Reflexão: Espaços Multiuso na Quarentena
Adequando espaços e objetos
Por João Rieth
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Certamente após a pandemia, nossa forma de ver o mundo passará por mudanças. A reclusão imposta pelo vírus está provocando reflexões em nosso modo de viver e também nos espaços em que vivemos e nos objetos que utilizamos. Será que podemos adaptá-los tão rapidamente enquanto for necessário ? Muitos arquitetos e designers já incorporaram o conceito de pensar em espaços multifuncionais, sem perda da qualidade e habitabilidade, uma vez que o preço por metro quadrado tem subido exponencialmente nos grandes centros. Mas os usuários estão preparados?
Pesquisando rapidamente na internet, percebi que este tema passou a ser frequente há somente dez anos, ou seja, uma mudança muito recente. Falar em home office, ou escritório doméstico, surgiu como uma opção viável para a geração “milenial” a qual passou a empreender, reduzir custos de aluguel e otimizar os espaços que permaneciam ociosos durante a maior parte do dia. Em época de quarentena, se tornou a única alternativa para que as pessoas continuassem a trabalhar, sem prejuízos à saúde e para viabilizar a comunicação, se preservando da aproximação física imprópria e temporária. Mas também precisamos nos movimentar e tomar sol sem sair para a rua. Nossas casas e apartamentos nos permitem? Será que conseguimos reservar um espaço mínimo de 2x3m para praticar exercícios físicos monitorados à distância?
A tecnologia digital permite a interação remota com o mundo mas nosso “hardware” não consegue se flexibilizar tanto para permitir que nos exercitamos com tanta facilidade. Estamos fadados a permanecer eternamente sentados e sem possibilidades de nos movimentar nos espaços internos? Caminhamos no sentido oposto aos parâmetros mínimos de habitabilidade, desafiando inclusive nossa saúde mental. O espaço previsto para um dormitório de casal, há alguns anos, ocupa atualmente a mesma área física de habitações denominadas estúdios, em cidades como São Paulo, Milão ou Tóquio.
Talvez a melhor alternativa, daqui para a frente, seja repensar completamente os poucos metros de uso privativo que nos restaram. Esperamos que situações como esta não se repitam, mas dizer que será impossível é arriscado. Sendo assim, admitir que situações improváveis, como esta, farão parte de nosso dia a dia no futuro próximo e isto implicará em rever nossos projetos de espaços internos. Como será a nova moradia, onde num mesmo espaço será possível trabalhar, estudar,praticar exercícios físicos, realizar uma vídeo conferência, cozinhar, dormir, conviver com nossos filhos e animais de estimação e cultivar nossas plantas? E não podemos esquecer que precisamos incluir uma área de higienização do vestuário, máscaras e calçados. Um bom exercício!



