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Chevrolet Opala Comodoro SL/E 1989: carro para frear a rotina

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Conhecendo um veículo terapêutico

Por Tiago Sasso03 de setembro de 2026 5 min de leitura
Tiago Castelli Sasso

Atualmente, grande parte da competitividade entre montadoras está na conectividade dos veículos com smartphones, telas enormes e carregadores por indução que trazem o mundo em tempo real ao painel. Isso faz pensar: será que a ansiedade do celular não está sendo transferida para o carro? O Opala Comodoro SL/E, porém, não busca isso. Equipado apenas com rádio AM/FM, seu objetivo é proporcionar uma direção genuína, sem pressa, permitindo que o momento seja só dos ocupantes e da estrada.

Os projetos de Opalas, considerado como “muscle car” brasileiro, geralmente priorizam originalidade e/ou performance. Neste Comodoro SL/E, porém, o visual autêntico se alia à funcionalidade. Meu amigo Rodrigo Ronchi Millioli, entusiasta de 20 anos de idade, conduz um modelo de 1989 que foge das preferências automobilísticas dos colegas. Seu carro dos sonhos valoriza a experiência ao volante, e a única conexão presente é entre o homem e a máquina.

O Opala Comodoro SL/E é um sedã grande, de luxo, que marcou gerações no Brasil entre as décadas de 60 e 90. Direção hidráulica, vidros e travas elétricos, retrovisores com regulagem elétrica e ar-condicionado entregavam todo o conforto disponível para a época, aliados a um acabamento sofisticado, com bancos em veludo e, muitas vezes, painel de cores distintas. Mais do que um carro, representava uma identidade. Hoje, dificilmente encontramos alguém que não tenha ao menos um mínimo de apreço pelo Opala.

Sob o capô de abertura invertida, o Opala em questão traz um motor 4 cilindros de 2,5 litros, naturalmente aspirado, carburado e movido a gasolina, entregando 88 cv e 19 kgfm de torque originais. O conjunto é muito bem acertado: ao rodar, não se percebem falhas, independentemente da faixa de rotação em que o propulsor esteja trabalhando, e a marcha lenta se mantém estável. Com o carburador regulado para extrair um pouco mais de potência e uma descarga esportiva, o ronco ganha protagonismo, fazendo com que o rádio original AM/FM se torne ainda mais dispensável.

Utilizado religiosamente aos finais de semana, o Opala cumpre tanto o papel de transporte quanto o de “dar trabalho”. Mais do que rodar, exige atenção: ajustar, revisar, restaurar e evoluir fazem parte da experiência, que é tão prazerosa quanto conduzi-lo. O consumo gira em torno de 4 km/l em uso urbano e com gasolina, com o carburador ajustado para privilegiar desempenho. A mecânica permanece essencialmente original, com alguns componentes voltados à confiabilidade e eficiência, como o radiador, o compressor do ar-condicionado e os sistemas de filtragem.

O interior do Comodoro SL/E, para os padrões atuais, pode parecer enxuto, mas o painel na coloração azul pilot e os bancos em veludo são de dar inveja a muitos veículos 0 km. Todos os comandos são analógicos, simples e diretos, e surpreende a presença de regulagem elétrica dos retrovisores para um modelo da época. Este exemplar é levemente rebaixado, no limite entre para-lama e pneu, e se mantém íntegro, ostentando com orgulho a cobiçada placa preta.

Conduzir um Opala é uma experiência envolvente, mas que exige consciência ao volante. A aceleração deve ser dosada, especialmente pela tração traseira e pela ausência de controle de tração. A frenagem também pede antecedência: sem ABS, o motorista precisa compreender as reações do carro e respeitar seus limites. Não há sequer indicador de troca de marcha: o condutor precisa conhecer o carro para guiá-lo da melhor forma. O sincronismo necessário nas trocas lembra uma valsa bem executada, tornando cada quilômetro parte do passeio — ainda que seja prudente levar itens básicos, como fluido de arrefecimento e uma tampa de radiador reserva.

A única mídia que o carro possui é um rádio AM/FM da Bosch, modelo San Francisco, original, sem toca-fitas ou qualquer conectividade. O veículo não faz questão nem de mostrar a hora: ele apenas espera que você ande com ele e ouça a sinfonia do conjunto mecânico trabalhando.

A mecânica do veículo está irretocável, mas ainda há detalhes estéticos a serem resolvidos, algo que já está no cronograma do carro. O consumo de cerca de 4 km/l em uso urbano e com gasolina me pareceu um tanto elevado diante da potência que o veículo entrega. Por mais que a proposta seja passeio, eu, particularmente, gostaria de um Opala que permitisse sair de traseira com certa facilidade durante uma aceleração menos comedida.

Sempre admirei o Opala pela tração traseira e pela possibilidade de preparação que o motor oferece. Este Comodoro SL/E me mostrou outra ótica: não apenas potência, mas a experiência de conduzir um veículo que dispensa mídias e proporciona desconexão da rotina. Um carro assim, além de gerar conversas — muitas pessoas, ao vê-lo, aproximam-se para conversar sobre o carro —, torna-se um objeto de criação de memórias para quem o utiliza.

No país mais ansioso do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), onde tudo é conectado e as informações chegam a todo instante, guiar um Opala é um privilégio. Sem alertas, telas ou notificações, o carro apenas anda — e anda bem —, permitindo que cada quilômetro seja vivido no ritmo de quem está ao volante, sem pressões externas.

Para você, qual é a configuração ideal de Opala para desacelerar e aproveitar cada quilômetro sem pressa?

Ficha técnica do veículo: https://www.carrosnaweb.com.br/fichadetalhe.asp?codigo=9613

Youtube: https://youtu.be/TCGGQK9O1IQ

Instagram: https://www.instagram.com/automobilista_ti

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