação que começa antes mesmo do amanhecer. Campeão mundial de powerlifting, seis vezes campeão catarinense e quatro vezes campeão brasileiro, ele se prepara para disputar em outubro uma nova competição internacional, desta vez na Polônia.

Com mais de 40 anos, Lucão afirma que a idade não é um impedimento para competir em alto nível, mas exige ainda mais disciplina, experiência e capacidade de controlar cada etapa da preparação. Na entrevista para Mano Dal Ponte no uMANOs Talk Show Engeplus, ele revelou detalhes da rotina, das dificuldades enfrentadas ao longo da carreira e das escolhas pessoais feitas para alcançar o alto rendimento.

O atleta também falou sobre um dos momentos mais difíceis da trajetória, quando ficou fora de um Campeonato Mundial após cometer três erros no Campeonato Brasileiro. A frustração, segundo ele, provocou questionamentos, mas acabou se transformando em combustível para voltar aos treinos e buscar uma nova oportunidade.

Agora, o desafio está marcado para a Polônia. Lucão pretende competir principalmente no supino, modalidade em que considera ter seu maior potencial e que também representa o principal obstáculo para alcançar um novo título mundial. “Eu estou indo lá para ganhar”, afirmou durante a entrevista.

Da musculação ao powerlifting

A relação de Lucão com o esporte começou aos 13 anos, quando entrou em uma academia de bairro. Na época, o treinamento era baseado principalmente em exercícios com pesos livres. Segundo ele, essa experiência foi importante para construir uma base de força antes de conhecer métodos mais específicos de treinamento.

Durante a juventude, a musculação se tornou uma paixão. Ele conta que chegou a cursar Educação Física e que, antes mesmo da faculdade, já acumulava experiência prática significativa nos treinamentos. O objetivo inicial, entretanto, estava muito mais relacionado ao desenvolvimento físico e à inspiração em grandes nomes do fisiculturismo.

A entrada no powerlifting aconteceu anos depois. Ao conhecer a modalidade e perceber que poderia transformar a força construída na musculação em desempenho competitivo, Lucão procurou um treinador para compreender a metodologia. A partir daí, passou a trabalhar com cargas, volume, períodos de hipertrofia e preparação específica para competições.

Confira a entrevista completa no Youtube:

Uma rotina que começa às 4 horas da manhã

A preparação para uma competição mundial exige uma rotina pouco convencional. Lucão revelou que, em determinados períodos, acorda às 4 horas da manhã para fazer uma refeição e iniciar o dia dentro do planejamento alimentar.

A alimentação faz parte de uma estratégia voltada para sustentar o volume de treinamento. Em uma das refeições citadas durante a entrevista, ele relata consumir dez bananas, água, proteína e aveia. Mais tarde, antes do treinamento, realiza outra refeição, incluindo ovos.

O treino começa normalmente entre 9h30 e 10h e pode se estender até o meio-dia. Antes de chegar às cargas principais, são realizadas várias séries de aquecimento. Em um levantamento terra de 325 quilos, por exemplo, o atleta explicou que começa com cargas significativamente menores e aumenta progressivamente até chegar ao peso programado.

Toneladas levantadas em uma única sessão

A dimensão do treinamento também pode ser medida pela quantidade total de peso movimentada. Lucão explica que atletas de powerlifting e strongman utilizam o conceito de tonelagem para avaliar o volume dos treinos.

Em uma sessão de levantamento terra, segundo ele, o total pode chegar a aproximadamente oito toneladas. No agachamento, o volume também pode alcançar cerca de seis toneladas. Uma série de 200 quilos por dez repetições, por exemplo, já representa duas toneladas movimentadas.

Apesar dos números impressionantes, o atleta ressalta que o objetivo não é simplesmente levantar o máximo de peso em todas as séries. Descanso, progressão, técnica e recuperação fazem parte do planejamento para que o corpo consiga suportar cargas cada vez maiores.

Disciplina acima da motivação

Para Lucão Colonetti, o principal diferencial de um atleta de alto rendimento não está apenas na força física. A disciplina é tratada como elemento central da preparação. Ele afirma que não existe espaço para a mentalidade de “só por hoje” quando o objetivo é disputar um campeonato mundial.

A rotina inclui renúncias. Durante períodos importantes da preparação, o atleta deixa de frequentar determinados ambientes, evita o consumo de álcool e reduz atividades sociais que possam interferir no treinamento, na alimentação ou no descanso.

Segundo Lucão, a decisão de competir em alto nível significa colocar o objetivo no centro da rotina. Ele reconhece que essas escolhas podem provocar afastamentos e momentos de solidão, mas considera que fazem parte do processo para quem pretende chegar ao topo.

A transformação pessoal

A trajetória esportiva foi acompanhada por uma transformação pessoal. Lucão relata que, entre aproximadamente os 21 e os 30 anos, viveu um período de excessos e se afastou da rotina de treinamento que havia construído durante a juventude.

A mudança aconteceu quando passou a se aproximar novamente da espiritualidade. Segundo ele, o relacionamento com a esposa Renata, naquela época ainda namorada, e a influência da igreja contribuíram para uma mudança profunda de comportamento e para a retomada do treinamento.

A partir desse período, Lucão afirma ter abandonado o álcool e modificado o círculo de convivência. Para ele, a mudança trouxe duas conquistas que considera superiores a qualquer bem material: paz de espírito e consciência limpa.

A derrota que virou combustível

Um dos episódios mais marcantes da carreira ocorreu em 2024, quando Lucão ficou fora de um Campeonato Mundial após errar as três tentativas no Campeonato Brasileiro. O resultado foi especialmente difícil porque vinha de uma preparação intensa e tinha grandes expectativas para a competição.

O atleta conta que ficou emocionalmente abalado e chegou a chorar sozinho após o resultado. A frustração, entretanto, não provocou abandono do esporte. Ao contrário, ele decidiu voltar para a academia e continuar trabalhando.

A retomada trouxe novos resultados. Lucão venceu competições estaduais, conquistou o Campeonato Brasileiro e garantiu novamente a classificação para disputar um Mundial. A experiência passou a fazer parte da filosofia que ele transmite aos alunos: quando algo dá errado, é preciso identificar o que está sob seu controle e continuar avançando.

O desafio de competir depois dos 40

Lucão também rejeita a ideia de que a idade determina o fim da performance esportiva. Para ele, atletas mais velhos precisam compensar a passagem do tempo com experiência, disciplina e maior controle sobre treinamento e recuperação.

Na avaliação do atleta, depois dos 40 anos não existe mais espaço para tantos erros. O corpo precisa de mais atenção e o planejamento passa a ser ainda mais importante.

A experiência acumulada, porém, pode representar uma vantagem sobre competidores mais jovens. Lucão afirma que já enfrentou atletas mais novos e conseguiu resultados superiores justamente por conhecer melhor o próprio corpo e compreender o processo competitivo.

Força sem inteligência pode terminar em lesão

Apesar das cargas extremas, Lucão afirma que o powerlifting exige inteligência e autoconhecimento. Para ele, não basta querer aumentar o peso a cada treino. É necessário saber quando avançar e quando reduzir a intensidade.

Na preparação competitiva, os exercícios acessórios vão sendo retirados à medida que a carga dos movimentos principais aumenta. O objetivo é preservar a recuperação e concentrar energia nos três movimentos fundamentais da modalidade: agachamento, supino e levantamento terra.

Lucão afirma que está há quatro anos sem sofrer uma lesão, mesmo trabalhando com cargas elevadas. Ele atribui parte desse resultado ao controle do volume e à capacidade de perceber quando o corpo precisa de recuperação.

De atleta a treinador

A carreira competitiva também deu origem a uma nova frente profissional. Lucão passou a trabalhar como treinador e consultor de atletas de powerlifting. A consultoria, segundo ele, já reúne quase 50 atletas, com mais de dez deles envolvidos em competições.

O crescimento da equipe fez com que o atleta precisasse delegar algumas funções. Integrantes mais experientes passaram a auxiliar os atletas mais novos, permitindo que Lucão mantenha maior concentração na própria preparação.

A estrutura funciona, segundo ele, como uma família esportiva. Os atletas mais experientes ajudam os iniciantes e assumem responsabilidades dentro da equipe. A estratégia também permite que o treinador continue competindo em alto nível sem abandonar o trabalho com os alunos.

O supino é o grande desafio

Embora tenha marcas expressivas no levantamento terra, é no supino que Lucão concentra uma das maiores ambições da carreira. O atleta possui marca de 312,5 quilos no levantamento terra e já alcançou 232,5 quilos no supino.

Ele explica que já foi três vezes vice-campeão mundial no supino e considera essa modalidade seu principal desafio. Atualmente, ocupa uma posição de destaque entre os atletas brasileiros da categoria.

Para a competição na Polônia, Lucão acredita que pode chegar próximo dos 240 quilos no supino em um dia de alto desempenho. O objetivo é superar o adversário que atualmente está à frente e buscar novamente o título mundial.

Polônia: foco total no título mundial

O Campeonato Mundial na Polônia será disputado em outubro. Lucão competirá nos dias 23 e 24, com levantamento terra e supino, respectivamente.

A preparação para a competição já alterou completamente sua rotina. O atleta afirma que, no último mês antes do campeonato, os exercícios acessórios são reduzidos ou eliminados para concentrar energia nos movimentos competitivos.

A preparação também exige participação da família. Lucão reconhece que o período final é particularmente difícil para a esposa, que assume responsabilidades para permitir que ele mantenha a concentração. Segundo ele, nesse momento a prioridade é chegar à competição com a mente totalmente focada.

“Estou indo para ganhar”

Mesmo reconhecendo a força dos adversários, Lucão afirma que não pretende viajar para a Polônia apenas para participar. A meta declarada é conquistar o título.

Para o atleta, o caminho passa por não transformar as dificuldades em desculpas. Estrutura de treinamento, genética, adversários e condições externas podem influenciar uma competição, mas a estratégia é concentrar esforços naquilo que está sob seu controle.

A filosofia resume a fase atual da carreira: trabalhar mais, errar menos e continuar buscando evolução. Aos mais de 40 anos, Lucão Colonetti se prepara para mais uma tentativa de chegar ao topo do powerlifting mundial.

Mano Dal Ponte apresenta na Engeplus o uMANOs Talk Show

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