
Quando o ex-Presidente Antenor Angeloni nos anos 70/80, reanimou o então Comerciário EC, aprovando a denominação para Criciúma Esporte Clube e na sequência inovar com alteração das cores e o uniforme do clube - apesar do CNPJ continuar o mesmo – pretendia e convenceu a maioria de que era necessário a cidade e a região, agregar esforços e torcida para uma agremiação forte, consistente e durável nas suas pretensões.
Torcedores e simpatizantes dos clubes profissionais da época, Próspera, Metropol, Atlético Operário e do próprio Comerciário, não sacaram de uma hora-para-outra da memória os sentimentos futebolísticos por essas agremiações. Entretanto, quase que de forma unânime percebeu-se que através da união, o Criciúma EC poderia, como fez, representar candidatura permanente na busca de conquistas relevantes. O Tigre foi além das perspectivas iniciais, ultrapassou fronteiras, acumulou conquistas e troféus, somou simpatias e torcida apaixonada.
O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA.
A trajetória vitoriosa perdurou por décadas, até que questões aparentemente insolúveis sugeriram privatização da gestão do clube.
A cidade de Criciúma e região sul catarinense, apesar de sua pujante história econômica e cultural, como qualquer região interiorana do Brasil, teve e tem seus movimentos de alta e baixa, influenciados por iguais movimentos da economia nacional. E mais, empresas e abnegados apoiadores também amadurecem. A recomposição e reposição não são meros desejos e vontades especulativas.
O modelo engenhado para resolver declínio da eficácia administrativa do clube, revelou-se inicialmente como salvadora, pois unia e resolvia três questões primordiais. Empresa privada sólida e líder, empresário com personalidade e liderança histórica e, retaguarda financeira própria e geradora. Foi bom para o clube, ou melhor, ótimo enquanto durou a paciência ao operador das duas funções presidenciais, locador e locatário.
O QUE FOI ÓTIMO, VIROU DILEMA.
O formato contratual que o Criciúma EC mantém, é inédito no mundo do futebol, bem como no ambiente jurídico fiscal. Até o seu final, melhor engolir em seco e não conflitar pois o prejuízo presumível restará ao clube, a Entidade.
Numa simplória analogia é possível comparar o que ocorreu e ocorre no Criciúma EC nos tempos atuais.
Um sujeito abastado resolveu comprar um carro de luxo, com a certeza que seus assessores próximos são capacitados para dirigir, manter, abastecer e cuidar do seu desejo de consumo e uso. A negociação de compra junto à concessionária foi facilitada, já que a mesma desejava propagar a negociação e reproduzir o retrato do famoso adquirente para em próprio benefício. Para tanto, até a comissão do vendedor foi reduzida, com compra quase franqueada.
Infelizmente, em pouco tempo de uso do veículo, a sua majestade “o comprador”, desgostou da tonalidade do couro que revestia os bancos do veículo. Carro quitado, quase zerado, ainda antes do segundo emplacamento, foi posto à venda com aviso prévio.
Um admirador daquele modelo de carro, próspero na sua atividade empresarial, viu na possibilidade da compra do tal veículo, realizar um sonho acalentado por longo tempo. Já havia entrado no modelo e sentido o “cheirinho” da autopromoção.
Comprou o bólido em prestações suportáveis imaginando ganhos logo ali a frente. Bastaria colocar o poderoso na estrada que logo voluntários, também emergentes, ocupariam os demais espaços na nave glamurosa.
FIZ QUE FUI, NÃO FUI, ACABEI FONDO.
A frase foi proferida pelo centroavante Claudiomiro “Bigorna”, no Inter de Porto Alegre na década de 70. O dito agora, é pertinente para a situação em que se encontra o institucional e promocional do Criciúma Esporte Clube.
O gestor comprador do carro de luxo da analogia, se depara com questões nada fáceis de serem resolvidas. Algumas, impossíveis. O carro está parado no relento. O comprador se vê inabilitado para dirigir a máquina, faltam recursos para abastecer, manter e revisar o bólido, auxiliares se revelam iniciantes para solucionar a mecânica, os populares decepcionados se debandaram negando rebocar ou empurrar o potente emperrado.
No atual estágio das coisas, o Criciúma Esporte Clube não está em condições de dispensar qualquer modalidade de auxílio salvaguarda. Predicados como a humildade, franqueza, honestidade nas ponderações, vontade inclusiva, coletividade e soma dos esforços, urgem para relação entre todas as partes, hoje repartidas, quase definitivas.
“Salvador da Pátria” só no título da ficção novelesca.
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