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Ford Ranger XLT 2026: por que tanta gente compra pick-up sem precisar de caçamba

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Projetada para a lavoura, utilizada também, no dia a dia

Por Tiago Sasso20 de agosto de 2026 5 min de leitura
Tiago Castelli Sasso

Suspensão mais firme, dimensões grandes para o uso urbano, consumo maior que o de um sedã ou SUV e uma caçamba que muitas vezes nunca irá carregar sua capacidade máxima. Ainda assim, as pick-ups continuam sendo objeto de desejo de uma parcela enorme do público.

Tenho apreço por pick-ups — apesar de não precisar de uma — e pelos veículos da Ford, embora ainda carregue certo ressentimento pelo encerramento da Troller no Brasil. Transitando diariamente pela Avenida Centenário, uma placa anunciando o valor promocional da Ranger chamou minha atenção. A curiosidade falou mais alto e resolvi entrar para conhecer melhor o veículo. Fui prontamente atendido pela equipe de vendas e pela gerência da Forauto, que me permitiu realizar um breve test-drive.

Desde 1994, as pick-ups médias da Ford fazem parte do cotidiano do brasileiro, seja no trabalho, no campo ou nas cidades. Ao longo dessas três décadas, a evolução técnica foi constante, acompanhando as mudanças no perfil de uso do público. O que antes era essencialmente uma ferramenta de trabalho passou também a ocupar o papel de veículo familiar e de lazer. Mas é especialmente a partir da geração lançada em 2024 que esse salto evolutivo se torna ainda mais evidente.

O conjunto mecânico é uma das maiores novidades deste veículo. O motor 3.0 V6 turbodiesel trabalha com um câmbio automático de 10 marchas — da mesma família do Mustang — acoplado a um conversor de torque, que entrega 250 cv e 60 kgfm. Há ainda diferentes configurações de tração, com quatro modos selecionáveis, além de bloqueio de diferencial e assistente de descida. Oficialmente a Ranger faz 0 a 100 km/h em 8,4 segundos, mas acredito que, para preservar o conjunto mecânico, a montadora tenha restringido parte do potencial deste motor.

No uso real chama atenção o silêncio do motor para um veículo a diesel, aliado a um câmbio com trocas praticamente imperceptíveis. Segundo dados do Inmetro, o consumo é de 8,9 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada, embora haja relatos de que esses números possam ser bem melhores. No trajeto misto entre a Centenário e a Via Rápida, feito por mim em um dia de pouco movimento, registrei média muito próxima disso — ainda que exigindo bastante em retomadas para conhecer o veículo. A Ranger dispõe do sistema start-stop, que por um segundo me fez pensar ter causado uma pane seca ao parar o veículo em um sinal vermelho e o motor se desligar.

Percebe-se que o veículo será confortável já ao sentar no banco, que inclusive possui regulagem elétrica. Sendo uma pick-up, é natural que os cinco lugares acomodem bem, embora o assento traseiro pudesse ser um pouco mais alto em relação ao assoalho — algo típico em todas as camionetes. O painel é completamente polimérico, com soft-touch apenas nas áreas onde os ocupantes realmente encostam, o que considero a solução ideal.

Se não fosse pela altura e por enxergar um capô e retrovisores grandes, eu diria que estava dirigindo um sedã. O veículo é extremamente silencioso e macio ao rodar; a direção elétrica e as trocas de marchas praticamente imperceptíveis fazem esquecer que se trata de um modelo capaz de transportar até uma tonelada de carga. A Ranger é munida de diversos recursos de assistência à condução e segurança de série. Ainda assim, senti falta do alerta de ponto cego, presente nas versões Limited e Limited Plus.

Com um painel digital de 8” e uma central multimídia SYNC 4 de 10”, que lembra um tablet, o sistema funciona por comandos de voz, espelha smartphones sem cabo e possui carregador por indução. O sistema de som também apresenta boa qualidade. Mesmo com toda essa tecnologia, a Ranger mantém botões físicos para regulagem do ar-condicionado e do sistema de som. Isso é bastante significativo quando não se está conduzindo o veículo em uma estrada regular.

A regulagem elétrica do banco do motorista é muito boa, todavia os comandos ficam muito próximos ao porta-objetos da porta, o que me obrigou a abri-la para realizar o ajuste. Também não há luz de cortesia no espelho do quebra-sol. Para mim não é um problema, mas acredito que alguns usuários possam sentir falta desse detalhe. No geral, trata-se de um veículo quase irretocável.

Este veículo certamente me faria entrar para a estatística das pessoas que possuem camionete sem realmente precisar de uma. A experiência de conduzir a Ford Ranger foi instigante, mesmo considerando a possibilidade de entrar pó na caçamba e sujar as malas. O desempenho do conjunto e a dinâmica veicular como um todo agradam bastante. Soma-se a isso a possibilidade de brincar com o 4x4 e o bloqueio de diferencial, algo que possibilitaria algo a mais que uma expedição.

O sucesso das pick-ups modernas está, majoritariamente, na combinação de duas características: a possibilidade de transportar grandes cargas e volumes e, ao mesmo tempo, oferecer nível de sofisticação e conforto muito próximo ao de carros dedicados apenas ao passeio.

E você, escolheria uma Ranger ou outra pick-up para ser teu carro canônico?

Ficha técnica do veículo: https://www.carrosnaweb.com.br/fichadetalhe.asp?codigo=40152

Youtube: https://youtu.be/I4OAgOeGRRA

Instagram: https://www.instagram.com/automobilista_ti/

Um adendo: Valor divulgado no veículo é referente a data em que foram feitos os registros fotográficos.

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