Educação que transforma: qualificação abre caminhos para jovens no Sul de SC
Instituições aproximam formação profissional, primeiro emprego e desenvolvimento pessoal

Em um mercado de trabalho cada vez mais marcado pela transformação tecnológica e pela busca por profissionais qualificados, a educação profissional deixou de ser apenas uma alternativa de formação e passou a ocupar um papel estratégico no futuro dos jovens e no desenvolvimento do Sul de Santa Catarina. Em meio à necessidade de preparar uma nova geração para as demandas das empresas, instituições da região têm aproximado salas de aula, cursos técnicos e oportunidades de primeiro emprego, transformando a trajetória de adolescentes e jovens e contribuindo para a formação da mão de obra que movimenta a economia regional.
Um estudo inédito do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), intitulado “Os jovens no Brasil: Permanências e necessidades de mudança”, ajuda a dimensionar esse cenário. O levantamento mostra um mercado mais formal, mas acende um alerta para a alta rotatividade profissional e a exclusão social que ainda atinge milhões de jovens no Brasil.
Os dados do MTE expuseram onde estão inseridos os 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos (15,4% da população do país). A divisão desse contingente revela que a aposta na educação continua sendo a regra:
- Só estudam: 12,8 milhões (39%).
- Só trabalham: 9,6 milhões (29,1%).
- Estudam e trabalham: 4,3 milhões (13,2%).
- Não estudam nem trabalham (“Nem-Nem”): 6,2 milhões (18,7%).
O levantamento trouxe a barreira do subemprego e dos salários baixos. O diagnóstico aponta que 84% dos jovens atuam em funções generalistas, sem exigência de qualificação específica (como balconistas e escriturários), e a ampla maioria (7,8 milhões) recebe até 1,5 salário mínimo. Apenas um em cada sete jovens inseridos ocupa postos de nível técnico ou superior. Sobre a jornada média do trabalhador adolescente, os números apontaram que é de 27,3 horas semanais – superando em mais de sete horas o contraturno escolar e disputando diretamente o tempo dedicado aos estudos.
É para mudar esses números, principalmente do “nem-nem”, que o Bairro da Juventude atua na área da educação profissional, disponibilizando cursos profissionalizantes gratuitamente para adolescentes e jovens entre 14 e 18 anos de idade. A instituição oportuniza, além da formação profissional, o encaminhamento para o mercado de trabalho.
Os sete cursos disponíveis para os adolescentes e jovens são: Cozinheiro Industrial, Padeiro e Confeiteiro, Eletroeletrônica, Mecânica de Automóveis, Mecânica Geral, Programador de Computador, Serviços Bancários e Administrativos.

O coordenador de educação da entidade, Marcelo dos Santos, ressalta que a missão do Bairro da Juventude sempre foi o desenvolvimento da educação e da assistência social por meio da educação profissional. “Ele tem um olhar muito grande para a educação profissional básica, que a gente chama de aprendizagem profissional, que é o primeiro nível. Tenta formar esse jovem com um conhecimento amplo para que ele possa ter um leque de opções para o mercado de trabalho. E, claro, um olhar muito grande para aquelas profissões já firmes, fortes, com estrutura de demanda de trabalho, que é a metalurgia, a elétrica, a área da gastronomia, panificação, informática e programação”, ressalta.
Santos reforça que a instituição de ensino está sempre atenta ao mercado de trabalho e buscando atender à demanda das empresas do Sul de Santa Catarina. “Estamos monitorando e acompanhando as evoluções diariamente. O que está impactando as novas tecnologias, a inovação, a criatividade e, principalmente, o novo perfil do jovem. O jovem de 40 anos atrás era um, o de 30 anos atrás era meio semelhante, mas o de 20 anos para cá já tem uma mudança bastante grande. Então, é um desafio para nós e para o mercado de trabalho”, frisa.
Atualmente, são 600 estudantes fazendo curso técnico no Bairro da Juventude. “Hoje, a nossa empregabilidade está em 89%. Sabe o que é o melhor? Eu não entrego 600 alunos ao mesmo tempo, porque eu tenho contratações ao longo de todo o ano e existem cursos de diferentes períodos, alguns de apenas um ano, outros com tempo de duração diferente”, explica.
A instituição de ensino atende mais de 80 bairros de Criciúma, além de cidades como Forquilhinha, Siderópolis, Morro da Fumaça, Içara e Balneário Rincão. “Temos a missão do social? Temos. Mas também temos um objetivo de ajudar com profissionais qualificados e de abrir horizontes. Então, existem jovens que chegam aqui e acham que não têm condição de ser um engenheiro, de ser um professor universitário, de ser um advogado, de ser um dentista. E, através dos cursos profissionais, eles vão começar a acreditar neles e desenvolver a família que eles terão no futuro”, enfatiza.

“Me qualificar para ajudar a empresa”
Entre os 4,3 milhões de adolescentes que trabalham e estudam está Maria Alice Ramos Nascimento, de 17 anos, que realiza o curso técnico no turno vespertino e o ensino médio durante a noite. Atualmente, ela trabalha na Plasson do Brasil. “Acordo às 5 horas para conseguir me arrumar, me organizar, pegar o ônibus e ir para o trabalho. Saio da empresa ao meio-dia, venho para o Bairro da Juventude, saio depois das 17 horas e vou direto para a escola. É puxado? Sim, não vou negar. Mas, se eu quiser ter uma formação profissional e ser diferente para o mercado de trabalho e de outros adolescentes, preciso me esforçar. Este não é meu primeiro curso técnico e provavelmente não será o último. Aqui na entidade já fiz Cozinha Industrial e Serviços Bancários e Administrativos”, comenta. Atualmente, ela está cursando Eletroeletrônica.

Na empresa Plasson do Brasil, ela atua no Planejamento e Controle de Produção há três meses. “É um trabalho importante. Faço parte de um processo extremamente necessário para a empresa e, principalmente, para os meus colegas, gerando códigos e documentos para que eles possam dar sequência aos processos dos equipamentos”, detalha. Ela já trabalhou em outras duas empresas, também em virtude dos cursos técnicos que fez no Bairro da Juventude.
Maria mora com a mãe, que atua como costureira. Ela fala da oportunidade de se qualificar e ganhar seu próprio dinheiro. “Meu objetivo sempre foi estudar e, por meio dos estudos, conseguir um emprego para ajudar minha mãe e me manter, sem dar trabalho para ela. Atualmente, penso em me qualificar para ajudar a empresa, porque estou gostando muito de trabalhar na Plasson e sei que, se eu não tiver qualificação, não permanecerei no cargo”, destaca.
Como o Bairro da Juventude transformou a trajetória de uma jovem no setor automotivo
Diferente de Maria, Isabele Ghizi Luciano, de 19 anos, já concluiu o curso. Moradora de Criciúma, ela buscou autonomia e capacitação profissional, o que a levou a transformar sua realidade por meio da educação técnica. Incentivada pelo relato de um familiar sobre a estrutura oferecida pelo Bairro da Juventude, ela decidiu se inscrever na instituição, optando pelo curso de Manutenção Automotiva, escolha impulsionada pelo desejo de romper barreiras e garantir independência em um segmento tradicionalmente masculino. “A minha maior motivação foi por achar que nós, mulheres, precisamos saber um pouco dessa parte para não depender tanto de outras pessoas quando o carro dá algum problema”, relata.

A preparação prática recebida nas oficinas da instituição, em 2023, garantiu uma transição rápida para o mercado de trabalho. Atualmente empregada na Fiat Trentino, em Criciúma, ela atua no setor de agendamento de serviços de oficina. “O conhecimento técnico adquirido durante o curso foi um diferencial no meu dia a dia profissional, permitindo compreender a dinâmica dos serviços, como os prazos para trocas de óleo e revisões preventivas”, conta.
O ingresso no primeiro emprego em tempo integral trouxe desafios, especialmente no desenvolvimento de habilidades comportamentais e no atendimento direto ao público. “A gente vai aprendendo com as outras pessoas como atender e como conduzir os clientes. O que mais mudou em mim foi aprender a lidar com pessoas que têm pensamentos diferentes, tornando-me mais compreensível”, destaca.
A jovem almeja ascender profissionalmente na empresa e conquistar o cargo de consultora técnica. A trajetória no Bairro da Juventude reforça o papel fundamental da educação profissionalizante como ponte para a inserção e o crescimento no mercado de trabalho. “Investir em qualificação, estudo e preparação para o trabalho nunca é demais. Se eu pudesse voltar atrás, aproveitaria ainda mais cada minuto do meu curso para buscar conhecimento”, pontua.
Portal Engeplus · Isabele Ghizi Luciano fala sobre oportunidades
Das cordas do violino ao barulho de um torno mecânico
A educação mudou a história de Kayson Henrique Leite da Silva, de 15 anos. Foi no Bairro da Juventude que ele iniciou sua jornada no curso técnico e também foi na instituição que rompeu barreiras. Natural de Icoaraci, distrito de Belém do Pará, o adolescente encontrou na entidade, há oito anos, o cenário ideal para desenvolver suas habilidades e desenhar seus primeiros passos no mundo profissional.
A caminhada de Silva sempre foi marcada pelo protagonismo. No esporte e na arte, ele encontrou espaço para se destacar: mostrou habilidade no futebol, conquistou títulos no xadrez, conseguindo avançar pelas etapas municipal, estadual e microrregional, e levou sua música para longe. Com o violino, apresentou-se em empresas e eventos por diversas cidades da região, como Criciúma, Jaguaruna, Tubarão e Florianópolis.

Hoje, o foco do estudante está na qualificação profissional através do curso de Mecânica Geral. A escolha não foi por acaso: fascinado por tecnologias como o comando numérico computadorizado (CNC) e os processos de solda, o aluno enxerga na área um mercado em constante expansão e uma base sólida para construir sua carreira.
“Escolhi o curso porque é o que mais me agrada e é uma área que cresce muito. Aprender a automatizar máquinas como torno e fresa, além do conhecimento em solda, me dá uma estrutura profissional enorme, além do aprendizado para a vida”, destaca.
Para Silva, a instituição vai muito além da sala de aula. O aprendizado sobre empatia, respeito e igualdade é parte diária da rotina, transmitindo aos alunos a certeza de que todos têm capacidade de alcançar seus objetivos. O primeiro grande passo no mercado de trabalho veio com a indicação de seu professor de solda, César, para uma bolsa na empresa Spillere, no Distrito de Caravaggio, em Nova Veneza. "O bom desempenho me abriu portas e, mais recentemente, conquistei uma vaga através de processo seletivo na Pisoforte Revestimentos Cerâmicos, onde estou atualmente”, comenta.

Lidar com a rotina intensa entre os estudos no ensino regular, as aulas do curso técnico e o trabalho exige disciplina. “Não é fácil, porque acordo às 5 horas, pego ônibus para chegar na empresa, estudo no Bairro da Juventude à tarde e à noite faço o ensino médio no Cedup Abílio Paulo. Chego em casa por volta das 22h15. Uma rotina cansativa? Sim, mas que tem me gerado frutos, principalmente por conseguir trabalhar e ter um salário, graças ao curso técnico e por ter buscado me especializar e melhorar a mão de obra”, observa.
A escola também exerce um papel importante no desenvolvimento social e emocional dos adolescentes. Para o psicólogo Cleyton Demétrio, professores e equipes pedagógicas precisam oferecer um ambiente seguro, com limites e regras claras, mas sem impedir que os jovens desenvolvam autonomia.
“Eles passam por momentos difíceis, com escolhas a todo momento e, por isso, é importante que se exerça esse papel, no sentido de construir um ambiente que seja saudável, respeitoso, com limites muito bem estabelecidos, com regras muito bem construídas, mas principalmente com a supervisão de adultos responsáveis”, ressalta.
Demétrio destaca que essa supervisão não deve significar controle excessivo, mas acompanhamento e acolhimento diante das dificuldades. “Que essas pessoas, seja professor, equipe pedagógica ou diretoria, façam essas intervenções pontualmente, porém de maneira respeitosa, de maneira acolhedora, sem julgar, sem humilhar ou sem, de alguma maneira, podar demais esse desenvolvimento”, pontua.
Educação e trabalho
Chegar à adolescência e pensar no futuro é inevitável. É justamente neste período que muitos adolescentes começam a gostar de algumas atividades, se interessar por determinados assuntos, mas também se perguntar como vão chegar ao mercado de trabalho.
Para quem ainda não possui experiência profissional ou um curso de destaque no currículo, uma oportunidade é ser Jovem Aprendiz. O programa une a capacitação teórica, que pode ser realizada nas modalidades presencial ou EaD, com a prática profissional.
Para participar do programa, é necessário ter de 14 a 24 anos incompletos, estar cursando o Ensino Fundamental, Médio ou já ter concluído o Ensino Médio. É justamente buscando entender a demanda do mercado de trabalho que o programa Jovem Aprendiz da Abadeus, instituição de Criciúma, transforma histórias e ampliou oportunidades para mais de 6,4 mil jovens. A iniciativa iniciou em 2011 e impacta na formação profissional, no fortalecimento da educação, na geração de renda e na mudança de perspectivas no bairro Cristo Redentor.
“Hoje o mercado de trabalho em Criciúma possui bastante oportunidade para jovens e principalmente aqueles que estão procurando o primeiro emprego. A cidade possui um setor industrial bem diversificado, possibilitando bastante oportunidade em várias áreas, como comércio, supermercado, indústria, serviços, administração. Ao mesmo tempo que tem oportunidade de emprego, ainda é um desafio trabalhar pela primeira vez para um jovem. Porque as empresas estão procurando jovens que tenham responsabilidade, que sejam pontuais e com boa comunicação. E é justamente essas competências que nós procuramos desenvolver na Abadeus”, conta Rodrigo Garcia da Rosa, instrutor de aprendizagem dos cursos de auxiliar de escritório da Abadeus.
Para Rosa, existe uma mudança de perfil profissional procurado pelas empresas. “Hoje o jovem não precisa ter só o conhecimento técnico, mas tem que ter vontade de trabalhar. As empresas valorizam cada vez mais competências comportamentais como pontualidade, responsabilidade, comunicação, iniciativa, capacidade de aprender e inteligência emocional. Então, essas são características importantes. Hoje, as empresas procuram também pensar no profissional do futuro, não é só aquele que sabe tudo, mas é aquele que tem disposição para aprender e resolver problemas e trabalhar bem com outras pessoas”, comenta.
Oportunidades que mudaram ciclos
A iniciativa da Abadeus nasceu com o propósito de conectar jovens a partir dos 14 anos ao primeiro emprego formal, especialmente aqueles que enfrentavam barreiras associadas à vulnerabilidade social e ao preconceito.
Conforme o gestor de inovação da Abadeus, Maicon Jung Canever, o cenário encontrado naquele período era marcado por jovens expostos à violência, ao trabalho informal e à ausência de perspectivas profissionais.
Ao longo dos anos, o programa passou a produzir resultados observados não apenas nas trajetórias individuais, mas também nos indicadores da própria comunidade. Entre os impactos estão mais de R$ 21 milhões inseridos na economia por meio dos salários dos aprendizes, diminuição da evasão escolar e ampliação da oferta de mão de obra qualificada para diversos setores produtivos da região.
Da educação infantil ao primeiro emprego
A educação transforma. A prova disso é Guilherme Correa Dias, de 23 anos. Atualmente, ele trabalha como analista administrativo na Abadeus, instituição que o acolheu desde cedo. “Minha trajetória na Abadeus começou muito cedo, logo no meu primeiro ano de vida, quando fui aluno do Centro de Educação Infantil. Ingressei na segunda turma da instituição, cuja história teve início nos anos 2000, frequentei como aluno durante o período de 2003 a 2006”, conta.

Iniciando muito cedo na instituição, entendeu que a educação era essencial para sua trajetória. Com isso, realizou diversos cursos. “Durante os cursos preparatórios para o primeiro emprego e, posteriormente, no Programa Jovem Aprendiz, aprendi que o estudo, a proatividade e o interesse podem nos levar cada vez mais longe. Acredito que a formação e a visão de futuro que a Abadeus oferece aos seus alunos trazem dignidade, ensinando a deixar de lado a mentalidade de dependência do assistencialismo e incentivando o protagonismo, a autonomia e a construção do próprio caminho”, pontua.
Dias ressalta que os cursos que fez na instituição foram importantes para sua carreira profissional. “Depois de alguns cursos, surgiu uma oportunidade como jovem aprendiz na própria Abadeus. Trabalhava meio período na recepção, o que resultou em efetivação como recepcionista em período integral. Posterior a isso, tive uma oportunidade de ingressar no administrativo como auxiliar contábil e, hoje, estou na função de analista administrativo. Toda essa trajetória aconteceu nos últimos cinco anos”, destaca.
Ele destaca que, mesmo convivendo tanto tempo na Abadeus, acredita que a instituição transforma vidas por meio da educação. “São cinco anos como profissional atuando na instituição e, mesmo assim, aprendo diariamente. A Abadeus representa para mim o oceano em que eu terei que navegar e ainda aprender muita coisa. Até porque a mesma está sempre inovando. Dessa forma, o aprendizado nunca terminará”, afirma.
A importância da qualificação profissional
Um em cada três empresários acredita que o ensino técnico é o ponto mais forte da educação brasileira. Para 75% deles, os cursos técnicos estão mais ligados às necessidades do mercado do que os de ensino superior. O levantamento, realizado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), mostra ainda que nove em cada dez concordam que os cursos técnicos permitem ingresso mais rápido no mercado de trabalho.
De acordo com os 1.001 executivos de pequenas, médias e grandes indústrias ouvidos sobre a educação no país, o ensino técnico deve receber mais atenção dos jovens e ser uma das prioridades do governo.
Na visão dos empresários, os pontos positivos da formação técnica são: preparar melhor para o mercado de trabalho (45%), cursos mais focados (28%), cursos mais práticos (22%), boa aceitação no mercado de trabalho (18%), ter mais conhecimento/habilidades (17%) e começo na carreira profissional (16%).

O presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Franke Hobold, ressaltou que atualmente o grande questionamento é como atrair esses jovens para as escolas técnicas. “Isso passa por uma discussão que a gente tem levantado várias vezes: como fazer essas escolas mais atrativas? Talvez atualização de máquinas, atualização de equipamentos nas escolas, porque muitas vezes a indústria acaba andando mais rápido do que as próprias escolas na atualização do seu parque fabril. E quando a pessoa sai da escola técnica, ela encontra uma outra situação na indústria, porque hoje em dia a automatização, as máquinas cada vez mais automatizadas, tudo isso está ocorrendo com uma rapidez bastante grande. Então, acho que a grande preocupação é como atrair esses jovens e como ser uma escola mais atrativa”, ressalta.
O economista Enio Coan ressaltou a importância de as instituições de ensino oferecerem serviço de pré-qualificação da mão de obra. “Isso é importante para a produção da área técnica. Jaraguá do Sul vem buscar a nossa qualificação aqui, para a área da formação deles, então hoje nós temos esse serviço que é muito bom. O pessoal da Acic até fala que a gente vive em uma região de pleno emprego. Tivemos um pico negativo na pandemia da Covid-19, deu problema, são problemas estruturais, não de conjuntura, então são pequenos problemas que acontecem, mas nós sempre tivemos uma economia quase baseada no pleno emprego, inclusive de importação de trabalhadores preparados”, analisa.
Hobold pontuou que o setor metalmecânico tem passado por dificuldades de formação técnica. “Vemos uma demanda cada vez maior por profissionais operadores de máquinas no setor metalmecânico, como no setor plástico também, tanto que já se formaram grupos de atualização nesses setores. O próprio vestuário também, todos os setores têm uma necessidade de qualificação. Mas talvez os que mais sofrem são o metalmecânico, o plástico e o vestuário, que são setores importantes da economia do Sul de Santa Catarina, que têm essa demanda de operadores de máquinas”, afirma.
O presidente da Acic garantiu que a instituição está preocupada com a qualificação profissional dos jovens. “É uma preocupação que cada vez mais as empresas têm. Se a gente quiser que a nossa região se desenvolva economicamente, que a nossa região continue crescendo economicamente, nós passamos pela qualificação e requalificação da nossa mão de obra. Qualificação dos jovens que estão entrando no mercado de trabalho e requalificando aquelas pessoas que estão já dentro da empresa e que precisam galgar postos maiores dentro da empresa. Sempre tenho dito que a qualificação básica, ela está sendo coberta muitas vezes pela migração e pela imigração. Nós precisamos dar um passo adiante, que é essa formação técnica”, finaliza.
As histórias de Guilherme, Maria Alice e Isasbele estão entre milhares de trajetórias que mostram que a educação muda o ser humano. A educação acompanha escolhas, abre possibilidades e permite que novos caminhos sejam construídos ao longo da vida. Em uma região que precisa cada vez mais de profissionais preparados para acompanhar as transformações da economia e da tecnologia, investir na formação dos jovens também significa investir no próprio futuro do Sul de Santa Catarina.




































