Política não é tudo, é o meio
Por Willi Backes
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Há cada dois anos, nos reencontramos esperançosos defronte as urnas eletrônicas inimputáveis, depositando confiança ora para os executivos e legislativos nacional e estadual, ou, como agora, para os executivos e legislativos municipais. Duas eleições há cada quatro anos é esbanjamento mental e financeiro, irracional para um Brasil em tentativa de construção. Atende apenas ao interesse daqueles que pretendem se perpetuar em um cargo com representação pública, ora aqui, ora acolá, mas, sempre disponível para prova eleitoral, restringindo novas opções eleitorais. É a conhecida herança eleitoral continuada.
Assim, o Brasil – estados e municípios – recomeçam relações institucionais na sua imensa maioria há cada dois anos. Os votantes são apenas instrumentos, restando a estes, os embates e brigas ideológicas.
SOBRAM ACUSAÇÕES, FALTAM IDEIAS E CONCEITOS
Desde os primórdios a Vila São José de Cresciuma/Cresciuma, depois e hoje Criciúma, sempre foi e é o polo emissor e recebedor das energias e ações que fazem crescer e desenvolver a economia e cultura local e regional. Criciúma polo regional dos 12 municípios da AMREC, população estimada superior a 500 mil residentes, irradia e absorve também influências dos municípios que formam as microrregiões da AMESC e AMUREL, totalizando estimativa de 1,1 milhão de residentes.
Em tempos de eleições municipais, é imprudente se abster de discutir e propor soluções que interliguem necessidades comuns para as comunidades circunvizinhas na AMREC, os quais, seis municípios tem limites geográficos comuns à Criciúma e apenas cinco municípios com sedes próximas não mais do que a 20/30 kms.
O planejamento e realização de projetos do plano diretor de Criciúma, obrigatoriamente deve respeitar as próprias projeções e dos demais municípios circunvizinhos. Assim é na infraestrutura das vias, rodovias e ferrovias, abastecimento dos serviços de energia elétrica e água potável. Assim é nos serviços médicos clínicos e hospitalares. É também nos setores educacionais em todos os níveis. Nada diferente ocorre na prestação de serviços e abastecimento comercial. No uso e usufruto dos equipamentos turísticos, atrações gastronômicas e religiosas, hospedagens e atrações do meio ambiente sob gestão.
Não há como dividir responsabilidades territoriais quando o tema é segurança pública. Armazenamento, tratamento e aproveitamento dos resíduos sólidos exigem visão e cuidados comuns. É impossível tratar do trânsito e transporte urbano sem ter visão ampliada, interno, receptivo e despachante.
Nada é tão simbólico e representativo na representação regional do que o Criciúma Esporte Clube. A denominação é local, mas, a torcida e simpatizantes é absolutamente macrorregional.
Inúmeros temas coletivos que sugerem e até impõem que as entidades e seus representantes/candidatos, tirem o olhar do próprio umbigo, levantem o queixo e enxerguem os horizontes.
BAIRRISMO POLÍTICO SE FAZ PRESENTE
Há décadas entidades regionais empresariais, sob a batuta da Associação Empresarial de Criciúma ACIC, anima campanhas promocionais que visam orientar o eleitor sulino para que prestigie com seu voto candidatos identificados com a região. O retorno em número dos prestigiados tem sido alvissareiro. No período tivemos e temos, suplentes para o Senado Federal, Vice Governador/Governador, inúmeros Deputados Federais e Estaduais. Nas eleições de 2022, foram eleitos com base eleitoral no sul catarinense, de 16 vagas, 4 Deputados Federais e de 40 vagas, 8 Deputados Estaduais.
A obviedade sugere que se campanhas foram realizadas, votos de confiança foram depositados, assim, que os mandatos respaldados e delegados sejam integralmente cumpridos.
Em pequeno, médio ou grande município – físico, populacional e/ou econômico - não há administração pública que faça gestão minimamente aceitável se a comunidade e o Prefeito não tenham apoio, auxílio ou ajuda, independentemente do verbo utilizado, de representante político auxiliando nos encaminhamentos de projetos junto às instancias executivas superiores.
E mais e afinal, qual é a principal justificativa para as existências das emendas parlamentares, impositivas e de bancada, se não para atender a “ponta política” que são as comunidades, os municípios?
UMA COISA É UMA COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA
As escolhas para preferencia futebolística, ocorrem majoritariamente na infância, devido a fatores como: influência do Pai torcedor, do meio ambiente futebolístico próximo, momento vencedor do time/clube consequentemente simpatizado, de um praticante eleito ídolo, assim por diante. No futebol o amor e paixão depois de enraizadas, são incondicionais. O choro e a alegria, são irmãos de sangue.
Na política, as escolhas são também influenciadas pela agremiação que o postulante faz parte e seu histórico. Mas, não só. A pulverização das marcas partidárias e os saltos ideológicos dos postulantes filiados, fazem questionar e desconfiar de um e do outro, até dos dois. É plausível que o candidato político mude suas convicções ideológicas. A conveniência faz parte da política. Cabe ao cidadão eleitor ter e confiar nas suas próprias convicções, se as tiver. Se tiver, as escolhas serão balizadas pelas questões morais comportamentais, do votante e do votado.



