Sony perde 765 milhões com a Bungie enquanto Marathon caminha para o fracasso
Após prejuízo milionário, estúdio enfrenta incerteza e possibilidade de cortes na equipe

Sony amarga prejuízo com a Bungie, enquanto Marathon perde força e preocupa
A aposta da Sony na Bungie era clara: transformar o estúdio em peça-chave na estratégia de jogos como serviço. Mas, na prática, o plano está longe de dar certo.
O mais recente relatório financeiro revelou um prejuízo de cerca de US$ 765 milhões ligado à Bungie, reflexo direto de expectativas que não se concretizaram com o novo projeto Marathon.
Marathon, o jogo que ninguém pediu
Se havia uma chance de virada para a Bungie, ela passava por Marathon. Mas o projeto começou a dar sinais de problema muito antes de chegar ao público.
Durante o desenvolvimento, Marathon enfrentou um caminho conturbado, com mudanças de direção, acusações de plágio e dificuldades para definir sua identidade. Quando finalmente apareceu, a sensação foi de estranhamento. Um jogo complexo, com sistemas pouco acessíveis e distante daquilo que muitos jogadores esperavam da Bungie ou de qualquer jogo extraction shooter em um mercado tão saturado como o de hoje.

Visualmente, o game também dividiu opiniões. O estilo com cores muito vibrantes e contrastes exagerados não agradou parte da comunidade, que esperava algo mais alinhado ao histórico do estúdio. E talvez o ponto mais crítico, Marathon acabou carregando um peso que não era dele.
Para muitos jogadores, o game surgiu como um substituto indireto de Destiny 2, ou até como o espaço que poderia ter sido ocupado por um possível Destiny 3. E essa comparação não ajudou.
A sensação é de que a Bungie apostou em um projeto que “ninguém pediu”. Enquanto isso, parte da comunidade ainda esperava a evolução natural da franquia que realmente sustentou o estúdio por anos ou simplesmente um jogo novo que justificasse o investimento de US$ 3,6 Bilhões que a Sony fez ao adquirir o estúdio. O resultado é um cenário complicado, Marathon não só luta para se manter relevante, como também carrega a percepção de ter sido uma escolha errada desde o início.
Hoje, o jogo segue ativo com uma média diária de 3.600 á 6000 jogadores simultâneos. Por isso, não se deixe enganar por “notinha” de portal de notícias, ou “notinha inflada” por youtuber fanboy da Sony, Marathon está dando sinais claros de problemas e está caminhando a passos largos para o seu encerramento precoce se nada relevante for feito.
Um problema que vai além de um jogo
A situação não se resume a um único fracasso de um jogo em específico. O prejuízo registrado pela Sony é mais do que um número, é o reflexo de uma aposta que ainda não encontrou retorno. O prejuízo com a Bungie não é um caso isolado.
Nos últimos anos, vimos a Sony mergulhar de cabeça no mercado de jogos como serviço, apostando em vários projetos ao mesmo tempo. A ideia era disputar espaço em um dos segmentos mais lucrativos da indústria. Na prática, a Sony entrou tarde demais em um território já bastante saturado por jogos de muito sucesso.

O problema é simples, e difícil de contornar: Esses jogos competem entre si… pelo mesmo tempo e pelo mesmo público.
Diferente de títulos tradicionais, jogos live service exigem dedicação constante. O jogador não apenas compra, ele precisa se manter ativo. E não existe tempo (nem interesse) para abraçar vários jogos desse tipo ao mesmo tempo. No fim, a conta não fecha.
Mesmo que o público quisesse consumir todos esses títulos, seria inviável acompanhar múltiplas experiências multiplayer simultâneas. E isso transforma cada novo lançamento em uma disputa direta, não só contra concorrentes, mas contra os próprios jogos live service da Sony.
Para piorar, alguns projetos nem chegaram a ver a luz do dia e foram cancelados, ou foram lançados e cancelados logo em seguida. O caso de Concord, por exemplo, virou símbolo de desperdício, anos de investimento descartados antes mesmo do retorno. Enquanto isso, outros títulos como Fairgame$ ainda nem foram lançados, mas já enfrentam resistência da comunidade, que demonstra cansaço com esse modelo. Isso sem contar a lacração visível nos trailer que ninguém suporta mais.
No fim, a estratégia que deveria expandir o domínio da Sony acabou criando um cenário de risco: muitos projetos, pouco espaço… e um público que simplesmente não consegue e nem quer, acompanhar tudo. Simplesmente o que se espera do Playstation e da Sony não é isso.
Fonte: Ei Nerd, Tec Mundo, e vozes da minha cabeça
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