VÍDEO: O terceiro ciclo econômico: do carvão à prestação de serviços e ao comércio

Nova perspectiva criciumense surgiu no último ano, com a construção do Nações Shopping

Por Douglas Saviato / Amanda Garcia Ludwig

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VÍDEO: O terceiro ciclo econômico: do carvão à prestação de serviços e ao comércio
Foto: Portal Engeplus

Criciúma, a maior cidade do Sul de Santa Catarina, passa por seu terceiro ciclo econômico. Depois da extração do carvão, precursora do desenvolvimento do município no início do século passado, e da consolidação econômica com a implantação de grandes indústrias na década de 80, a capital Sul catarinense fortalece agora dois segmentos: o comércio e a prestação de serviços.

Na avaliação do coordenador do movimento econômico da Associação dos Municípios de Região Carbonífera (Amrec), Ailson Piva, Criciúma há muito tempo vem mudando a sua produção de riqueza. “O primeiro ciclo econômico foi a descoberta e a exploração do carvão. Já a segunda foi a migração para as indústrias, com forte atuação nos segmentos cerâmicos e químicos. Já o terceiro ciclo, como podemos dizer - pelo menos essa é a tendência do mercado -, é sem dúvidas o de comércio e o de serviços”, confirma.

Esta nova perspectiva econômica de Criciúma é percebida nos últimos cinco anos. Em 2011, a prestação de serviços movimentava no município R$ 298 milhões, saltando para R$ 795 milhões no último ano, um incremento de 166%. O comércio segue a mesma linha de evolução na economia da cidade, passando de R$ 715 milhões para R$ 1,3 bilhão, um aumento de 94%. Já a indústria, protagonista do segundo ciclo econômico, cresceu em ritmo menos acelerado no mesmo período, com uma movimentação de R$ 920 milhões para R$ 1,2 bilhão, um crescimento de 40%. A atividade responsável pelo início do desenvolvimento da cidade registrou queda de -51,76%, contabilizando em 2016 um faturamento de R$ 15 milhões contra R$ 31 milhões em 2011.

Seguindo esta nova realidade econômica, a mão de obra criciumense também foi se moldando e acompanhando a transição. “Não encontramos mais tanta mão de obra pesada como antigamente, mas observamos que ela está mais especializada, que é empregada nos serviços voltados ao público, além do incremento de trabalhadores no comércio dos últimos anos”, analisa Piva.

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A cereja do bolo que confirmou esta nova perspectiva criciumense ocorreu no ano passado, com o início da operação dos Nações Shopping em uma área ainda pouco explorada entre os municípios de Criciúma e Içara, os dois maiores conglomerados populacionais da Região Carbonífera. Após a inauguração do empreendimento, em março de 2016, investidores passaram a ter um olhar diferenciado para a região.

De lá para cá, o entorno do Nações Shopping - que teve um investimento de R$ 250 milhões distribuídos em 90 mil metros quadrados - ganhou um outlet calçadista e uma grande rede atacadista de supermercados. E não para por aí: outros investimentos ainda estão por vir, como a construção de um hotel já no primeiro semestre de 2018, no terreno ao lado do empreendimento. A longo prazo, o planejamento é construir também nestes espaços edifícios de escritórios e prédios residenciais.

Para dar vazão aos empreendimentos instalados entre as duas maiores cidades da região, um investimento de R$ 4,4 milhões vem sendo empregado para aumentar a fluidez ao trânsito local. Acessos alternativos, novas pistas e um túnel entre o limite dos municípios serão concluídos em meados de outubro.

De acordo com a superintendente do Nações Shopping, Carla Tomaz Bado, o propósito do empreendimento desde que escolheu Criciúma para desenvolver as suas atividades foi proporcionar à comunidade um espaço para que o público tivesse opções de lazer, entretenimento, conveniência, serviços e compras. “Queremos que o Nações Shopping seja uma extensão da casa de nossos clientes, um local onde consigam encontrar tudo o que precisam para a família”, comenta.

Para Carla, o empreendimento visa contribuir de maneira consistente para o crescimento da economia local, gerando novas oportunidades de emprego e condições para a melhor qualidade de vida de todos. “Desde a inauguração do shopping center, a valorização do entorno vem acontecendo rapidamente com entrada de investimentos em novos negócios, mercados e empreendimentos e quem ganha com tudo isso é a cidade e todos nós”, coloca.

O shopping como pontapé do crescimento

O prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, destaca o impacto positivo da instalação. "O shopping é um equipamento público que desenvolve qualquer região. O Nações Shopping foi importante e trouxe crescimento para toda a Próspera, além de atender toda a macrorregião Sul de Santa Catarina. Estamos bastante satisfeitos", afirma.

As alterações no trânsito eram articuladas entre Criciúma, Içara e o Governo do Estado há algum tempo, mas foi com a chegada do Nações Shopping que os trabalhos começaram a ser executados. “A vinda do shopping foi o que deu o pontapé. Estas melhorias estavam num processo muito grande de amadurecimento, havia-se a necessidade e o projeto, mas não tínhamos a liberação de recursos. No entanto, com a chegada do empreendimento abriu-se a porteira”, considera o prefeito de Içara, Murialdo Gastaldon.

Dos R$ 4,4 milhões investidos, R$ 3,8 milhões são do Governo do Estado de Santa Catarina e R$ 600 mil são da prefeitura de Içara. “Somente com o túnel eliminaremos os cruzamentos existentes e desafogaremos o tráfego entre 50% e 60% para quem deseja acessar e deixar os municípios”, vislumbra o secretário de planejamento e controle de Içara, Arnaldo Lodetti.

Os motoristas ganharão também uma terceira pista, sendo esta exclusiva para acessar o shopping e os demais empreendimentos locais. “São 900 metros de pista nova e possibilidades para que empresas, comércios e serviços se instalem e se desenvolvam naquele ponto”, complementa Lodetti, ressaltando ainda que outras duas alternativas de acesso entre Criciúma e Içara serão viabilizadas.

De acordo com o responsável pelo Setor de Isenção da Prefeitura de Criciúma, Sérgio Tramontin, a escolha do bairro Próspera para instalação do Nações Shopping aconteceu após estudos de logística, dimensões, disponibilidade imediata do terreno e pesquisas de crescimento da cidade para a região. "Bem se sabe que nas últimas duas décadas, a tendência de expansão de Criciúma teria seu desenvolvimento voltado para aquela área", afirma Tramontin.

Tal previsão foi motivada, principalmente, pela grande área de terrenos disponíveis, fácil acesso interligado por vias semirrápidas, transporte público, comércio, serviços e indústrias diversificadas.

"Além disso, estamos há poucos meses da inauguração da Via Rápida, que terá braços de despejo próximo ao shopping. O empreendimento também está estrategicamente posicionado a poucos metros da junção do Anel de Contorno Viário", exemplifica.

Tramontin também lembra da promessa do Governo Estadual a respeito da duplicação e reforma da SC-445, que liga Criciúma a Balneário Rincão. Isso, segundo ele, daria continuidade ao prolongamento das avenidas Centenário e Jorge Elias de Luca, passando por Içara e fluindo para a BR-101. "Isso permitiria que todos os caminhos fossem facilitados, desviando o trânsito do Centro, seja para transporte de carga ou carros de passeio".

Com uma extensão de 1,2 mil metros, a estrada Linha Três Ribeirões está sendo pavimentada do bairro Liri, em Içara (trevo de acesso ao campus da Unisul), até a Avenida Centenário, no bairro Nossa Senhora da Salete, em Criciúma. Partindo do encontro da estrada Linha Três Ribeirões, a rua Agripina de Freitas também está sendo pavimentada. Juntas, as duas vias formarão um novo eixo de acesso à Içara e Criciúma.


Obras de pavimentação irão desafogar o trânsito entre as duas maiores cidades da Região Carbonífera

“Depois destas obras concluídas, será realizado uma urbanização no perímetro com plantação de árvores, iluminação em led. Será um cartão-postal para as duas cidades”, completa o secretário Lodetti.

Impacto a olhos nus

O conglomerado entre Criciúma e Içara está cada dia mais conurbado. Para o prefeito de Içara, hoje já não se sabe mais onde começa e termina os municípios.

“Naquele ponto está localizado o bairro mais populoso de Içara, o Presidente Vargas, com 6,5 mil moradores, ou seja, 10% da população do município mora ali. Voltamos o nosso Plano Diretor para a comunidade de maneira especial, justamente para impactar o mínimo possível a vida dos moradores. Entretanto, o impacto na qualidade vida e na mobilidade são percebidos a olhos nus”, avalia Gastaldon.

Foi no bairro Presidente Vargas que se instalou, no dia 2 de agosto deste ano, o Fort Atacadista, a maior rede de atacarejo do Sul do país, com uma área de cinco mil metros quadrados e um investimento de R$ 40 milhões. O empreendimento, construído em um terreno a poucos metros de distância do Nações Shopping, iniciou as suas atividades gerando 230 empregos diretos e 200 indiretos. Ao todo, são 300 vagas de estacionamento e mais de oito mil itens, entre alimentos, bebidas, perecíveis, perfumaria, limpeza e bazar.

A loja de Criciúma é a 16ª em Santa Catarina e a 62ª unidade do Grupo Pereira, detentor do Fort Atacadista. Além do Estado catarinense, o grupo está presente em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. Em 2016, o grupo faturou R$ 5,8 bilhões, registrando um crescimento de 23% em relação ao ano anterior. O plano de abrir o negócio em Criciúma era antigo e a valorização da região foi potencializada após a chegada do Nações Shopping.

No vídeo, o presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), César Smielevski, e o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Diomicio Vidal, falam sobre os impactos econômicos da região onde está instalada o Nações Shopping e os demais empreendimentos.

O que ainda está por vir

Após quase dois anos de operação do Nações Shopping, a construção de um hotel no terreno ao lado do empreendimento iniciará, ao que tudo indica, em março de 2018. A construção do hotel, além de demais edifícios comerciais e residenciais já estava prevista na planta do Grupo Almeida Júnior, detentor do Nações Shopping, quando as obras iniciaram, em 2014.

“Este hotel será o primeiro investimento no local. Sabemos que a conjuntura econômica não é muito favorável, mas dentro daquela área temos um projeto com vários empreendimentos”, revela o diretor da Construtora Pavei, José Carlos Hülse.

Ao todo, são 40 mil metros quadrados a serem explorados, sendo que o hotel ocupará pouco mais de dois mil metros quadrados. Com oito andares e 126 apartamentos, o empreendimento da bandeira Mercury terá um investimento de R$ 12 a R$ 15 milhões e deverá ficar pronto depois de toda montagem em, pelo menos, 24 meses.

A construção seguirá tendências mundiais com base na sustentabilidade, utilização de energia alternativa e reaproveitamento de água, por exemplo. Hülse aponta ainda que a maior motivação para a construção do hotel é, sem dúvidas, o Nações Shopping, a grande referência da região. “Estaremos em uma boa localização, na entrada da cidade. Seremos o primeiro hotel de Criciúma para quem vem do Aeroporto Regional de Jaguaruna e da BR-101, via SC-445”, salienta.

Mesmo que de forma tímida, o setor de habitação também tem buscado espaço no local. O presidente do Sindicato da Habitação do Sul de Santa Catarina (Secovi Sul/SC), Juarez Sabino, explica que desde que o shopping foi instalado no bairro Próspera, o ramo imobiliário notou valorização no bairro. "Não foi tanto quanto esperávamos, o mercado está acanhado, mas isso deve mudar nos próximos meses", explica.

A mudança se dá, basicamente, em razão da chegada do mercado Fort Atacadista e com a construção do novo hotel. "Isso demonstra a descentralização do comércio e da indústria. Em determinada época, a indústria se concentrou no bairro Quarta Linha. Depois disso, pulverizou e começou a crescer em outros locais. Este é um dos bairros em que há uma grande aposta para a verticalização, ou seja, a construção de edifícios", destaca Sabino.

Atualmente, um edifício está sendo construído pela construtora TPS no entorno do shopping, com apartamentos de dois dormitórios que serão financiados através do Minha Casa, Minha Vida.

"Assim como a área comercial está buscando novos locais para se instalar, a área residencial verticalizada também está indo para os bairros. Isso já vem acontecendo em Criciúma na última década, e é uma tendência natural que se formaliza", conclui o presidente do Secovi.

Texto: Douglas Saviato, Amanda Garcia Ludwig. Fotos: Douglas Saviato. Imagens: Léo Martins Meiker, Nathan Bettiol. Edição de vídeo: Nathan Bettiol, Marcelo Longo. Edição de página: Marcelo Longo. Infográficos: Raphael Salib.

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