Democracia em perigo com fechamento do parlamento em Israel, declara oposição
Netanyahu autorizou uso de dados da Agência de Segurança do país

Por André Abreu - contexto@engeplus.com.br
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Israel parece estar se aproximando de uma crise constitucional, quando opositores de Netanyahu saíram às ruas e se voltaram para a Suprema Corte para combater uma série de medidas sem precedentes tomadas pelo primeiro-ministro ao enfrentar a pandemia de coronavírus.
Nos últimos dias, Netanyahu e seus apoiadores fecharam o sistema judicial, aprovaram o uso de sofisticada tecnologia de vigilância através de telefones celulares para o público em geral e suspenderam temporariamente as atividades do parlamento, o Knesset.
Embora Netanyahu tenha defendido as medidas como extraordinárias, seus oponentes o acusam de minar as fundações democráticas de Israel em uma tentativa desesperada de consolidar seu domínio do poder e atrapalhar um iminente julgamento criminal depois de ter se enfraquecido após as eleições parlamentares deste mês.
"O estado de Israel deve fazer duas coisas muito importantes no momento: lidar com a crise dos coronavírus sob a perspectiva de saúde, econômica e social e, ao mesmo tempo, preservar a democracia israelense", Benny Gantz, seu oponente e líder do Partido Azul e Branco , disse à TV israelense Channel 12. "Precisamos ter muito cuidado para não se aproximar das margens da ditadura."
Nas eleições deste mês, o Partido Likud de Netanyahu emergiu como o maior partido único do Knesset, ou parlamento. Mas com seus partidos religiosos e nacionalistas menores, ele controla apenas 58 cadeiras, três a menos que a maioria necessária para formar um governo.
Gantz tem o apoio de 61 parlamentares e foi convocado esta semana pelo presidente do país para tentar formar um novo governo. O ex-chefe militar tem um mês para concluir a tarefa.
Enquanto isso, ele está ansioso por aprovar uma série de projetos de lei que poderiam encerrar a carreira de Netanyahu, impondo limites de mandato e proibindo um político indiciado de servir como primeiro-ministro.
O impasse de formação de um novo governo sob o comando de Gantz está sendo criado pelo atual primeiro-ministro, que com sua influência tem determinado os caminhos políticos de Israel por 13 anos e é ainda apelidado de Rei Bibi no país.
Uso da agência de segurança para impedir propagação do coronavírus
A agência de segurança de Israel, conhecida como Shin Bet, foi autorizada pelo governo do país a usar seus recursos tecnológicos para ajudar a impedir a propagação do coronavírus.
Segundo relatos da mídia israelense, os esforços de vigilância tratam principalmente do monitoramento dos telefones celulares daqueles que estão infectados e da mesma tecnologia usada na luta contra o terrorismo.
A disseminação do vírus representa uma ameaça significativa para os cidadãos, a economia e a segurança nacional de Israel, acrescentou a Shin Bet no comunicado.
Mais de 300 pessoas estão confirmadas como infectadas pelo vírus, segundo o Ministério da Saúde. Até agora não houve mortes.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou a medida na noite de segunda-feira (16), sem dar detalhes concretos. Segundo relatos da mídia, o monitoramento envolve rastrear os telefones das pessoas infectadas para ver com quem elas estavam em contato antes do diagnóstico.
Além disso, pode-se verificar se a pessoa violou as regras da quarentena doméstica. Milhares de israelenses estão atualmente isolados.
De acordo com a emissora de TV Kan, o gabinete aprovou uma lei de emergência dando o aval a Shin Bet na terça-feira passada, ignorando o parlamento e o subcomitê necessário para promover as medidas, que foram criticadas como antidemocráticas.
Benny Gantz, o líder da Aliança Azul e Branco que recebeu a difícil tarefa de formar um governo após a terceira eleição de Israel em um ano, se opôs à decisão do gabinete.
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