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AgroPonte 2026 pelo olhar do Automobilista

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Onde as máquinas expostas fazem a Ram 2500 parecer pequena

Por Tiago Sasso27 de agosto de 2026 6 min de leitura
Tiago Castelli Sasso

Gosto de feiras, independentemente do gênero. A diversidade, o clima comercial, a atmosfera festiva e a possibilidade de descobrir novidades tornam esse tipo de evento atraente. Meu interesse aumenta quando há veículos expostos. Já visitei outras edições da AgroPonte, porém desta vez percorri os corredores sob uma perspectiva diferente: a do Automobilista.

A Fiat Strada, veículo que de fato, carrega o Brasil na caçamba. Os números ajudam a dimensionar essa importância: segundo dados da Fenabrave divulgados pela fabricante, foram 97.948 emplacamentos entre janeiro e julho de 2026. Mais do que uma picape compacta, ela se tornou ferramenta indispensável para quem produz, entrega, conserta ou transporta.

Na sequência estava a Toyota Hilux, preferência de muitos compradores que precisam de uma picape média para trabalhar. A reputação de confiabilidade, a resistência mecânica, a ampla rede de assistência e o bom valor de revenda explicam parte desse prestígio. Entretanto, o modelo agrada tanto que ultrapassou os limites da atividade profissional, tornando-se também automóvel familiar, companheiro de viagens e presença habitual nas cidades.

O exagero que os norte-americanos nos ensinaram a desejar: RAM 2500. Com dimensões superlativas, a enorme capacidade de reboque, o peso bruto total superior ao permitido pela categoria B, exigem habilitação da categoria de caminhões. Mesmo assim, ela encanta um público muito maior do que aquele ligado ao serviço pesado, pois combina força descomunal, acabamento luxuoso, conforto abundante e diversão em proporções difíceis de encontrar em outro veículo.

Pneus gigantes, contrapesos, eixos robustos e cabines elevadas formavam um cenário capaz de despertar a curiosidade de qualquer apaixonado por veículos. Naquele ambiente, cavalos e torque não serviam para alimentar discussões de internet, mas para vencer o solo, movimentar toneladas e concluir tarefas dentro do período correto.

A John Deere é outra máquina que os Estados Unidos nos ensinaram a apreciar. No universo dos tratores, sua imagem equivale àquela fabricante de smartphones cujo símbolo é uma maçã: produto desejado, identidade imediatamente reconhecível e prestígio construído ao redor da marca. O 6190M reúne potência elevada, conforto, acabamento sofisticado e tecnologia de sobra. Um detalhe interessante está no auxílio à frenagem: ao pressionar os pedais de freio, o sistema acopla a tração dianteira de forma automática para que as 4 rodas contribuam com a redução da velocidade. Solução engenhosa para controlar um conjunto de 9 toneladas de peso próprio e que pode carregar outras 12.

A colheitadeira New Holland tem uma boa reputação entre produtores de milho e soja no norte do Rio Grande do Sul, as ceifeiras dessa fabricante são considerados por muitos como alguns dos melhores — quando não os melhores — disponíveis para essas culturas. Fiquei curioso para saber como esse conjunto se comporta nas lavouras de arroz e se a excelente fama conquistada em terrenos mais firmes permanece diante das condições particulares encontradas nas áreas alagadas.

A chegada massiva de carros chineses ao Brasil já mudou vitrines, ruas e expectativas do consumidor. Agora, o mesmo movimento começa a aparecer entre os tratores. A YTO apresentou uma alternativas com propostas mais acessíveis do que as marcas tradicionais. O preço de aquisição desperta interesse, mas durabilidade, fornecimento de peças, assistência técnica e valor de revenda determinarão o sucesso dessa nova concorrente no mercado nacional.

No espaço da Case, os tratores da família Farmall dividiam atenção com um drone agrícola. O equipamento aéreo mostra outra face da agricultura moderna, capaz de realizar mapeamentos, identificar falhas e aplicar produtos com precisão em locais específicos. Além de economizar insumos, esse recurso reduz o amassamento da plantação e permite intervenções onde um pulverizador terrestre teria maior dificuldade de acesso.

A Honda XR300L Tornado é sucessora de uma motocicleta que fez sucesso quando nova e continua muito valorizada entre as usadas. A antiga XR 250 Tornado conquistou admiradores pela robustez, simplicidade e capacidade de enfrentar tanto o asfalto quanto estradas ruins. O projeto atual me agrada por preservar a proposta trail, acrescentando maior cilindrada. Espero que, com o passar dos anos, ela demonstre a mesma resistência de sua antecessora e construa uma reputação igualmente forte.

Quando vi o nome Ford Maverick, minha memória buscou imediatamente um cupê de duas portas, capô comprido e motor V8. Em vez disso, encontrei uma picape de quatro portas, pouco maior do que as compactas e menor que as médias. Confesso que o desenho me surpreendeu positivamente, principalmente pela maneira como combina proporções equilibradas e aparência urbana. O modelo também ocupa um lugar importante na história recente do mercado nacional, pois foi apresentado pela Ford como a primeira picape híbrida do Brasil, na categoria. Em breve teremos uma coluna dedicada exclusivamente a ela.

Além desses veículos, pude observar outros equipamentos, implementos e atrações motorizadas, inclusive opções destinadas ao puro entretenimento. Essa variedade reforça o caráter plural da AgroPonte, onde uma ferramenta de produção pode dividir o corredor com algo criado apenas para proporcionar lazer, aventura ou diversão.

Quem gosta de veículos geralmente entende — ou, no mínimo, respeita — as máquinas agrícolas. São projetos extremamente potentes, resistentes e confiáveis, capazes de executar tarefas gigantescas. Hoje, muitos carregam eletrônica comparável à de um smartphone, com sensores, monitores, mapas, sistemas automatizados e informações em tempo real. Tudo isso foi desenvolvido para enfrentar jornadas que podem atravessar as 24 horas do dia, sete dias por semana, interrompidas apenas pelos abastecimentos, engraxamentos e eventuais trocas de operador.

A tecnologia no campo não depende somente de produtos químicos, soluções biológicas, sementes melhoradas ou conhecimento agronômico. Cada atividade precisa ser executada dentro de uma janela oportuna, muitas vezes limitada pelo clima, pela umidade do solo ou pelo estágio da cultura. Para aproveitar esse intervalo, torna-se indispensável dispor de potência adequada, capacidade operacional suficiente e equipamentos dimensionados corretamente. Uma lavoura não pode esperar indefinidamente, porque o atraso de poucas horas talvez represente perda de produtividade, qualidade ou renda.

E você, que acompanha o Automobilista, também aprecia o maquinário agrícola ou sua paixão fica restrita aos carros e às motocicletas? Qual dessas máquinas mais desperta sua curiosidade?

Youtube: https://youtu.be/lsvoTajREhY

Instagram: https://www.instagram.com/automobilista_ti/

Um adendo: Valores divulgados nos veículos são referentes a data em que foram feitos os registros fotográficos.

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