Da sucata à solidariedade: projeto transforma peças descartadas em computadores para famílias de baixa renda
Desde 2020, Arlan Rodrigues vem mudando a realidade de moradores de Criciúma e região

Algo que antes seria considerado descartável, agora pode se tornar valioso para alguém. Foi com este pensamento que o fotógrafo e assessor parlamentar, Arlan Rodrigues, decidiu utilizar seus conhecimentos na área de informática para ajudar pessoas que passam por situações de vulnerabilidade social. Desde 2020, o criciumense vem pegando peças inutilizáveis e transformando em computadores novos, que posteriormente são entregues gratuitamente para moradores de Criciúma e região.
Para muitos, o isolamento social em virtude da pandemia da Covid-19 foi um momento de desespero e preocupação. Porém, Rodrigues viu uma oportunidade de contribuir para uma causa social. Vivendo de eventos na área de fotografia, o morador de Criciúma teve que se reinventar e utilizou o período para começar a arrumar computadores. O que começou na cozinha da sua casa, agora é realizado em uma assistência técnica no bairro Nossa Senhora da Salete.
“Como tivemos a pandemia, os eventos foram suspensos. Porém, sempre fiz cursos na área da informática, na parte de montagem e manutenção. No início, arrumava os computadores apenas de amigos. Contudo, em três meses meu trabalho ficou reconhecido. Arrumei um local maior para conseguir trabalhar e decidi criar este projeto social. Eu pego lixo eletrônico, transformo em novos computadores e entrego para pessoas de baixa renda”, conta.

Mais de 350 famílias foram beneficiadas

Em seis anos de iniciativa, o criciumense já conta com 355 computadores doados, que beneficiaram principalmente moradores dos bairros Renascer, Paraíso, Cristo Redentor, Vila Nova Esperança e Imperatriz. Entretanto, determinados equipamentos arrumados por Rodrigues também foram doados e chegaram às casas de pessoas de Tubarão, Lauro Müller e, até mesmo, de fora de Santa Catarina, como no estado do Rio de Janeiro.
“Arrumo computadores de mesa e notebooks, independente de marca, que normalmente são utilizados para estudos e trabalho. Com isso, geralmente são máquinas que necessitam somente do acesso ao YouTube, internet e do tradicional pacote Office [Word, Excel e PowerPoint]. Na maioria das vezes, o público-alvo são adolescentes entre 12 e 15 anos. Mas também já recebi pedidos de pessoas adultas, que necessitavam de uma máquina para trabalho”, afirma.
O que de início parece algo complexo, para o assessor parlamentar é algo relativamente simples. Desde o início do projeto social, o conserto mais demorado levou três dias para ficar pronto. Porém, para a reportagem do Portal Engeplus, o técnico de informática ressalta que leva somente quatro horas para fazer as manutenções das tecnologias. No geral, os trabalhos consistem em limpeza, troca de peças e, por fim, na formatação. Posteriormente, a máquina é testada por 24 horas.
De doações, nascem novos computadores

Por ser uma iniciativa sem fins lucrativos, o projeto necessita de doações para ser mantido em Criciúma. Antes de serem recuperadas, as tecnologias são doadas por empresas ou pessoas físicas. No entanto, o fotógrafo frisa ser necessário um descarte consciente. Embora não estejam em uso, as peças dos computadores precisam estar em bom estado de aproveitamento. Às vezes, as máquinas não voltam a funcionar, mas as peças podem ser salvas e reutilizadas.
“Nesses seis anos de projeto, tenho uma frustração grande dentro de mim. Já tentei parcerias em diversos lugares, seja em órgãos públicos ou privados. Consegui provar que o projeto dá certo, pois dos 355 computadores doados, somente dois deram problemas e retornaram para minha assistência técnica, onde arrumei de imediato. É um projeto que poderia ser ampliado com parcerias. Gostaria que as pessoas também copiassem isso e espalhassem para o Brasil”, destaca.
Dos consertos, surgem boas histórias
Uma das coisas mais gratificantes para Rodrigues são as histórias colecionadas ao longo da trajetória do projeto social. Um dos principais benefícios enfatizados pelo assessor parlamentar é a ajuda para as crianças e adolescentes da Marista Escola Social Irmão Walmir, localizada no bairro Renascer, em Criciúma. No local, os estudantes assinam um contrato de uso e ficam com os computadores enquanto estiverem matriculados na instituição de ensino. Ao se formarem, devolvem o aparelho, que será entregue para um novo aluno.
Maria Vitória Barros Damásio, auxiliar de escritório e estudante de Direito, foi uma das pessoas beneficiadas pelo projeto social em Criciúma. O contato da criciumense com a iniciativa foi em 2020. Na época, por não conseguir assistir às aulas devido ao isolamento social, entrou em contato com o técnico de informática e recebeu um computador gratuitamente. Ao adquirir a tecnologia, se formou no Ensino Fundamental e Médio e agora utiliza a máquina durante a sua graduação.

“Além de ter possibilitado conseguir terminar meus estudos, o projeto foi essencial na minha vida. Minha família é bem humilde e, sem essa ajuda, não conseguiria ter me formado. Este projeto me possibilitou tudo isso e também me transformou em uma pessoa melhor. Atualmente, faço de tudo para que esta iniciativa social chegue o mais longe possível e ajude mais pessoas, assim como fui ajudada. Pude me formar e, até hoje, é um computador que me acompanha”, afirma Vitória.
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