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Transposição das águas do Rio São Bento

Por Willi Backes10 de fevereiro de 2022 3 min de leitura

Os fundadores e colonizadores de Forquilhinha em 1912 no sul catarinense e os demais que se seguiram, adquiriram terras planas e férteis, com miúdas florestas tropicais e bacia hidrográfica composta por inúmeros riachos e rios caudalosos, como os Rios São Bento e Mãe Luzia. Eram rios importantes no abastecimento hídrico e também na criação de peixes ditos da água doce e marítimos. O Rio Mãe Luzia, após receber as águas do Rio São Bento e com desague no Rio Araranguá, permitia que peixes como o robalo, tainha e outros, em cardumes, subissem as correntes do rio até ultrapassar a comunidade central da vila de Forquilhinha.

Entretanto, as propriedades agrícolas e moradias ao sul do Rio São Bento do município de Nova Veneza e do lado direito do Rio Mãe Luzia, observaram já nas primeiras décadas da colonização, dificuldades para abastecimento regular de água potável para consumo das famílias, animais e irrigação das lavouras.

Em 1946, em torno de 60 moradores proprietários de terras do lado direito do Rio Mãe Luzia, sob a liderança de Aloísio Back, topógrafo prático, criador do projeto de planimetria, iniciaram a construção de um “rio paralelo” ao Rio Mãe Luzia, para transposição das águas do Rio São Bento por canal central com 9 km de extensão até desague no Rio Araranguá. Considerando os valos construídos para atender individualmente e coletivamente as propriedades, foram edificados canais e valos com mais de 60 km de extensão.

COM MAIS DE 75 ANOS E QUE FUNCIONA MUITO BEM

Para ordenamento jurídico junto aos órgãos de fiscalização do Estado de Santa Catarina, foi criado a empresa “Granja Santa Terezinha Ltda”. As escavações iniciais desmoronaram devido a consistência das terras existentes, o que impôs a construção do canal principal todo ele revestido por tijolos em arco, permitindo a reposição das terras por sobre a construção e aproveitamento das áreas para o plantio.

No leito do Rio São Bento foi construído uma represa, captação de água para o canal com 30 metros de largura e 5 metros de profundidade.

A fabulosa obra construtiva resolveu o problema do abastecimento, e mais, anteviu a desgraça com o meio ambiente ocorrida duas décadas após quando as águas do Rio Mãe Luzia foram poluídas desgraçadamente devido a mineração de carvão ocorrida na vertente e curso inicial do rio.

A obra da construção do canal de irrigação e abastecimento para consumo humano, agricultura e pecuária em Forquilhinha, foi pra época e válida para todos os tempos, uma verdadeira epopeia quanto ao esforço e resultado construtivo, e que funciona regularmente até os tempos atuais

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