Engeplus
NossaCasa

O jogo dos números e percentuais

Por Willi Backes

4 min de leitura

Compartilhar:

O JOGO DOS NÚMEROS E PERCENTUAIS

Publicidade

Texto – Willi Backes.

Um clube de futebol profissional, associação desportiva, é regido por seu Estatuto Social. Os Governos nas suas instâncias são regidos pela Constituição Federal. Nos dois casos, no regime propagado de Democracia, pressupõe que o desejo de 50% +1 de seus membros – nos clubes os associados, na Nação seus cidadãos com idade superior a 16 anos – determina necessária aprovação da maioria para ser respeitada e aplicada como consequência.

Nos dois casos constitucionais – clube e na política eleitoral – votos dos participantes associados e cidadãos é obrigatório.

NA ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA A REGRA ESTATUTÁRIA É RESPEITADA

Percebam o que ocorreu no Criciúma Esporte Clube. O Presidente do Conselho Deliberativo do Clube, Guilherme Burigo, convocou para o dia 25 de Outubro último, os 300 Conselheiros Transitórios e Vitalícios, para que no período das 9h às 19h, comparecessem para votação na sede da Entidade, mudança pretendida no Artigo 25 do Estatuto Social, que previa adequação e ajuste, possibilitando credenciamento junto à Entidade Federal na busca de recursos para investimentos sociais e promoção desportiva.

Para tal adequação redacional era necessário a presença de no mínimo de 151 Conselheiros, o tal do 50% + 1 associado. Compareceram apenas 127 Conselheiros que depositaram suas assinaturas aprovadoras, o que determinou a falência institucional dos demais, da maioria.

Novo edital de convocação deverá ser propagado nas próximas semanas, até que provoque ação motivacional para alcance da necessária maioria.

NA POLÍTICA, A MAIORIA DESABONA O ELEITO

Números das eleições brasileiras, segundo turno, para Presidência:

156.454.011 – 100% dos eleitores com obrigação para votação.

123.682.372 – 79,05% comparecimento para votação.

118.552.353 – 75,77% votos válidos dos que compareceram.

32.770.982 – 20,95% dos eleitores abstiveram de votar.

3.930.765 – 2,16% dos eleitores anularam os votos.

1.769.678 – 1,43% dos eleitores votaram em branco.

58.206.354 – 49,1% dos votos válidos foram para Jair Bolsonaro.

60.345.999 – 50,9% dos votos válidos foram para Lula da Silva.

Publicidade

A conta matemática é simples: Jair Bolsonaro recebeu aval de 37,20% dos brasileiros aptos para votar e Luiz Inácio Lula da Silva recebeu aval de 38,57% dos votos, ou seja, irá governar o Brasil com apenas aproximadamente 1/3 dos votos do total possível e obrigatório. Assim sendo, 2/3 dos brasileiros, 96.108.012 ou 61,42% dos que tem na Constituição Federal obrigação de votar, são opositores ao eleito, ou são omissos ou desatentos ou perambulantes.

MATEMÁTICA NO ESTADO DE SANTA CATARINA

Números das eleições no primeiro turno Deputados e Governador no segundo turno:

5.499.658 – 100% dos eleitores com obrigação para votação.

4.527.781 – 82,32% comparecimento para votação.

4.220.965 – 76,74% votos válidos dos que compareceram.

956.558 – 17,44% dos eleitores abstiveram de votar.

141.361 – 3,66% dos eleitores anularam o voto.

165.445 – 3,67% dos eleitores votaram em branco.

1.237.016 – 29,31% dos votos válidos foram para Décio Lima (PT).

2.983.949 – 70,69% dos votos válidos foram para Jorginho Mello (PL).

A conta matemática aqui é também simples, mas também alvissareira para o eleito. Décio Lima recebeu os votos de 22,49% possíveis e Jorginho Mello recebeu o aval de 54,25% de votos de todos os Catarinenses credenciados, fato esse que aparenta ser ÚNICO em todo o Brasil. No caso, Jorginho Mello ultrapassou os 50% + 1, tão requisitados e determinados em atos e fatos democráticos com inserção popular.

Para reflexão, importante considerar o sistema eleitoral existente, quando somados os votos digitados para as candidaturas a Deputado Federal e Estadual, estão longe de representar o desejo para representação da maioria. O tal calculo da proporcionalidade descalibra o desejo da maioria.

Santa Catarina que tem 5.499.658 eleitores credenciados para votação obrigatória, acaba de eleger 16 Deputados Federais que somados receberam 1.785.517 votos, ou seja, 32,46% dos votos possíveis.

Assim, 3.714.141 Catarinenses, 67,54% podem não se sentir representados, já que votaram em outro candidato não eleito, ou optaram pela abstenção, voto nulo e ou branco.

No caso da eleição para Deputado Estadual, a conta é também simples. Foram eleitos 40 Deputados Estaduais, que somados conquistaram a confiança de 1.916.302 votos, ou seja, 34,84% do total de 5.499.658 possíveis e obrigatórios. Assim, 3.583.356 eleitores credenciados, 65,16%, não teve seu candidato eleito, se absteve de votar, ou ficou no ridículo voto nulo e ou em branco.

Compartilhar:
Leia a seguirCasaPronta 2022
Publicidade