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Yamaha Ténéré 700 2026: ame ou respeite-a

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A espera de quase uma década chegou ao fim

Por Tiago Sasso13 de agosto de 2026 5 min de leitura
Tiago Castelli Sasso

Durante quase uma década, a Yamaha deixou um vazio importante entre as motocicletas de média cilindrada voltadas à aventura no Brasil. Enquanto outros mercados já conviviam com a Ténéré 700, por aqui ela existia apenas nas páginas de sites estrangeiros e nos vídeos do YouTube. Nesse intervalo, frustração e expectativa cresceram. Agora, com sua chegada, surge a pergunta inevitável: ela se manterá como o ícone que outrora foi?

Desde criança eu admirava a Ténéré 600 e a Super Ténéré 750 passando pela rua com seu característico ronco, que por vezes me lembrava o som de um helicóptero. Aquela motocicleta grande e alta chamava minha atenção, principalmente nas clássicas cores azul e amarela. Já adulto, passei a admirar também as versões 660 e 1200. Agora, felizmente, temos a oportunidade de adquirir o projeto mais refinado dessa linhagem: a Ténéré 700, inclusive com a mesma grafia que marcou as décadas de 80 e 90.

O nome Ténéré tem origem em uma região do deserto do Saara conhecida por suas condições extremas. Foi justamente nesse ambiente que a Yamaha construiu a reputação da linhagem nas décadas de 80 e 90, com motocicletas derivadas da XT600 que competiam no Rally Paris-Dakar. Desde então, a palavra Ténéré passou a representar algo maior que um modelo: uma filosofia de motocicletas pensadas para atravessar longas distâncias em condições difíceis.

A Ténéré 700 utiliza o conhecido propulsor Crossplane 2 (CP2), um bicilíndrico de 689 cm³ capaz de entregar cerca de 69 cv e 6,6 kgfm de torque. O conjunto trabalha com câmbio de seis marchas — relação que faltava na antiga Ténéré 660. A motocicleta possui rodas de 21 polegadas na dianteira e 18 na traseira, além de suspensões de longo curso com regulagens manuais, exatamente o que se espera de uma moto com esta proposta.

O teste realizado foi exclusivamente urbano, um cenário um pouco distante da proposta original da motocicleta. Ainda assim, foi possível perceber uma dianteira leve, que favorece manobras e a transposição de obstáculos. Mesmo com rodas grandes, a motocicleta responde bem a mudanças rápidas de trajetória com o uso do contraesterço. Apesar da altura, não senti dificuldade em lidar com a moto no trânsito.

O tanque estreito e o assento plano, pensados para a pilotagem off-road, permitem bom encaixe das pernas e grande liberdade de movimentação sobre a motocicleta. Em alguns momentos, chega-se a esquecer que se está sobre uma máquina de 700 cilindradas. As pedaleiras largas transmitem segurança e convidam o piloto a conduzi-la em pé.

O ronco do conhecido motor CP2, mesmo utilizado na MT-07, mas com calibração diferente, é instigante e responde bem, melhorando muito acima das 6 mil rpm. A suspensão com regulagens possui curso generoso e copia muito bem o relevo, enquanto o sistema de freios Brembo, com mangueiras em malha de aço, transmite o acionamento do freio diretamente aos pneus. É um projeto empolgante.

O ABS possui três modos de atuação — dianteira e traseira, apenas dianteira ou totalmente desligado — enquanto o controle de tração também pode ser desativado rapidamente pelo painel.
A interface com o piloto é simples e funcional. A tela vertical TFT de 6,3” transmite bem as informações essenciais. Há conexão com o smartphone por meio do aplicativo Yamaha Y-Connect, permitindo navegação “turn-by-turn”, controle de chamadas e música.

A navegação pelos menus é feita por um joystick ergonômico de cinco direções, e a tomada USB-C protegida facilita o uso de dispositivos durante a viagem. Ao entrar no off-road, você não precisa parar a motor para configura-la, poucos comandos e ela estará no ponto para você extrair o máximo de desempenho.

A Yamaha poderia ter comercializado a T700 no Brasil já com quick-shifter instalado, tendo em vista o preço de venda. Na segunda marcha, até cerca de 6 mil rpm, não sei exatamente por qual motivo o motor não entrega toda a potência que o piloto solicita, deixando-a menos divertida e prejudicando algumas manobras no off-road. Mas nada que um remap não resolva.

Essa motocicleta teria um espaço privilegiado na minha garagem. Além da questão nostálgica, ela carrega um projeto que já foi campeão em provas de rali, tanto no Brasil quanto no exterior. Dentre as opções disponíveis no mercado, se meus destinos fossem de Criciúma até o Cânion Espraiado, ou se eu quisesse uma moto para viajar e participar da Trilha da Lua Cheia, com certeza essa seria uma das minhas primeiras escolhas.

A espera acabou, a Ténéré 700 chega ao Brasil mantendo aquilo que sempre definiu essa linhagem: simplicidade mecânica, vocação aventureira e um projeto pensado para quem realmente gosta de pilotar. É uma motocicleta feita para pilotos — e, se você ainda não se considera um, ao adquirir uma provavelmente se tornará.

E no seu caso: a nostalgia falou mais alto ou a T700 acabou de criar um novo entusiasta? Afinal, certas motocicletas não são para se locomover — elas foram feitas para emocionar.

Ficha técnica do veículo: https://www.yamaha-motor.com.br/product/tenere-700-156320

Youtube: https://youtu.be/UoMzRlzEtSY?si=gIBIcif2JXh60kuM

Instagram: https://www.instagram.com/automobilista_ti/

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