Dia D: memórias de quem viveu a guerra e não podemos esquecer
Por Joice Quadros
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Neste 6 de junho, em 1944, cerca de 156 mil soldados aliados desembarcavam na Normandia, apesar do mau tempo e da brutal defesa alemã. O desembarque foi a primeira etapa da Operação Overlod, que seria a invasão da Europa ocupada pelas forças nazistas, com o objetivo de por um fim à Segunda Guerra Mundial. A guerra terminaria um ano depois. Em 1944, mais de 2 milhões de soldados de mais de 12 países, lembrando que do Brasil também, estavam no Reino Unido preparando-se para a invasão. As praias escolhidas para a invasão foram Sword, Juno, Gold, Omaha e Utah. Em Omaha, cerca de 4 mil homens foram mortos ou feridos. Uma unidade americana que chegou na primeira onda de soldados perdeu 90% de seus homens. Mais de 100 milhões de combatentes foram envolvidos.
Memórias tristes
São memória tristes para serem lembradas em momentos que países líderes mundiais não se entendem e tentam arrastar a todos para um novo conflito mundial. Sei de meninos – um deles foi meu pai Djalma Quadros – que com 14 anos foram tirados de suas casas em Santa Bárbara do Sul, no interior gaúcho, e levados amontoados em trens Maria Fumaça para São Paulo e depois para Natal, no Rio Grande do Norte, na base bélica montada pelos norte-americanos, para se prepararem e irem à guerra.
A criança que viveu a guerra
Conheci a pouco tempo uma senhora que nasceu na Itália em 1941 e tem lembranças de uma menina que, com 4 anos, viu sua casa invadida por forças alemãs. Dos avisos em bilhetinhos lançados de aviões para desocuparem o lugar onde estavam porque em duas horas seria bombardeado. Que depois de uma vida feliz e de fartura, passaram quase dois anos apenas se alimentando de pequenas porções de trigo para não morrerem de fome. Que viu aviões caíndo em chamas e bombas jogadas no pátio de sua casa. Entre muitas outras. Hoje ela mora em Santa Catarina, está muito bem e viveu para nos contar e servir de exemplo.
Os tristes dias atuais também
Não se trata de lamentações, mas devemos, sim, além de lembrar todos estes fatos, nos dar conta dos inúmeros pequenos conflitos e agressões de países que provocam, hoje, a fome, a miséria e a destruição de famílias. Mais ainda, em dar um basta e um freio aos líderes e governantes que com sua irresponsabilidade podem nos levar a um novo conflito mundial.
Uma notícia feliz
Entrevistando o ex-vice-prefeito Mário Sônego, ele contou que estava um dia no cinema, no centro de Criciúma, assistindo a sessão da tarde. De repente, começou a ouvir sons de tiros ou foguetes... não sabia bem o que era... e saíu correndo com todos que estavam no cinema para a praça em frente. Para felicidade de todos, eram foguetes anunciando e comemorando o fim da Segunda Guerra Mundial. O dia 8 de maio de 1945 entrou para a História como o Dia da Vitória, em que as forças aliadas derrotaram o exército nazista.
Outros acontecimentos tristes se seguiram, como as bombas atômicas em Hiroschima e Nagazaki, que não esqueceremos de lembrar.
Joice Quadros. Economia, Mercado e Política. Bacharel em Jornalismo (UFRGS). Professora e Pesquisadora, com obras publicadas. Cadeira 28 da Academia Criciumense de Letras e Membro da Diretoria da Associação de Jornalistas Escritoras do Brasil/Santa Catarina. Nasceu em Santo Ângelo (RS).

