Turismo: como entender, planejar e fazer
TURISMO: COMO ENTENDER, PLANEJAR E FAZER
Texto – Willi Backes.
Em meio aos jogos da Copa do Mundo de Futebol, surgiu o comentário crítico de que as Seleções da Bélgica e da Alemanha, eliminadas na primeira fase, viajaram para o evento em Qatar apenas para fazer turismo. Realmente o turismo Belga e Alemão aconteceu – voluntário ou não - o que faltou foi a disposição e técnica para a prática do futebol.
Resumidamente entende-se que “o Turismo consiste nas viagens e deslocamentos que as pessoas – indivíduos, grupos e/ou delegações – realizam em seus locais de destino”. Pouco importa a distância do destino.
O ato do deslocamento enseja incitar toda a cadeia produtiva relacionada aos meios do deslocamento, hospedagem, alimentação, consumo comercial, lazer e relacionamentos culturais.
Se o desempenho profissional dos Belgas e Alemães foi decepcionante, os investimentos financeiros para suas inserções foram significativos para os cofres das entidades organizadoras, empresas prestadoras de serviços e demais equipamentos turísticos do Qatar.
ENTIDADES: TURISMO DE CIMA PRA BAIXO
O negócio turismo no Brasil tem inúmeros “chapéus organizacionais”. Em nível Federal, o Ministério do Turismo e a Embratur são os exponenciais. No Estado de Santa Catarina, a SANTUR. Nas regiões as Instâncias de Governanças e os Núcleos para o Turismo nas Microrregiões. Tem ainda as Secretarias de Turismo, presentes majoritariamente nos Municípios. E mais, são inúmeras as Organizações Privadas e/ou Públicas & Privadas com pautas para falar, organizar e promover o turismo local, regional, estadual, nacional e internacional.
A pauta para a organização e promoção do turismo é sem dúvida uma das mais rotineiras e cotidianas dentre todas as atividades e iniciativas, se considerarmos projetos, ideias e ideais para o desenvolvimento e crescimento cultural e econômico local, regional e nacional, mas, que se repete insistentemente.
TURISMO COM OLHAR PARA O PRÓPRIO UMBIGO
Em se tratando do sul catarinense, são inúmeras e históricas as iniciativas que visaram e visam ordenar e promover o turismo. Nos anos 1985/86, foi fundada a SULCATUR com atuação em toda região da AMESC, AMREC e AMUREL. Muitos são os municípios dessas regiões que há mais de 40 anos constituíram e reconstruíram suas Secretarias de Turismo. Por vezes, ao sabor e vontade do titular transitório ocupante do paço municipal.
Criciúma por muito tempo manteve a iniciativa privada ProCritur, dotada de boas vontades. Em 2005, a cidade e região fundaram o EMTURSUL Convention & Visitors Bureau de Criciúma e Região, hoje em pleno e regular funcionamento. O município de Nova Veneza construiu e consolidou uma associação veneziana público & privada, com atuação exemplar para todo Estado de Santa Catarina. O sucesso não é um acaso. Forquilhinha há pouco convidou para consulta regular lideranças para conhecer, opinar e sugerir ações para o fortalecimento cultural e turístico.
O Balneário Rincão desde o primeiro ano do mandato do Prefeito Jairo Custódio, em 2016, formatou o Conselho Municipal de Turismo.
Por ora, a Instância de Governança Encantos do Sul com regulamentada atuação na AMUREL e AMREC, está desorientada e acéfala. O município de Criciúma mantém ativa há décadas a sua Fundação Cultural também com a responsabilidade de ordenar e promover o Turismo.
Abundam em praticamente todas comunidades os Conselhos Municipais de Cultura e Turismo, o que na realidade é formalidade para atender em ultima instância a obrigatoriedade determinada pelo Governo Federal quando do encaminhamento de projetos para captação de recursos e que exigem que sejam referendados.
QUEM SOMOS? O QUE OFERECEMOS?
Em resumo, não há setor econômico e cultural mais falado e comentado, mas desconectado de dados estatísticos, funcionalidade e potencialidades, do que o Turismo. Partindo da premissa da própria definição – turismo é aquilo que se faz no local do destino – não há como pensar no setor como se cada município e/ou região, é uma ilha isolada candidata à prosperidade.
O sul catarinense tem atividades, equipamentos, produtos, empreendedores, recursos naturais, calendário e potencialidades, sobejamente com sobras para ordenar e planejar “turismo nas 4 estações”. O sul tem praias extensas e urbanizadas, tem serra, montanhas, lagos, lagoas, águas termais, rios e cachoeiras, tem bosques, matas e meio ambiente conservados. O sul tem oferta gastronômica diversificada, tem eventos institucionais, comerciais e empresariais, tem ampla infraestrutura para acesso e deslocamento, tem rede de hospedagem com hotéis com qualidade e abundância, tem sistema de abastecimento com importantes redes de mercados e supermercados, tem qualidade e atendimento clínico e hospitalar próximas e regionais, tem comércio abundante e atuante, tem oferta e garantia de fornecimento de meios de comunicação.
POTENCIALIDADES INFINDAS
Em 1983, em Gasparinho, comunidade interiorana do município de Gaspar, o senhor Arthur Graciola e esposa resolveram usar parte da área onde tinham uma plantação de arroz para criar um pequeno lago, construir uma pequena cobertura para receber familiares num pesque-pague. A evolução da nova atividade foi tamanha que já em 1994 foi construído um residencial com 48 apartamentos. Hoje, após inúmeros e expressivos investimentos bem sucedidos, o Fazzenda Park Hotel, de Gaspar, aquilo que iniciou no meio do nada, é o maior e mais completo hotel fazenda do Brasil.
No sul catarinense, são imensas as provocações naturais existentes na geografia regional. Certamente um “briefing” completo dos empreendimentos existentes e infraestrutura ofertada, dará direcionamento e sugestão para investimentos possíveis a serem prospectados.
O sul precisa saber o que tem para valorar as atividades do setor, para perceber o que falta e precisa agregar, para planejar e prospectar investimentos através empreendedorismo e apoio das entidades públicas e privadas.



