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Registro inédito

Vídeo: duas baleias-francas semi-albinas são avistadas no litoral Sul de SC na mesma temporada

Segundo especialistas da ProFRANCA, é a primeira vez que isso acontece no Brasil

Foto de Ariadne Marcelino - ariadne.marcelino@engeplus.com.br

Por Ariadne Marcelino - ariadne.marcelino@engeplus.com.br

3 min de leitura

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Foto: Kevin Christmann | ProFRANCA/Instituto Australis | Divulgação

A equipe do Projeto Franca Austral (ProFRANCA) registrou nessa quarta-feira, dia 14, a passagem de uma baleia-franca-austral (Eubalaena australis) fêmea com coloração semi-albina. Segundo Karina Groch, diretora de pesquisa do instituto, esta é a segunda fêmea da espécie e com a coloração semi-albina a ser registrada na temporada reprodutiva de 2026, sendo um feito inédito no Brasil. No novo registro, a baleia estava acompanhada por um filhote com o mesmo padrão de coloração.

As fêmeas foram registradas nas enseadas da Praia da Ribanceira e de Ibiraquera, no município de Imbituba, região central da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca. A primeira foi registrada no sobrevoo no mês de setembro. A segunda, observada nesta semana, foi identificada a partir de imagens aéreas registradas pelo coordenador de pesquisa Kevin S. Christmann, durante o monitoramento aéreo remoto feito com o uso de drone.

“Inicialmente pensamos que poderia ser a mesma fêmea já avistada, mas a presença do filhote também semi-albino chamou a atenção, o que permitiu ter certeza de que se trava de outra fêmea, mesmo sem comparar as duas”, ressaltou Karina. Segundo ela, o registro é especialmente relevante para a pesquisa científica, pois amplia o conhecimento sobre a ocorrência do semi-albinismo na população de baleias-francas que utilizam o litoral brasileiro para reprodução e cuidado dos filhotes.

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Semi-albinismo nas baleias-francas

De acordo com os especialistas da ProFRANCA, o semi-albinismo é uma condição caracterizada pela ausência parcial de pigmentação, que resulta em áreas mais claras no corpo do animal. Nas baleias-francas, cuja coloração típica é predominantemente escura, essas variações podem produzir padrões de coloração incomuns, tornando os indivíduos facilmente reconhecíveis durante as atividades de monitoramento.

“A condição é uma expressão física (fenótipo) de uma característica genética em particular associada aos cromossomos sexuais. Observar que mais indivíduos estão expressando essa característica na população é um indício de que estamos observando um potencial aumento na diversidade genética local”, explicou o diretor de projetos do ProFRANCA/Instituto Australis, Eduardo Renault.

Em registro inédito, segunda fêmea da espécie a ser observada na temporada estava acompanha do filhote, também semi-albino. (Foto: Kevin Christmann | ProFRANCA/Instituto Australis | Divulgação)

Segundo ele, uma fêmea semi-albina possui no mínimo 50% de chance de possuir um filhote na mesma condição, e, quando acasala com um macho de padrão de cor normal, seu filhote macho sempre terá o padrão de coloração igual o da mãe. As fêmeas, no entanto, terão o padrão de cor normal. O filhote observado no sobrevoo de setembro possuía a coloração típica preta de uma baleia-franca, confirmando aos pesquisadores que se tratava de uma fêmea. Já o filhote observado nesta semana, por possuir a condição de semi-albino, não foi possível fazer a identificação.

“O monitoramento de fêmeas com filhotes é uma das atividades importantes desenvolvidas pelo ProFRANCA durante a temporada reprodutiva da espécie. Por meio da identificação individual e do acompanhamento dos animais ao longo dos anos, a equipe reúne informações sobre reprodução, distribuição e permanência das baleias-francas na costa brasileira. Registros como este reforçam a importância das pesquisas de longo prazo e do uso responsável de tecnologias de monitoramento para compreender a biologia da baleia-franca-austral e contribuir para sua conservação”, finalizou Karina. Confira o registro em vídeo:


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