CAOA Chery Tiggo 8 Pro: esse SUV realmente custa menos do que vale?
Automobilista
Um SUV com nome de smartphone e argumentos para vencer minhas objeções

Eu, como muitos outros entusiastas, tenho — ou tinha — receio de veículos sínicos (chineses). Uma impressão construída por alguns dos modelos comercializados em terras tupiniquins até a década passada, quando o design, o acabamento e a qualidade ficavam aquém do que se esperava.

Após algumas conversas com um proprietário de um Tiggo 5X, passei a prestar mais atenção na CAOA Chery e nos seus modelos. Daquele momento em diante, parecia que haviam surgido milhares deles pelas ruas, especialmente da família Tiggo 8. Naturalmente, os carros já estavam ali; quem havia mudado o olhar era eu. Faltava conhecer de perto o que estava atraindo tantos compradores.

Foi nesse contexto que conheci o Tiggo 8 Pro 2026, um SUV de sete lugares cujo espaço interno e apresentação logo chamaram minha atenção. A proposta familiar ganha força quando colocamos o preço na conversa: o site da fabricante anuncia o modelo a partir de R$ 198.990, na data em que escrevo esta coluna. É muito dinheiro, evidentemente, mas minha primeira impressão era de estar diante de um veículo que custaria mais de R$ 250 mil. Considerando o acabamento, os equipamentos e a possibilidade de levar sete ocupantes, comecei a entender o apelo do conjunto.

Sob o capô está um motor 1.6 turbo a gasolina, com injeção direta, associado a uma transmissão de dupla embreagem e sete marchas. Meu contato com o carro durou aproximadamente uma hora, acompanhado pelo responsável pelas entregas técnicas, que me orientou sobre a utilização dos recursos. Depois de alguns metros pela Avenida Centenário, seguimos para uma rua extremamente irregular. Foi ali que o Tiggo mais me surpreendeu: a suspensão absorveu as imperfeições com uma maciez que me lembrou a de um sedã Ford.

Durante o teste, confesso que não acompanhei o consumo instantâneo. O espaço, o acabamento e o conforto estavam ocupando minha atenção. Segundo o Inmetro, o Tiggo 8 1.6 turbo a gasolina apresenta 10,0 km/l na cidade e 12,5 km/l na estrada. São valores de referência, que podem variar conforme o trânsito, o percurso e a maneira de dirigir.

Por dentro, o Tiggo 8 Pro transmite uma sofisticação que ajuda a explicar minha expectativa de um preço maior. O volante com base achatada, o teto solar panorâmico e o cuidado com os acabamentos compõem um ambiente bastante agradável. Há bancos dianteiros com ajustes elétricos, aquecimento e ventilação, recursos que eu associava a veículos de categorias mais caras.

Gostei especialmente da maneira como a tecnologia ajuda a lidar com o tamanho do carro. A visão panorâmica das câmeras chamou minha atenção pela nitidez e pela facilidade de perceber obstáculos próximos durante as manobras. O sistema é divulgado como visão de 540° e trabalha ao lado dos sensores de estacionamento dianteiros e traseiros. É um auxílio valioso, que complementa a observação direta do trânsito e dos retrovisores. A iluminação ambiente e as luzes de boas-vindas também reforçam o capricho da apresentação.
No painel, o destaque é o conjunto curvo de 24,6 polegadas, que integra os instrumentos e a central multimídia. O sistema de som tem assinatura Sony e oito alto-falantes, completando a experiência a bordo. Aliás, o próprio nome Tiggo 8 Pro me remete a um smartphone de última geração. Pelo nível de tecnologia e pela apresentação do veículo, a nomenclatura parece bastante compatível com o que ele entrega.

Entre os pontos de atenção, senti falta de um curso maior na regulagem de profundidade do volante. Sim, leitor(a) isso faz diferença pra mim. Embora a ergonomia tenha me agradado no conjunto, gostaria de poder aproximá-lo um pouco mais para encontrar minha posição ideal de dirigir, que pra mim é a posição de piloto.

A suspensão é extremamente macia, com uma proposta claramente voltada ao conforto. Todavia, numa condução mais técnica, é possível perceber que o veículo fica um pouco “mole”. A mesma característica que me surpreendeu positivamente na rua irregular pode não agradar tanto a quem prefere um comportamento mais firme. Para o uso familiar, a maciez foi um dos grandes atrativos do carro.

É muito difícil conhecer completamente um veículo em apenas uma hora, mas esse tempo foi suficiente para perceber o quanto os modelos hoje oferecidos pela CAOA Chery se distanciaram daquela imagem que eu guardava dos chineses de uma década atrás. A mudança aparece no acabamento, na apresentação e na experiência ao volante. Ao menos nesse primeiro contato, encontrei um produto muito mais próximo do que o consumidor brasileiro espera — e, em alguns aspectos, do que eu esperava encontrar em carros mais caros.

Os carros da CAOA Chery, em especial o Tiggo 8 Pro, são atraentes, e fico curioso para ver como essas unidades estarão daqui a uma década. Para quem pretende permanecer muitos anos com o mesmo veículo, interessa saber como o conforto, o acabamento e tantos equipamentos resistirão ao tempo. Essa é uma parte da história que uma volta ao volante não consegue contar. Torço, porém, para que a Chery alcance no Brasil o mesmo sucesso que a Hyundai conquistou, ou até o supere.
Ficha técnica do veículo: https://caoachery.com.br/novos/tiggo-8-pro
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