Ocupação de hotéis em Criciúma cai nos fins de semana e setor cobra calendário de eventos
Joster Favero defende orçamento específico para o turismo
Por Rafaela Custódio
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A taxa de ocupação dos hotéis em Criciúma preocupa o setor de turismo, especialmente nos fins de semana. A avaliação é do presidente da Via Gastronômica de Criciúma e do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes da região Sul, Joster Favero, que defende a criação de um calendário estruturado de eventos e um orçamento específico para o desenvolvimento do turismo no município.
Ao analisar o cenário estadual, Favero destacou que, apesar dos bons números nacionais, Santa Catarina enfrentou dificuldades nos últimos meses. “Realmente, a gente vive um momento em que, em nível nacional, os números do turismo foram os melhores registrados nos últimos tempos. Mas, em Santa Catarina, a gente realmente teve problema”, afirmou em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.
Ele citou dados recentes da capital catarinense para ilustrar o cenário. “Recebi hoje pela manhã que a taxa de ocupação de 2025 fechada em Florianópolis não chegou a 45% dos hotéis. Então, imagina uma cidade que vive do turismo, você fechar abaixo de 45% o ano de 2025?", lamentou.
Realidade local
Ao trazer a análise para o Sul de Santa Catarina, Favero afirmou que Criciúma registra queda gradual na taxa de ocupação ao longo dos anos. “Ela vem ano a ano caindo essa taxa de ocupação da rede hoteleira. Não só nos finais de semana, mas também durante a semana”, observou.
Durante os dias úteis, os índices ainda são considerados razoáveis. “No geral, a nossa taxa de ocupação, aqui na questão de Criciúma, durante a semana, aí alguns hotéis foram passando, durante a semana chega de 65% a 75%, a taxa de ocupação dos leitos na cidade de Criciúma”, completou.
A queda, no entanto, é acentuada a partir de quinta-feira. “De quinta a domingo, cai para 19% a taxa de ocupação da rede hoteleira”, destacou. Favero comentou que apenas dois associados apresentam índices mais elevados. No geral, segundo ele, os demais estabelecimentos ficam abaixo de 49% de ocupação anual dos leitos em Criciúma.
Eventos como alternativa
Para Favero, a principal estratégia para reverter o quadro é a consolidação de um calendário permanente de eventos. “A gente precisaria conseguir desenvolver um calendário, e aí entra o papel do Poder Público de ser um indutor nesse sentido, de termos eventos que movimentam mais a cidade”, projetou.
Ele citou como exemplo um dos poucos eventos de grande impacto no município. “Hoje, de grande porte, que faz um impacto tremendo, por exemplo, para data, já não tem mais leito de hotéis, é o evento da Abba Pai Church, que é o evento das mulheres, que traz mulheres do exterior e do Brasil inteiro. Esse é um evento espetacular pra gastronomia e para a hotelaria. Fora isso, a gente não tem um grande evento hoje que impacte diretamente”, afirmou.
O presidente defende planejamento e orçamento específico para o setor. “Ter um orçamento definido para a questão de desenvolver o turismo, tratar o turismo como um segmento econômico que merece a devida atenção. Nós queremos que as agências de viagem de Criciúma não sejam só emissivas, elas sejam receptivas também”, frisou.
Segundo Favero, a cidade já conta com estrutura adequada. “Hoje nós temos, por exemplo, restaurantes e hotéis, portas abertas acima da demanda da cidade. Isso é um fato. Nos últimos seis anos, foram abertos quase 400 novos leitos em Criciúma”, lembrou. O presidente também mencionou o diálogo com a administração municipal. “Vamos marcar uma reunião com o prefeito Vagner Espindola para a gente sentar, para buscarmos esses encaminhamentos”, pontuou.


































