Velocidade na construção
Luta pela sobrevivência na China
Por João Rieth
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O país mais populoso do mundo surpreende com suas façanhas inéditas principalmente em se tratando de desenvolvimento tecnológico e de comportamento social.
O governo da China está construindo velozmente um hospital com 1.000 leitos em Wuhan, como parte de seus esforços para conter e tratar pacientes suspeitos de contrair o coronavírus. O Hospital Wuhan Huoshenshan terá uma área construída de 25.000 metros quadrados, localizado no distrito de Caidian, a oeste da cidade de Wuhan, para tratar pacientes com o coronavírus. O vírus já infectou mais de 4.000 pessoas na China e se espalhou por toda a região, com casos relatados na Tailândia, Vietnã, Hong Kong, Taiwan, Nepal, Malásia, Cingapura, Austrália, Japão e Coréia do Sul. Casos também foram relatados nos Estados Unidos e na França. Até o momento, não houve mortes fora da China. O hospital pré-fabricado foi inaugurado no dia 3 de fevereiro, após um árduo trabalho durante 10 dias, dioturnamente, com mais de 60 escadaveiras, após o início da construção.
"A China tem um histórico de fazer as coisas rapidamente, mesmo em projetos monumentais como este", disse Yanzhong Huang, pesquisador sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores. "Este país autoritário depende dessa abordagem de mobilização de cima para baixo. Eles podem superar a natureza burocrática e as restrições financeiras e são capazes de mobilizar todos os recursos". O governo local também está construindo uma segunda instalação maior em Wuhan, que será chamada de Hospital Leishenshan. Espera-se que este hospital seja inaugurado em 15 dias uma vez que a cidade de Wuhan, na província central de Hubei, está no centro do surto viral. Para restringir a propagação do vírus, o governo chinês bloqueou a população de 60 milhões de habitantes de Hubei - promulgando restrições de viagens, completas ou parciais em toda a província. Para bater este recorde mundial em termos de construção civil, não poderia ser utilizado outro sistema construtivo a não ser aquele de pré moldados de concreto. O que espanta é a natureza da edificação, uma vez que projetos hospitalares são os mais complexos no que se refere aos condicionantes específicos de uso. "O sistema de construção é o mesmo de um prédio de escritórios europeu," observa explica o arquiteto Ramón Araujo, diretor do Mestrado em Construção e Tecnologia da Escola Técnica Superior de Arquitetura de Madri (ETSAM). : "São estruturas metálicas pré-fabricadas unidas por parafusos. É possível erguer um andar por dia. Só é preciso colocar os módulos (fachadas e blocos internos) que vêm completamente montados, com as janelas e as instalações. Não colocam tijolo por tijolo. É a coisa mais próxima da montagem de vagões de trem", explica . A arquitetura moderna nasceu de tudo isso, “e com as estruturas de aço e concreto armado e as fachadas leves se generalizou uma maneira de construir muito mais rápida do que a anterior, de tijolo e pedra, e isso foi crucial para seu sucesso", continua. Daí surgiu a pré-fabricação que permitiu “a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial com todo o tipo de novas patentes à base de elementos e módulos pré-fabricados”. Nesta época, destaca sobretudo, sua aplicação ao crescimento da Rússia e dos países do Leste Europeu.



