CRICIÚMA
VÍDEO: A indústria do amor
Na contramão dos demais segmentos da economia, a cena erótica e sensual está em plena expansão; uma realidade presente também no Sul do Estado
Por Redação Engeplus
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A crise econômica e política afetou diversos segmentos da indústria e do setor de serviços nos últimos dois anos. No entanto, esta queda parece não ser sentida em todos os âmbitos do mercado erótico e sensual. Para este ano, estima-se um crescimento de 3,5% em comparação com o ano de 2016, que registrou um aumento de 2,8% e um faturamento de R$ 1 bilhão em comparação com 2015.
Estes são dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), que contabiliza mais de 100 mil empregos diretos e indiretos no setor que possui um mercado exponencial a ser explorado, já que 83% dos brasileiros nunca experimentaram nenhum produto erótico. Demonizado durante muito tempo por uma sociedade ainda conservadora, o sexo vem ganhado abertura nas rodas de conversas, nas escolas e nas mídias de forma mais frequente.
O acesso à internet e às informações, bem como as representações cinematográficas, deixaram o assunto mais plural nos últimos anos. O crescimento deste mercado também é percebido na Região Carbonífera, que compreende 11 cidades. São mais de 20 motéis instalados na região, um número bastante significativo para uma população de 430.202 habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017. O número se torna ainda mais expressivo quando comparado com Florianópolis. Exceto a ala continental, a capital do Estado, no município mais visitado e movimentado de Santa Catarina, são contabilizados seis motéis.

“Ainda não há uma associação que abranja os representantes de motéis do Sul do Estado, mas existe um movimento de organização deste setor na região. Por isso, por estes contatos já estabelecidos é possível afirmar a existência de mais de 20 estabelecimentos em nosso perímetro”, calcula o gerente do Motel Passione, Alexandro Martins. Este movimento de união é construído para que todos atuem coletivamente em prol da segurança, além da realização de treinamentos para os profissionais executarem um serviço de excelência.
Atualmente, existe apenas uma entidade representante de motéis no Brasil. A Associação Brasileira de Motéis (Abmotéis) foi fundada em setembro de 2012 com intuito de coordenar, orientar e defender os interesses dos seus associados, representados pelas empresas do ramo moteleiro em todas as regiões do Brasil. Atualmente, a sua diretoria é composta por representantes de 16 estados, mais Distrito Federal, tendo em no seu quadro de associados cadastrados mais de mil estabelecimentos em todo país. Seu intuito é profissionalizar e desenvolver o segmento moteleiro, estimulando o empresário do ramo a investir e expandir suas empresas e gerar mais empregos.
No último ano, outros dois motéis abriram as portas na região, mas mesmo com estes investimentos, o setor sofreu uma queda por conta da crise financeira instaurada no Brasil. “Posso dizer que nos últimos dois anos houve uma redução de 20% a 30% na ocupação. Todos atribuem esta queda à crise e até mesmo os proprietários de boates, que acabam sendo o nosso termômetro, registram esta queda”, comenta Martins.
Um destes estabelecimentos abertos recentemente foi o Motel Bliss. Disponível ao público há seis meses, o empreendimento levou cinco anos para ser concluído. “Fomos construindo a estrutura de forma gradativa e acompanhando o movimento econômico e do mercado. Não é uma engenharia simples de ser montada, somente agora estamos colhendo os frutos”, frisa o sócio do motel, Clodoaldo Garcia.
O empresário atua no ramo hoteleiro há sete anos com a locação de quartos em um hotel da cidade. Ao ingressar neste mercado, a ideia desde o início era trabalhar na construção de um motel. “Este já era o pensamento quando entramos neste ramo, mas naquela época havia uma movimentação maior no ramo hoteleiro. De dois anos para cá podemos dizer que houve uma queda de 20% a 40% na procura, uma baixa que também atinge os motéis”, destaca.
Na avaliação de Martins, a região é muito próspera e tem muito a crescer, principalmente na área do turismo, que se tivesse um investimento maior deslancharia toda a rede hoteleira e de motéis. “Ainda é um mercado lucrativo, não há como negar. Digo que não seria um bom investimento no momento, mas os que estão no mercado estão lucrando. Acredito que seria a hora de apostar em novos segmentos, como o exclusivo para o público LGBT que não existe por aqui”, salienta.
Mesmo com esta redução na ocupação, o sócio do Motel Bliss garante que o movimento no negócio está crescendo gradativamente. “Como não trabalhamos com uma forte divulgação de inauguração, estamos começando de forma tímida, mas posso dizer que estamos entre os melhores da cidade em termos de estrutura”, frisa Garcia. O empreendimento conta com dois mil metros quadrados e iniciou com 12 funcionários atuando 24 horas por dia.

Visionária, família atua no mercado há 12 anos
A ideia de montar um sex shop - loja especializada em produtos eróticos - iniciou em 2005 quando a mãe de Beatriz Berti, proprietária da Desejo Oculto, decidiu mudar de ramo profissional. Pensando em algo novo, a família decidiu encarar o mercado ainda pouco explorado na região. “Na época, havia um comércio neste segmento, mas algo bem escondido, ou seja, tinha um nicho aberto. Meus pais começaram a estudar o segmento, foram seis meses de estudos e viagens para outras cidades até a abertura oficial”, relembra Beatriz, que nos últimos anos passou a administrar o negócio iniciado pelos pais.
O comércio começou de forma tímida em uma pequena sala comercial, sendo expandida em 2011, quando ampliou-se também o mix de produtos disponibilizados, como lingeries sensuais, espartilhos e camisolas. “Praticamente triplicamos o nosso espaço e em 2014 abrimos uma outra loja no Centro de Criciúma”, comenta Beatriz. O segundo empreendimento nasceu com uma caraterística diferente com foco mais nas lingeries sensuais, na moda praia e com o sex shop como complemento.
Em 2009, antes das ampliações, o estabelecimento também foi para a internet. “O e-commerce veio ao encontro do que o país vivia, de crescimento na venda online, portanto, aproveitamos essa onda”, explica Beatriz, que calcula uma média de 61 vendas realizadas por dia através do site. “Contamos com vendas frequentes para o país todo, com uma saída maior para São Paulo”, complementa. No e-commerce são cinco profissionais atuando de forma direta e nas duas lojas físicas são dez colaboradoras.
A ideia inicial dos empreendedores era criar uma loja para apimentar a relação e não algo promiscuo. Além disso, o foco sempre foi voltado aos casais apesar de o estabelecimento também oferecer produtos para uso individual. “60% dos clientes que vão até as lojas compram artigos para usar em casal, sendo que a maioria deles são mulheres, apesar do público masculino estar em pleno crescimento”, destaca a proprietária.
São oferecidos aos consumidores entre três e quatro mil itens em sex shop. Já com as lingeries, este número chega a dez mil. A Hot Flowers, maior fabricante de artigos de sex shop da América Latina, é o carro chefe das lojas, além dos fabricantes importados. Os cosméticos em geral são os que mais são vendidos, como os anestésicos e os géis para massagem corporal.
De acordo com Beatriz, o negócio está com uma média de crescimento de 10% a 20% em comparação com o ano passado. Para o futuro, o intuito é expandir o negócio e abrir lojas em outras cidades. “Trabalhamos com este planejamento, mas precisamos ver como o mercado se comporta. Queremos chegar a dez lojas próprias para depois pensarmos em franquia”, afirma a proprietária.
Beatriz Berti acompanha o crescimento da loja especializada em artigos sensuais e de sex shop que é referência na região

E-commerce proporciona discrição e ousadia
Mirela Votri e Thiago Bittencourt decidiram colocar em prática em janeiro de 2015 um projeto embrionário pensado já em 2011. De casados a sócios, os empresários montaram o site Me Seduza especializado na venda de produtos de sex shop, pensando na discrição e na praticidade do consumidor. “A ideia surgiu na minha pós-graduação quando tive que desenvolver um negócio online que justificasse o porquê de ser online e não físico. Na época, lá em 2011, até tentei colocá-lo em prática com uma amiga, mas o projeto não vingou. Foi em 2015 que o Thiago ressuscitou esta possibilidade e decidimos arriscar”, relembra Mirela.
Nos primeiros 18 meses, o casal penou para que o negócio deslanchasse. O prejuízo neste período é calculado pelos empresários no valor de R$ 100 mil. No entanto, as dificuldades no mercado até então pouco explorado e que cresce a passos largos no Brasil, não fizeram que os empreendedores desistissem do e-commerce. “Foi um ano e meio tendo prejuízos. No início foi um trabalho muito penoso até nos posicionarmos no mercado. Hoje estamos estabilizados e em plena expansão com uma clientela muito boa, são cinco mil clientes atendidos”, comemora Bittencourt.
De 2016 para 2017, o e-commerce cresceu entre 80% e 90%, sendo que nos primeiros seis meses deste ano, as vendas já superaram os 12 meses do ano passado. “Como estamos avançando rapidamente, será em 2018 que teremos uma noção do quanto crescemos, pois será um ano totalmente estabilizado no segmento. Creio que iremos acompanhar o mercado erótico no Brasil”, acredita Bittencourt.
O site onde os produtos são expostos e comercializados conta em média com 50 mil acessos únicos por mês e está com 1,5 mil itens (nacionais e internacionais) disponíveis. “É um número que está sempre crescendo. No online as pessoas pesquisam muito, então oferecemos muitas variações de produtos. São vários tamanhos, formatos, funcionalidades. Na loja física não há essa variedade toda”, compara Mirela, que acrescenta que os preços dos produtos variam de R$ 2,90 até R$ 1.199,00. A entrega dos produtos de Florianópolis a Torres ocorre através de motoboys. Já para o restante do Brasil é basicamente via correio, envio expresso e transportadora.
Os produtos vendidos para o Brasil todo saem de Criciúma, de um amplo estoque recentemente montado pelo casal. Antes disso, o estoque era mantido em um local menor e no início do projeto na casa de Mirela e Thiago. Este crescimento todo refletiu na primeira contratação no mês de maio. Um estudante de Publicidade e Propaganda atua na direção de arte das campanhas e dos e-mails marketing do e-commerce. A tendência para 2018 é contratar mais profissionais para dar vazão à demanda.
Os números das vendas mostram que grande parte dos consumidores não são da região de Criciúma. De acordo com Bittencourt, dados deste ano revelam que 36% dos produtos são comercializados para São Paulo, seguido pelo Rio de Janeiro com 11%, Minas Gerais com 10%, Paraná com 8%, Santa Catarina com 7% e Rio Grande do Sul com 5%. Deste público, 53% são mulheres e 46% são homens. A faixa etária que mais investe no e-commerce é a de 25 a 34 anos, que reflete a 37% dos compradores. Em segundo lugar estão os mais jovens de 18 a 24 anos com 21%. Os de 35 a 44 anos aparecem na terceira colocação com 20%. Já a terceira idade representa 7% desta fatia.
Mirela Votri e Thiago Bittencourt colhem bons frutos com o crescimento a passos largos do e-commerce colocado em prática em 2015

De Criciúma para todo o Sul do Brasil
Criciúma conta com uma distribuidora da maior fabricante de artigos de sex shop do país, a Hot Flowers. Além disso, a DB Distribuidora recebe produtos de, pelo menos, mais sete fabricantes de outros segmentos, que variam entre lingeries, fantasias e artigos importados. “Atendemos Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte do Paraná. Portanto, 90% das lojas de lingeries do Estado que tem uma seção de sex shop nós atendemos, assim como os motéis que também são nossos clientes”, enumera o proprietário da distribuidora, Lúcio Bongiolo.
Presente no município desde 2006, a distribuidora possui mais de três mil estabelecimentos entre lojas e motéis cadastrados nos três Estados atendidos. Ao todo, a distribuidora conta com aproximadamente três mil itens e emprega 20 colaboradores, desde o departamento comercial e administrativo até os conferentes de estoque e representantes.
“Na época, a Hot Flowers nos procurou para desenvolvermos este trabalho. Então começamos em 2006 e fomos crescendo gradativamente”, relembra Bongiolo. Maior fabricante do segmento na América Latina, a Hot Flowers conta com um mix de produtos que vai além dos mais estereotipados, como os vibradores. “A grande maioria de itens são cosméticos. Não são somente produtos para o sexo, mas são artigos também voltados para a saúde e a higiene, pois oferecemos sabonetes íntimos, produtos para massagens, dentre outros”, frisa. Todos os produtos antes de saírem de Criciúma são conferidos e, posteriormente, encaminhados aos clientes por transportadora.
Com três mil lojas cadastradas, proprietário de distribuidora, Lúcio Bongiolo, matém clientes nos três Estados do Sul do Brasil

Coach sexual: profissão do presente e do futuro
O debate em torno do sexo vem crescendo ao longo dos anos e com o assunto cada vez mais em voga, capacitações são criadas para profissionalizar o mercado. Em busca desta qualificação, em maio deste ano criou-se a primeira formação profissional em coach sexual do Brasil. Ministrado em Balneário Camboriú, o evento reuniu interessadas catarinenses e de outros Estados do país, o que confirma uma carência no ramo.
“Através do coach trabalhamos com treinamentos e técnicas para a melhora da vida sexual, da autoestima, do amor próprio. Tivemos uma aceitação maior do que imaginávamos com o fechamento da turma em menos de 15 dias”, comenta a coach sexual, Anaí Valentina, há mais de dez anos atuando no mercado.
A profissional destaca que o ramo erótico é um mercado muito bom para se trabalhar e que vem ganhando novos adeptos. Inicialmente, o público-alvo do curso seria aqueles que já estão inseridos no mercado, mas 50% da procura se deu por mulheres que querem ingressar neste nicho. “Ainda existe muito tabu, entretanto, nos últimos dois anos, as mídias sociais têm ajudado bastante. As pessoas estão falando, pesquisando, buscando mais informações sobre sexo, que está se tornando uma constante na vida das pessoas”, destaca.
O curso é dividido em seis dias com 13 horas diárias de capacitação, sendo a maior carga horária em formação de coach do país. De acordo com Anaí, os participantes não aprendem somente as técnicas e ferramentas, eles precisam referenciar os ensinamentos para poderem repassá-los. Em novembro, outras duas turmas estão previstas em Santa Catarina, sendo que uma delas será para o público masculino. “Muitos homens se interessam pelo assunto e anseiam uma nova profissão”, comenta. Também estão previstos para os próximos meses mais dois cursos, um em Goiânia e outro em Fortaleza.
Há dez anos como coach sexual, Anaí Valentina acompanha o interesse e a procura por capacitação cada vez maior da população

Assim como coloca Anaí, a psicóloga Denise Nuernberg também acredita em um tabu quando se fala em sexo, mas considera que a concepção tem mudado nos últimos anos. A psicóloga defende que é preciso se conhecer mais e explorar o que o mercado oferece neste crescente segmento da economia.
Os motéis e suas rotinas
Profissionais e limpeza
Geralmente os motéis contam com uma média de 15 funcionários, como camareiras, recepcionistas, além de pessoal de manutenção, cozinha e administração. A maioria dos empregados atuam no sistema 12 por 36 horas, sendo que os estabelecimentos contam com equipes 24 horas por dia, inclusive, nas atividades de cozinha. Alguns mantém também a qualidade da limpeza com lavanderia própria, um dos principais receios dos hospedes.
“Utiliza-se produtos específicos de lavanderias e alguns utilizam produtos de uso hospitalar para matar qualquer bactéria. Muitos motéis usam também máquinas de oxigênio, que sugam todo o oxigênio do ambiente e acabam matando as bactérias. Estas são práticas da maioria dos estabelecimentos para garantir a confiabilidade e o conforto dos usuários”, destaca Alexandro Martins, gerente do Motel Passione.
Ocupação e investimento
A ocupação média dos motéis da região gira entre 800 e 1,5 mil por mês, dependendo de cada estabelecimento. Do público frequentador, 80% utiliza o serviço por cerca de duas horas. O investimento empregado varia de R$ 40 os mais baratos até R$ 80 os mais caros, por uma média de três horas. Este valor é bastante oscilante por causa dos tipos de acomodações e dos dias da semana. Já a pernoite gira em torno de R$ 100 durante a semana e R$ 300 aos fins de semana, geralmente com café da manhã.
Faixa etária e demanda
A rotina dos motéis é semelhante na sua totalidade. A movimentação maior ocorre de quarta a sábado, sendo que os mais jovens, de 20 até meados de 30 anos, frequentam durante as quartas e sextas-feiras e aos sábados. Os hospedes entre 40 e 60 anos costumam utilizar o serviço nas segundas, terças e quintas-feiras.
A quarta-feira é considerada o dia do namorado e na quinta-feira o bom movimento se mantém. Já na sexta e no sábado o fluxo é mais significativo. Dos frequentadores, 60% das pessoas têm até 40 anos. O restante tem mais do que esta faixa etária. Já durante a semana os horários mais movimentados são no início da manhã, ao meio-dia e no início da noite. No fim de semana, com o movimento maior, o horário de pico ocorre entre 20 e 2 horas. Outra constatação é que 70% dos carros que chegam aos motéis são conduzidos por homens.
Além dos dias e horários, o período de maior movimento do ano é em junho, o mês dos namorados. “Temos um incremento de 50% com uma procura maior nos dez primeiros dias do mês. Já em janeiro o movimento tem uma queda de 50% por conta da alta temporada de verão”, destaca Martins.
Puritanos e devassos
Alexandro acredita que a concepção de motel se modificou nos últimos tempos, deixando de lado a imagem de encontro apenas casoais e passando para um conceito de hospedagem. “Temos muita procura de casais que querem um ambiente diferente, inclusive, com uma decoração especial para comemorar o aniversário de casamento”, exemplifica. Clodoaldo Garcia, há seis meses no ramo como sócio do Motel Bliss, também acredita nesta quebra de paradgma e percebe uma demanda maior de casais que procuram pelos ambientes oferecidos na região.
Apesar de puritano, de acordo com o gerente, o público da região também é devasso. “Temos mercado. Nisso vemos a quantidade de motéis e pelo menos dois negócios de sex shop na cidade. As pessoas vêm percebendo que o motel é um lugar decente e de liberdade para fazer o que quiser, pois o sigilo é o mais importante em todos os estabelecimentos”, complementa Martins.

Texto e fotos: Douglas Saviato. Imagens: Léo Martins Meiker. Edição de vídeo: Nathan Bettiol, Marcelo Longo. Edição de página: Marcelo Longo. Infográficos: Marina Schuster, Marcelo Longo.



