Poesia feita para homenagear centenário de Criciúma vira música e impulsiona artista a continuar criando
Tiago Esteban equilibra carreira de dentista com a escrita e amor pelo rap

A poesia “Criciúma 100 Anos” não era para ser uma música, ela foi feita para homenagear o Centenário de Emancipação politico-administrativa de Criciúma. Mas acabou se tornando uma canção e um videoclipe que mostra o dia a dia e as principais atrações da capital do carvão. O texto e melodia é de autoria de Tiago Geremias Esteban, de 39 anos, dentista, escritor e apaixonado por rap. O artista faz parte da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina em Criciúma, desde 2022, local onde seus versos estão sendo transformados em canções.
“Tento trazer a força do povo criciumense, no sentido empreendedor, que faz uma cidade pequena, aqui do Sul do mundo, virar uma referência. Em vários cenários, até mesmo exposição no futebol ou econômica. Então é um povo que não foge à luta, de uma etnia muito ampla. Quis mostra a nossa origem e a luta também com o carvão”, detalhou Esteban.
No decorrer de sua canção, o artista aborda diversos fatos importantes sobre Criciúma, além do carvão, o X-Salada, tão famosos na região, o Criciúma Esporte Clube e até o assalto ao Banco do Brasil. “Passamos por algumas turbulências. Mesmo assim nunca perdemos a nossa postura e a nossa fé. Uma cidade prosperando. Então acho que é nesse sentido que exalto a música. É para a cidade e para o povo criciumense”, frisou.
Além desta música, Esteban, tem outras 10 poesias, que vão virar música e também livros publicados e que estão prontos para serem lançados. “Quando escrevo, sempre carrego uma mensagem. Mas para frente, com coisas legais e mais positivo”, contou.
Confira a música e o clipe da canção “Criciúma 100 Anos”:
Mescla da poesia e do rap
O artista destacou que desde pequeno já se identificava com o estilo do Rap, por ser um tipo de poesia “musicada” e costumava cantar com os amigos mais próximos. Mesmo não fazendo tantas apresentações no dia a dia, Esteban se viu em alguns palcos. “Já cantei duas vezes com o Gabriel Pensador, com o 3030 e também com o pessoal do Poesia acústica”, compartilhou.
“Como tenho umas cartas na manga, que são algumas poesias prontas. Quando eles me chamam lá, pensam que fiz na hora. Coloco uma ou outra palavra no momento. Mas já tem umas coisas prontas. Onde fica uma rima inteligente”, destalhou.
O rap vai além da poesia, que é feita por meio da escrita. Nesse estilo musical, é preciso ter uma integração, entre as letras que conversam com o público e o ritmo. “Sempre tive um pouco desse flow que a gente diz. Que é saber rimar no ritmo e encaixar as músicas e letras. Daí vai um pouco além da poesia, que a gente escreve. Mas é preciso também saber essa integração, entre os tipos de rima, para poder evoluir nesse cenário. Porém, tudo começa com papel e uma caneta e uma ideia”, destacou.

Como a academia surgiu na sua vida
Muitas pessoas não sabem, mas Criciúma tem um polo da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina. Esse é um dos locais no qual Esteban desenvolve os seus trabalhos. “Na academia a gente se reúne a cada 15 dias, mais ou menos. E às vezes tem uns desafios e também fazemos ações coisas sociais em escolas. Buscando incentivar e leitura e a escrita para essas crianças”, descreveu.
O escritor contou que a instituição já existia em sua vida mesmo antes de nascer, sendo que o seu tio-avô, Gregorio Geremias, fazia parte da seccional em Florianópolis. “A minha história veio do meu tio-avô, que frequentava a academia na capital catarinense. Ele fazia lá e eu ia à casa dele, onde tinha uma biblioteca na sala, com várias poesias espalhadas. Isso foi algo bem inspirador para mim na minha adolescência. Comecei a escrever um livro já com 20 anos”, expressou.
Apesar de amar a poesia, ele acabou cursando a faculdade de odontologia, mas nunca abandonou seu lado escritor. “Comecei a pesquisar uns temas místicos e umas histórias não muito ditas da humanidade. Quando chegou a pandemia, eu estava começando a escrever um livro e com o tempo que tivemos consegui finalizar e lancei em 2021. Fiz o lançamento, e foram mais de 300 convidados. No dia vendi mais de 300 livros. Então repercutiu bastante. Na internet fiz uma tiragem também de mais ou menos uns 2 mil livros”, refletiu.
Na época, sua namorada engravidou e ele ficou um pouco em dúvida de qual próximo passo seguir, acabando escolhendo voltar para o consultório. “Tive que deixar um pouquinho as coisas dos livros de lado. Mas, como o livro que lancei fazia parte de uma trilogia, que é uma série de três obras. Agora terminei o segundo e vai sair no começo do ano. Por conta daquele primeiro livro, o pessoal da academia me convidou para entrar”, partilhou.

Dos consultórios aos palcos de rap
Em meio a uma rotina corrida divida entre as consultas e a escrita, o artista consegue colocar um certo equilíbrios entre os três mundos. “Sempre fui uma pessoa que muito ativa. Em questão de eventos musicais, quando estava na faculdade, já promovia eventos. Isso me ajudou bastante. Em alguns momentos, quando estou livre, em vez de viajar ou ver notícia, por exemplo, foco no que tenho que fazer. Estou sempre criando algo, meu foco criativo é muito grande”, ressaltou.
Esteban compartilhou que a música e a poesia tem um espaço grande e importante em sua vida. “Acho que representam um elo muito forte com a mensagem que estou querendo propagar. Por meio da música consigo atingir muito mais pessoas”, completou.
As canções têm o poder de chegar a um número maior de pessoas, já que não são todos que tem o hábito da leitura. “É uma grande ferramenta de expressão que utilizo como uma válvula. Porque escrevo livros, mas poucos leem hoje em dia. Diferente da música, que todo mundo pode ouvir. Então através da música consigo expressar mais essas mensagens que quero passar”, finalizou.
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