Da Unesc aos municípios: como o Labs Cidades transforma projetos em desenvolvimento regional

Laboratório se consolida como referência na produção de soluções técnicas para SC

Da Unesc aos municípios: como o Labs Cidades transforma projetos em desenvolvimento regional

Um espaço voltado ao aprendizado, ao desenvolvimento acadêmico, à integração entre professores e à troca de experiências, com foco no crescimento de Santa Catarina. Localizado no Parque Científico e Tecnológico (Iparque) da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), o Labs Cidades é um laboratório dedicado à busca de soluções para os desafios enfrentados pelos municípios catarinenses.

Com mais de 300 projetos desenvolvidos em áreas como infraestrutura, saúde, esporte e diversas outras, o programa tem como principal objetivo promover melhorias na qualidade de vida da população. Atualmente, o Labs Cidades conta com a atuação de 25 profissionais, entre professores, acadêmicos e pesquisadores, que trabalham de forma colaborativa para desenvolver iniciativas com impacto direto na sociedade.

Labs Cidades está no Iparque, localizado no bairro Sangão, em Criciúma. (Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus)

“O Labs Cidades faz parte da construção de um projeto que teve início há muitos anos, especialmente com ações voltadas à recuperação de áreas degradadas. Ao longo desse período, foram desenvolvidos diversos projetos, acompanhamentos e pesquisas na área ambiental. A partir de 2017, mais precisamente, a Unesc passou por um processo de reestruturação e, impulsionada pela gestão da, professora e doutora Gisele Silveira Coelho Lopes [reitora em exercício da Unesc], reestruturamos o laboratório com o conceito de Laboratório de Cidades. Como a Unesc é uma universidade comunitária, pensamos sempre na comunidade e no desenvolvimento do Sul catarinense e, consequentemente, de todo o estado, já que atuamos em diversos municípios de Santa Catarina”, comenta Jóri Ramos, coordenador do Labs Cidades.

“Temos um importante foco em cidades inteligentes. Outro objetivo é contribuir para a mobilidade urbana, tanto em municípios específicos quanto em nível regional. Também atuamos no eixo da acessibilidade, um tema de grande relevância, além de colaborar em diversas áreas relacionadas à infraestrutura e ao meio ambiente, atendendo às demandas dos municípios de Santa Catarina”.

Jóri Ramos, coordenador do Labs Cidades.

Conforme o coordenador do Labs Cidades, o espaço é um laboratório híbrido voltado ao desenvolvimento de projetos. “Estamos aptos, com pesquisadores, alunos e técnicos, a desenvolver soluções para os mais variados temas, principalmente nas áreas de infraestrutura e meio ambiente, que são nossa competência ao longo de vários anos. Esse laboratório tem esse foco, alinhado ao objetivo principal da universidade, que é comunitário, de desenvolver a sociedade e a comunidade por meio de produtos eficientes e de excelência”, afirma.

Ele acrescenta que o laboratório atende diferentes demandas de empresas e municípios. “Hoje, atendemos diversas empresas e municípios, entendemos suas demandas e anseios e buscamos uma solução científica e técnica, com o apoio do corpo docente, dos técnicos e dos nossos alunos”, completa.

Atualmente, Jóri Ramos, coordena o Labs Cidades. (Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus)

Ajuda aos municípios

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Ramos detalha que muitos governos municipais têm excelentes ideias, mas por vezes, não possuem especialistas específicos para torná-las realidade , o que faz com que o Labs Cidades contribua diretamente nesse processo. “Percebia-se, há algum tempo, que alguns municípios acabam perdendo recursos por dificuldade na construção de projetos estruturantes. Falta um projeto de escola, de ponte, de rodovia ou até mesmo de uma Unidade Básica de Saúde, e é justamente aí que entramos. Nós desenvolvemos esses projetos, fornecendo-os aptos à execução, com todas as exigências necessárias, e o município fica responsável por buscar o recurso e conduzir a obra”, comenta

Atualmente, o Labs Cidades atende 15 municípios do Sul de Santa Catarina. “Além dessa entrega de um produto técnico, que se transforma em benfeitorias para o Estado e para os municípios, também conseguimos promover uma capacitação completa dos alunos de Arquitetura e Engenharia. Isso porque todos os líderes de equipe são professores, que atuam em sala de aula e são especialistas em áreas específicas, como estruturas, estradas, projetos arquitetônicos, praças e gestão territorial. Observamos atentamente os alunos que possuem interesse acadêmico e de crescimento profissional em sala de aula e por meio de seleção, convidamos para atuar conosco, promovendo essa integração”, frisa.

Equipe do Labs Cidades, que atende os municípios.

Alunos e prática: futuro promissor

Ramos ressalta que os alunos que participam do laboratório tornam-se mais preparados e têm maiores chances de serem absorvidos pelo mercado de trabalho, cada vez mais exigente. “É comum empresas entrarem em contato em busca de profissionais, e muitas vezes são alunos que estão conosco ou que já passaram por aqui”, explica.

Ele destaca ainda a importância da vivência prática na formação acadêmica. “É fundamental que o acadêmico consiga resolver desafios do dia a dia, desenvolver projetos e contribuir com a comunidade. É preciso sentir as dificuldades reais de entregar resultados, e isso se aprende na prática, porque trabalhamos com prazos, compromissos com a sociedade catarinense.

Jóri Ramos, coordenador do Labs Cidades, planejando os projetos com a equipe.

Fábrica de conhecimento

O coordenador do Labs Cidades destaca que a Unesc é uma verdadeira “fábrica de conhecimento”. “Nossa missão é levar conhecimento aos acadêmicos, e o laboratório conseguiu criar uma engrenagem, um tripé que funciona muito bem: ajudamos a região, apoiamos os alunos e desenvolvemos obras que fazem a diferença na vida das pessoas”, afirma.

Ruan Matias Velho, de 20 anos, é estudante da terceira fase do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesc e está há oito meses atuando no Labs Cidades. “Trabalhar aqui é um diferencial para qualquer acadêmico e tem sido muito benéfico para minha evolução. Estamos dentro da área, junto com os professores, e há muitas trocas de conhecimento”, ressalta.

Ele atua na área de gestão territorial. “Trabalhamos auxiliando na organização territorialdos municípios, bem comoem outras atividades que fazem parte das formação em arquitetura, especialmente no urbanismo e na gestão territorial, como os planos diretores”, explica.

“Atuar no Labs Cidades tem sido uma experiência muito enriquecedora. Além de todo o conhecimento que estamos desenvolvendo na prática, tenho aprendido muito com os professores, que estão sempre dispostos a orientar, compartilhar experiências e contribuir para o nosso crescimento. Esse acompanhamento faz toda a diferença e nos motiva a buscar soluções cada vez melhores para os desafios dos municípios”.

Ruan Matias Velho, estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo.

Ruan Matias Velho está trabalhando no Labs Cidades há oito meses. (Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus)

Projetos desenvolvidos

Apenas na região de Criciúma,foram mais de 300 projetos desenvolvidos nos últimos anos. Entre eles, a Fazenda Solar e o Memorial Nikola Tesla, inaugurados em agosto de 2024. No primeiro ano de funcionamento, o município deixou de gastar, em média, R$ 150 mil com faturas de energia elétrica nas escolas da rede municipal de ensino. O equipamento está localizado no Parque dos Imigrantes, no bairro Rio Maina.

As placas fotovoltaicas do projeto, desenvolvido pelo Labs Cidades, abastecem a Fazenda Solar, o Memorial Nikola Tesla, 62 escolas municipais e também a frota de veículos elétricos da Prefeitura de Criciúma, por meio de 2,2 mil módulos. Nos primeiros 12 meses de operação, o sistema gerou 1.440 kWh, conforme informou o gerente da Fazenda Solar, Fábio da Silva Berkenbrock.

O equipamento está localizado no Parque dos Imigrantes, no Distrito do Rio Maina. (Foto: Patrick Stüpp//Portal Engeplus)

A Fazenda Solar está em funcionamento desde a sua inauguração, após ser ativada pela empresa responsável pela instalação dos equipamentos elétricos e das placas solares. “Ao todo, a usina fotovoltaica tem uma potência instalada de 1,2 MW. Isso gera uma média de 120 mil kWh por mês, energia suficiente para atender cerca de 600 casas populares, no propósito de geração de energia limpa”, disse Berkenbrock.

O equipamento tem como foco a distribuição de energia limpa, sem a necessidade de utilização de matéria-prima que cause impacto ao meio ambiente, já que não há descarte de resíduos no processo. Além do funcionamento voltado à sustentabilidade, a Fazenda Solar também se tornou um ponto turístico em Criciúma, recebendo mais de 3 mil visitantes desde a sua inauguração.

Como funciona a geração de energia elétrica?

Berkenbrock explicou que os 2,2 mil módulos fotovoltaicos, com potência de 550 W cada, captam a luz solar, que é direcionada a um inversor solar instalado abaixo das placas, responsável por converter a energia solar em energia elétrica. “Possuímos uma subestação que monitora e controla a geração e distribuição da energia. Essa energia é injetada na rede elétrica da Celesc, que a distribui para determinadas regiões da cidade”, ressalta.

Equipamento foi inagurado no dia 17 de agosto de 2024. (Foto: Patrick Stüpp//Portal Engeplus)

Transição energética

Conforme o secretário de Governança da Prefeitura de Criciúma, Tiago Pavan, a energia gerada pela Fazenda Solar é devolvida à Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), possibilitando o abastecimento de 62 escolas municipais, 40 creches e também dos 100 carros elétricos adquiridos pela Prefeitura de Criciúma.

“Com essa obra, passamos por um processo de transição energética. Além disso, já estamos elaborando novos planos e projetos de recuperação de outras áreas degradadas para a instalação de novas usinas solares, para que, posteriormente, possamos abastecer os demais prédios públicos”, projeta Pavan.

Labs Cidades na história de Criciúma

O projeto da Fazenda Solar foi desenvolvido pelo Labs Cidades, e Ramos ressalta a importância do sistema para o município de Criciúma. “É um case que gosto muito, porque é um projeto de energia sustentável construído em uma área degradada. Fizemos o projeto respeitando todos os critérios técnicos de recuperação ambiental preconizado pelos órgãos competentes”, destaca.

A equipe do Labs Cidades trabalha para auxiliar os municípios catarinenses em seu desenvolvimento.

Neste projeto, Ramos ressalta que professores e acadêmicos conseguiram unir o útil ao agradável. “O governo municipal nos trouxe a demanda da energia solar e iniciamos a busca por uma área. Identificamos uma área degradada, que poderia ser recuperada, agregando também na recuperação ambiental e unindo o útil ao agradável”, lembra.

Em desenvolvimento

Se o projeto da Fazenda Solar foi desenvolvido pelo Labs Cidades, posteriormente executado pela Prefeitura de Criciúma e já em funcionamento, atualmente professores e acadêmicos atuam em um novo planejamento.

O aguardado projeto da Serra do Fundo Grande, que ligará o município de Jacinto Machado, no Extremo Sul Catarinense, a Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, também foi desenvolvido pelo Labs Cidades. Além disso, uma equipe acompanha diariamente a obra.

O projeto prevê a abertura de uma via de 5,2 quilômetros. Diferente de rodovias de alta carga, a estrada foi concebida como uma via municipal com forte apelo ecológico e turístico, visando integrar a gastronomia, pousadas e o potencial de esportes de aventura da região, como voos de balão.

A obra tem investimento de R$ 19,2 milhões, anunciado pelo Governo de Santa Catarina.

“É um projeto que foi feito integralmente no Labs Cidades, tanto no projeto da rodovia quanto na parte de licenciamento ambiental. E agora a supervisão da obra também está sendo acompanhada pelos nossos profissionais. É uma obra complexa, mas que está acontecendo”, explica.

A obra tem investimento de R$ 19,2 milhões, anunciado pelo Governo de Santa Catarina. A empresa responsável pela execução é a Terraplenagem Bendo Ltda. “Nós realizamos relatórios mensais sobre a obra, com detalhamento de cada etapa executada no local. Além disso, promovemos capacitações com as equipes técnicas e operacionais para alinhar diretrizes de segurança e execução. A Unesc está neste projeto desde o início: fizemos o projeto executivo, o licenciamento ambiental e agora damos suporte técnico no processo de execução. É uma obra complexa pelo relevo montanhoso, mas com foco total no desenvolvimento regional e sustentável”, afirma.

Novo projeto sendo executado

Se o Labs Cidades desenvolveu o projeto da Fazenda Solar, atualmente o laboratório também está à frente do projeto de extensão da Via Rápida, que conecta a BR-101 ao litoral.

O projeto prevê a implantação de uma nova rodovia com aproximadamente 9 quilômetros de extensão, ligando a Via Rápida, na BR-101, até o acesso sul do Balneário Rincão. A proposta é um desdobramento de um projeto concebido em 2019. A iniciativa atual prevê uma pista simples, com ciclovia, já preparada para uma futura duplicação.

Projeto de extensão da Via Rápida deve ser entregue até o fim de 2026. (Foto: Divulgação/Decom/Ilustrativa)

O investimento estimado é de aproximadamente R$ 80 milhões. Há sinalização do Governo do Estado para a execução da obra com valores mais enxutos, priorizando a viabilidade do projeto. A obra é uma das principais bandeiras da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec).

A iniciativa busca melhorar a mobilidade urbana entre os municípios de Balneário Rincão, Içara e Criciúma, criar uma alternativa de ligação regional e facilitar o acesso ao Balneário Rincão, além de preparar a infraestrutura viária para o crescimento da região.

O prefeito de Criciúma e presidente da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), Vagner Espíndola, afirmou que a obra é uma prioridade desde as primeiras conversas da gestão na entidade e que o objetivo é garantir a maior celeridade possível ao projeto. “Estamos imbuídos em encontrar a melhor solução. A Amrec procurou a Universidade, que foi responsável pelo projeto original, para rediscutir as propostas e encontrar soluções economicamente mais viáveis, de forma a avançar para as próximas etapas de captação de recursos”, destaca.

Conforme o prefeito de Balneário Rincão, Luiz Gustavo Laurindo, trata-se de um projeto que envolve e beneficiará toda a região. “Nosso objetivo comum é o desenvolvimento do Sul. Agradeço o empenho e o envolvimento de todos na busca por essa solução, que representa mais um passo nessa parceria para viabilizar o investimento”, salienta.

A reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, reforçou que a universidade permanece à disposição como referência no desenvolvimento de projetos técnicos sólidos e bem fundamentados. “Seguimos parceiros nesse processo e ressaltamos a importância de que os municípios envolvidos indiquem pessoas de sua confiança para atuarem como porta-vozes na definição das premissas que orientarão o desenho do traçado. Esse alinhamento é fundamental, pois, a partir dessas definições, conseguiremos identificar com maior precisão os ajustes necessários no projeto, bem como os prazos e investimentos envolvidos”, sinaliza.

“A Via Rápida, inicialmente, teve como critério técnico a melhor condição existente: por ser uma via expressa, além de pista dupla, não pode ter intervenções em nível, sendo necessária a implantação de elevados e viadutos, iluminação subterrânea e também ponte duplicada. Trata-se de uma obra bastante complexa. No primeiro momento, o projeto girou em torno de R$ 135 milhões, o que, corrigido, chegaria hoje a cerca de R$ 200 milhões. Por isso, estamos trabalhando para tornar o projeto mais viável economicamente”, detalha Ramos.

O coordenador do Labs Cidades afirma que até dezembro já terá uma nova proposta para apresentar aos municípios. "Nosso objetivo é apresentar um novo projeto que tonem realizadade a obra, propondo uma solução que ajude a reduzir os custos previstos no projeto original”, finaliza.

Com atuação consolidada e projetos que vão da infraestrutura à sustentabilidade, o Labs Cidades reforça o papel da Unesc como uma instituição comunitária voltada ao desenvolvimento regional. A iniciativa conecta conhecimento acadêmico e demandas dos municípios, transformando ideias em soluções práticas que impactam diretamente a vida da população catarinense e fortalecem o crescimento das cidades do Sul do Estado.

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