A “Platina” do Xbox é a Chance do Xbox Revolucionar o Sistema de Conquistas

Xbox pode ganhar “platina” mas a mudança precisa ir além do óbvio

A “Platina” do Xbox é a Chance do Xbox Revolucionar o Sistema de Conquistas

Xbox pode finalmente ganhar um sistema equivalente ao famoso “troféu de platina” até o fim de 2026.

A ideia surgiu após declarações da liderança da marca, Asha Sharma, ao responder um usuário do X (antigo Twitter), indicando que mudanças no sistema de conquistas estão em estudo e devem chegar ao final de 2026 com a “platina”.O sistema de conquistas do Xbox está a anos completamente abandonado, e precisa muito além de uma reformulação, precisa inovar.

Pensando nisso na matéria de hoje, vai uma pequena reflexão de mudanças que o sistema poderia receber para além de “apenas copiar” a concorrência.

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Dois sistemas, dois problemas

Hoje existe uma diferença bem clara entre as plataformas:

O PlayStation trabalha com um sistema mais qualitativo, mostrando com a platina que você cumpriu todos os desafios do game. Já o Xbox aposta em um sistema mais quantitativo, fazendo uma somatória de pontos de desafios internos do jogo.

No PlayStation, a lógica é simples: complete tudo e receba a platina. É um símbolo forte, direto, que diz “esse jogo foi completado”. O problema? Todo o resto perde valor. Ninguém quer saber quantos troféus de bronze, prata ou ouro você tem, no máximo a somatória total. No fim das contas, o que importa são as platinas, quantos jogos você platinou, os outros troféus são apenas parte do caminho para a platina.

E isso abriu espaço para um fenômeno curioso (e meio problemático), jogos feitos praticamente só para dar platina fácil, e em alguns casos, jogos que você praticamente paga para ganhar a platina. Jogos de 5, 10 ou 15 minutos de gameplay onde você “enriquece” sua ID com uma platina.

São títulos curtos, muitas vezes sem relevância nenhuma, que viram apenas “moeda” para inflar perfil. Ter a platina deles não impressiona ninguém, mas ainda assim entram na conta para quem olha depressa a sua ID.

Já no Xbox, o problema é outro.

O sistema de Gamerscore soma pontos, e isso muda completamente o comportamento do jogador. Em vez de focar em um jogo e explorar tudo até o final, muitos preferem otimizar o tempo.

Vale mais jogar vários jogos rápidos e fáceis, do que investir 100 horas em um único jogo que de fato é relevante, ou que minimamente vai dar algum trabalho. No final, um jogo incrível pode render os mesmos 1000G que um jogo ruim ou mediano, e isso desincentiva a dedicação profunda a um título.

No fim, vira uma corrida… meio sem sentido

No fim, os dois sistemas levam ao mesmo lugar, por caminhos diferentes. De um lado, jogadores que buscam qualidade e completam jogos realmente bons e tentam desfrutar ao máximo de tudo que você pode fazer dentro de um jogo. Abrir todas as portas, pegar todos os coletáveis, descobrir todos os segredos e por ai vai. E isso, leva tempo.

Do outro, jogadores que buscam números e acumulam pontos ou platinas em jogos descartáveis. E a disputa pela quantidade vira algo estranho, vence quem tem mais paciência de jogar coisa ruim por mais tempo. Se a preocupação são números altos, esse tipo de jogador não vai passar 120 horas no The Witcher 3 para fazer 1000G, e sim dividir todo esse tempo no maior número de jogos irrelevantes possíveis, mas que brindaram cada um com 1000G ou as vezes até bem mais que isso.

E é exatamente esse ciclo que o Xbox tem a chance e deveria quebrar.

Como o Xbox pode fazer melhor?

Se a ideia é trazer uma “platina”, ela precisa vir com inovação, copiar a concorrência como a própria concorrência fez no início, é um caminho seguro, mas sem inovação nenhuma. E existe muito o que fazer para para melhorar e atingir o jogador em ambos os sistemas, basta ouvir o que a comunidade vêm falando. No Xbox a anos os jogadores pedem pela separação das conquistas de jogo base das DLC's por exemplo.

Pensando nisso e em outras coisa, aqui vai uma proposta simples, de alguém que passou a olhar depois de muito tempo, esses sistemas com outros olhos.

Separar jogo base e conteúdo completo.

Imagine um sistema assim, além de todas as conquistas normais, ao completar o game você receberia não uma platina mas duas, mas com significados diferentes.

Conquista Game Base
Para quem completa 100% do jogo base
Conquista Máxima Full Experience
Para quem completa tudo, incluindo DLCs

Sim, precisamos melhorar os nomes hehe. Mas isso resolveria vários problemas ao mesmo tempo:

  • Valoriza quem realmente se dedica ao jogo completo
  • Incentiva a compra de DLCs de forma natural
  • Evita que conteúdos extras “baguncem” o progresso principal
  • Cria uma distinção clara entre tipos de jogadores

    E dá pra ir além.

Um novo jeito de medir progresso

Além disso, o Xbox poderia reorganizar completamente a forma como é exibido as conquistas no perfil dos jogadores. Em vez de um número único de Gamerscore, o perfil poderia mostrar divisões claras, como Gamerscore total, Conquistas de Game Base e Conquista Máxima Full Experience.
Assim, fica uma distinção clara de quem valoriza a quantidade e não liga para o tipo de jogo, ou quem de fato se dedicou a terminar totalmente os jogos que jogou, e até mesmo o cara que é o completacionista, que só larga o jogo quando faz o total dele ao extremo, todos tem a sua vez.

Sim eu sei, você deve estar se perguntando, o que acontece quando você ganhar a conquista relacionadas a DLC's de Full Experience, e ai a empresa resolve lançar outra DLC. Simples, você não ganha essa conquista até a empresa não terminar de lançar a última DLC do game. Isso abre até uma porta para fazer um bom marketing relacionado em ter a chance de conquistar as últimas conquistar e receber a “conquista” final.

A “sala de conquistas”, status com significado

Outra ideia que cairia como uma luva seria a criação de uma espécie de “sala de conquistas” no perfil do jogador. Ao invéz de só mostrar números frios, o jogador poderia destacar o que realmente importa pra ele de forma pessoal.

Seus cinco jogos 100% mais importantes, as conquistas mais difíceis, as mais demoradas ou até um ranking personalizado, misturando desafio, tempo e significado pessoal. Isso transformaria números em narrativa, algo que hoje falta tanto nos sistemas atuais, isso é identidade.

Porque no fim, não é sobre quantos pontos você tem, é sobre o que você fez para chegar até ali. Eu facilmente colocaria o Spec Ops: The Line no alto dessa sala. Não pela dificuldade, ou porque o jogo é bom. Mas pelo significado que este jogo tem no momento da vida em que joguei ele, acabou me marcando, e tem um lugar especial para mim, e nessa sala eu poderia exibir isso.

Talvez essa “sala” poderia ser completamente personalizável, com um papel de parede de um game em específico, com um pódio, estilo de medalhas/troféus diferentes para você escolher qual exibir, relacionadas a um game em específico que você pudesse destacar. Talvez ao terminar um jogo você desbloqueasse um tipo de "medalha" que somente quem terminou o jogo teria para exibir nessa sala. Como aqueles baldes de pipoca colecionáveis de pré-estreias no cinema. Um carro para o Forza, as pistolas duplas da Lara, a espada do Geralt De Rivia e etc.

Imagina terminar o Gears Of War 3 e sua conquista de chegar ao nível 100 no multiplayer com todas as 65 medalhas Onix e ganhar um “Lancer com a serra elétrica” para colocar no alto do pódio dessa sala. Seria a sua sala, com os seus destaques. Aqui era o lugar para se usar aqueles malditos avatares que não serviam para nada. Nessa sala eles teriam destaque.

É a sua sala, a sua identidade.

Valorização de conquistas

Sinceramente, eu daria um novo olhar para quanto vale cada conquista. É preciso ter um cuidado maior com o que o desenvolvedor vêm fazendo. Eu colocaria mais valor para as conquistas difíceis, e um valor mais baixo para as fáceis. Não dá para você passar horas e horas para coletar 150 placas no Sunset Overdrive, e fazer 15G. Isso não dá nenhum incentivo para correr atrás, se a própria conquista não se valoriza, porque o jogador deveria valorizar isso?

Jogos apenas para fazer Gamerscore

Isso deveria acabar, ou no mínimo um limite máximo de Gamerscore para o desenvolvedor colocar no seu jogo. Não sou contra jogos dedicados a fazer somatória de pontos, e até entendo quem compra jogo para isso, cada um joga do jeito que quiser e gasta seu dinheiro onde quiser. Mas a grande realidade é que isso é mais uma coisa que desvaloriza ainda mais um sistema que não premia nada nem ninguém. 200G no máximo para um jogo desse tipo, é até muito.

Para quê ter um ranking por exemplo, se no final quem está lá em cima é só alguém que tem mais tempo e paciência para jogar um monte de lixo?

A chance de mudar o jogo

Se esse sistema, de platina, realmente chegar em 2026, o Xbox não estará apenas adicionando um recurso. Estará repensando o que significa “completar um jogo”. É claro que, na prática, dificilmente veremos uma revolução tão completa quanto a ideal. Mas ainda assim, existe uma oportunidade clara aqui. Tomara que a Microsoft não se limite a copiar a concorrência, e sim aproveite o momento para tomar boas decisões e evoluir o sistema de conquistas de forma inteligente.

Se fizer isso, o Xbox não só alcança a concorrência nesse quesito, ele redefine o jogo.

Fonte: Vozes da minha cabeça

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