Rap criciumense em busca de reconhecimento: Cal Will lança novo álbum com dez faixas
Cantor traz nas letras das músicas histórias de sua vida


O rap criciumense está crescendo dia após dia e a prova disso é o novo álbum Traços e Riscos com dez músicas do cantor Cal Will. O músico atua há 11 anos no cenário do rap e está divulgando seu trabalho.
Will iniciou sua carreira com o grupo O Clã e após dois anos se mudou para São Paulo onde viveu por três anos. Após o período, voltou para Criciúma e ficou assustado com a realidade da cultura criciumense. “Nesse período na cidade paulista gravei meu primeiro álbum solo que é o AVS que significa A Vida Secreta das Palavras. Após três anos, voltei para Criciúma para trabalhar na região e vi a diferença de como funcionava a cultura em São Paulo e aqui”, lembra.

O cantor revela que se assustou com a cultura e iniciou trabalhos na região. “Pela cultura estar parada em Criciúma, comecei a me envolver com os conselhos e hoje ocupo a cadeira da Cultura Digital e ocupo a cadeira do Conselho da Juventude. Montamos um instituto de hip-hop criciumense que sou vice-presidente”, conta.
Uma das músicas do álbum foi feita com Samuel Alexandre, o Muca. O nome da canção é Shangri-Lá. “As músicas estão vindo com cunho social e por ter a demanda de cultura na cidade. O álbum é 40% desta temática. Depois equilibrando para outras visões”, revela Will.

“Deixei fluir naturalmente as músicas. Quando voltei para Criciúma me assustei com o Centro Cultural Jorge Zanatta, porque esse local me tirou das ruas. Por muitas vezes fiquei nas ruas sem saber o que fazer e o Carlos Alberto Ferreira que faleceu há pouco tempo me ajudou e me levou para o Centro. Ele me colocou para tocar, para conhecer projetos. Criei um vínculo com a casa”, ressalta.
Will revela que após notar que o Centro Cultural estava abandonado resolveu gravar um clipe no local. “Quando eu vi o Centro todo destruído resolvi gravar um vídeo e pegar os funcionários antigos para tentar mostrar a sociedade a situação do local. O cantor Viana do grupo Família ZL também de Criciúma deu a ideia de criarmos uma música sobre a situação e criamos a composição ‘Culturalize’. Na música, contamos a história do Centro e reivindicamos algumas coisas. O Centro hoje está reformado e nós ficamos felizes”, afirma.
“Música virou um comércio e faz um tempo”
Atualmente, o sertanejo e o funk estão mais em alta em Criciúma e região. Mas, Will afirma que isso não é desanimador. “Nas festas as pessoas estão procurando uma fuga dos problemas e muitas vezes o sertanejo e o funk trazem isso. Já o hip-hop traz uma mensagem. A música virou um comércio e faz um tempo”, declara.
“Tentamos mudar o futuro. Buscamos trazer mensagens verdadeiras e essas mensagens são ouvidas pelos jovens de 14 e 15 anos. Já as pessoas mais velhas não escutam o rap. Essa classe está crescendo. A juventude que temos que mudar”, observa Muca.

O compositor Muca também lembra que atualmente o funk está trazendo mais mensagens e não tanto ostentação. “O conteúdo será cada vez mais importante nas músicas. Costumamos escrever o que vivemos. Vivemos a rua, o skate, a música. Passamos isso nas letras”, ressalta.
São dez faixas no álbum
As dez músicas do álbum já estão em plataformas digitais. “Já lancei três clipes deste álbum. Acredito que todas as músicas terão clipes, pois edito os vídeos e fica mais fácil. As letras são composições próprias”, acrescenta Will.
Will está buscando fechar parceria com as casas noturnas para shows. “Estou pensando em fazer shows acústicos também. Já temos duas datas previstas e isso nos ajudará muito”, explica.
O álbum está sendo criado há quatro anos. “Tive alguns problemas pessoais. Tive uma paralisia facial e aí comecei a criar o álbum. O nome do álbum é Traços e Riscos justamente por isso. Traços porque perdi dois na testa, por exemplo. Já os riscos significa o que é viver nesta profissão”, declara Will.
Preconceito com o rap
De acordo com Will, existe preconceito das pessoas mais velhas com o rap. Já os mais novos estão acostumados a viver com o hip-hop. “Somos referências para os mais novos. Mas é claro que algumas pessoas mais velhas já não compreendem tanto”, revela.
A partir do momento que você diz que vive de música e que é rap, as pessoas te olham de outra maneira
Samuel Alexandre
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Ainda segundo a dupla, eles são referências na região por estarem buscando algo diferente. “Estamos tentando fazer acontecer não só o rap, mas também com a cultura, com o skate, enfim. Estamos buscando movimentar a cultura da cidade”, explica Muca.
Conheça as 10 músicas do álbum
1 - Em cheque: “Ela é uma música de pouco mais de dois minutos. Falo do futebol, do problema com remédios, do problema com drogas e bebidas. Ela é um resumo. Uma apresentação”, explica Will.
2 - Paradigma: “Fala de quando apostei no rap”, conta Will.
3- Traços e Riscos: “Leva o nome do álbum. Ela fala da minha volta a música após a paralisia”, declara Will. Confira o clipe:
4- Programados: “É uma crítica ao sistema”, afirma Will.
5- Sociedade Prostituída: “Sentido pessoa. Se doar e não receber o valor de volta. Não ter mais olho no olho. As mortes não assustarem mais tanto”, ressalta Will.
6- Déficit: “Fui diagnosticado com isso quando era menor. Foi uma fase que vivenciei”, lembra Will.
7: Shangri-Lá: “Essa música fala de uma mulher que está cansada do trabalho. Ligamos a música ao verão e ao mar”, relata Will. Confira o clipe:
8: Partiu: “Uma canção de rolê e de aproveitar a noite”, observa Will.
9: Meia-noite Jazz: “É uma música romântica”, acrescenta Will.
10: Ligação Perdida: “A letra fala de um desentendimento quando você está em um relacionamento e precisa fazer shows em outras cidades. Sobre a confiança em um relacionamento”, comenta Will.



































