De serviços a produtos: a força do empreendedorismo de Criciúma ganha o Brasil e o mundo

Empreendedores contam como iniciaram seus negócios que alcançaram mercados fora do Estado

De serviços a produtos: a força do empreendedorismo de Criciúma ganha o Brasil e o mundo
Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus

De serviços a produtos inovadores, o empreendedorismo de Criciúma se destaca no cenário nacional e internacional, conquistando mercados e gerando novas oportunidades. Com uma mistura de tradição e inovação, empresários da cidade estão transformando desafios em conquistas, levando suas marcas e ideias para além das fronteiras do Brasil. Do pequeno negócio a grandes empresas, Criciúma se reafirma como um polo de criatividade e resiliência, mostrando que o espírito empreendedor local consegue impactar economias e transformar realidades.

A cidade de Criciúma registrou a abertura de mais de seis mil novas empresas em 2025. O número expressivo posiciona o município entre os principais polos de empreendedorismo do Estado. Um dos destaques do perfil empresarial de Criciúma é a quantidade significativa de Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos na cidade. Dos 36.354 Cadastros Nacionais da Pessoa Jurídica (CNPJs) registrados no município, 18.050 são de MEIs, representando quase 50% do total.

É natural que um empreendedor, ao abrir o seu primeiro negócio, comece com serviços e produtos mais simples, visando crescer e tirando o seu sonho do papel. Foi justamente o que aconteceu com Helton Marinho. Natural de Santo Amaro da Imperatriz, o empreendedor escolheu Criciúma para estudar Sistemas de Informação nas Faculdades Esucri, há mais de 10 anos, e optou por permanecer ao perceber um município forte economicamente, com segurança pública e sendo a principal cidade do Sul de Santa Catarina.

A empresa de Helton Marinho atende mais de 10 países.

“Meus pais são funcionários públicos e morei em mais de 15 cidades de Santa Catarina. Morei em Araranguá, município próximo, mas Criciúma sempre me chamou atenção. Aqui escolhi estudar e montar meu próprio negócio”, ressalta.

Marinho comenta que o primeiro contato com o empreendedorismo foi justamente na faculdade. “A gente via um futuro muito grande em volta da tecnologia. Temos faculdades de engenharia e um povo focado, tanto em software quanto em qualquer outra engenharia. Dentro dos próprios cursos, é comum que os estudantes conversem sobre empreendedorismo e sobre como construir novos produtos e serviços. Sou fruto dessas conversas, e a minha empresa também é um pouco disso”, conta.

Assim como a história de diversos empreendedores, o nascimento da empresa de Marinho não foi diferente. Em seu quarto surgiu a empresa, ainda sem muita estrutura, mas com muita determinação de fazer diferente. A Ninsaúde é uma startup de tecnologia da informação que atua no mercado de saúde. Desde 2012, oferece tudo o que os profissionais e consultórios precisam para organizar e melhorar o atendimento aos pacientes.

Presente em mais de 20 estados brasileiros e 14 países, a empresa garante aos profissionais da saúde a possibilidade de agendar consultas, gerenciar quadros clínicos e administrar finanças por meio de soluções tecnológicas, além de fornecer recursos para o teleatendimento.


Helton ressalta a importância da faculdade para o crescimento e, principalmente, para o desenvolvimento do seu negócio. “O gatilho do empreendedorismo iniciou nas salas de aula. O meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi um protótipo de um software para médicos, e esse protótipo foi para o mercado. A gente conseguiu já alguns clientes, mesmo na época em que ainda não tínhamos o CNPJ registrado. Já tínhamos alguns clientes”, revela.

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Atendendo clientes no Brasil e também na África, Europa e nas Américas, a empresa que nasceu em Criciúma movimenta a economia do município e também de Santa Catarina. “As pessoas nem sabem que a gente existe aqui. Isso não é realidade só minha, mas de muitos empreendedores. Ao começar a empreender, a gente vê um problema, uma dor, e tenta solucionar. Foi justamente o que fiz há mais de 10 anos e continuo fazendo, entretanto, hoje, ao lado da minha equipe”, comenta.

“Não vai dar certo de primeira”

Assim como milhares de empreendedores, Helton precisou mudar rotas para continuar no mercado. “O primeiro passo para empreender é tentar. Não vai dar certo de primeira, essa é a maior verdade. Você não tem como fazer um planejamento gigante, não tem como criar e pensar em tudo, ou ter conselhos que sejam realmente, não diria confiáveis, mas assertivos. Porque, às vezes, a experiência de quem está te aconselhando não é a experiência que você precisa para o que está fazendo. Então, eu acredito que é se jogar mesmo, arriscar e se jogar no seu próprio negócio”, aconselha.

Ouvindo pessoas, acreditando no seu produto e percebendo o mercado, assim Helton começou a empreender.

O empreendedor ainda ressalta que, em mais de 10 anos de empresa, aprendeu a evoluir e também a criar novos produtos. “Nunca pensamos em empreender para abrir uma empresa com três anos de vida, fazer um dinheiro e depois deixar para lá. Estamos fazendo não só bons produtos, mas construindo um legado também. Começamos com um produto horizontal, atendendo clínicas em mais de 10 países diferentes, e agora estamos caminhando para algo mais verticalizado”, ressalta.

Portal Engeplus · Helton Marinho


Liderança e funcionários

Helton começou no quarto da casa de sua mãe, mas seu trabalho rendeu frutos. Hoje, ele possui uma empresa com 14 funcionários, com sede em Criciúma. “Ser chefe é muito difícil. Mas é muito legal, é muito desafiador também. Por que falo que é muito desafiador? Porque sou muito prático como pessoa. A minha comunicação é muito prática. E o mercado latino é um mercado em que se toma muito cuidado para se passar uma mensagem, porque, naturalmente, as pessoas têm medo de ofender, medo de machucar. Então, sou muito direto e tento ter uma comunicação objetiva com os colaboradores”, frisa.

O empreendedor ressalta que iniciou um MBA (Master in Business Administration), sendo uma pós-graduação focada em negócios e administração, para aprimorar habilidades de gestão e liderança. “Precisaremos contratar mais funcionários e já penso nisso também, ou seja, como me preparar para liderar uma equipe grande”, afirma.

Dicas de mercado

Helton começou a empreender aos 27 anos e, 13 anos depois, consegue perceber a importância de morar em uma cidade que ajuda empreendedores.

De uma homenagem à mãe para 24 estados do Brasil

Everton Maciel, de 31 anos, empreende há 14. Entre acertos e erros, abriu duas empresas no ramo de vestuário em Criciúma. “Comecei a empreender quando tinha 17 anos. A ideia de começar o próprio negócio surgiu quando percebi que pessoas próximas a mim possuíam suas empresas, claro, de forma pequena. Mas, quando você começa a empreender, percebe que existe um mundo diferente do convencional e isso chama a atenção”, observa.

A primeira empresa foi a Mr. Darwini. Com ela, o empreendedor abriu lojas físicas e on-line e vendeu milhares de peças por Criciúma e região. Mas foi com a Atram que ele espalhou seu negócio pelo Brasil, atendendo empresas de 24 estados do país.

Everton Maciel já empreende há 14 anos e começou ainda adolescente a trabalhar.

“Quando iniciei a Mr. Darwini, tive uma grande dificuldade em encontrar costureiras e empresas que me ajudassem. Então, percebi que esse era um problema para outros empreendedores que estavam começando no mesmo ramo que o meu e por que não ajudá-los? Assim, nasceu a Atram, uma empresa que produz peças para outras marcas. Já faço esse trabalho há dez anos, mas, com o novo CNPJ, são quatro anos”, explica.

Mas a Atram tem uma história marcante por trás de cada peça e uma homenagem ainda mais especial. “O nome surgiu de uma coleção da Mr. Darwini. Lá em 2018, lançamos uma coleção chamada Atram. Essa coleção era de camisas, e a inspiração para as estampas vinha das roupas que a minha mãe usava eram as estampas que ela gostava. Minha mãe, Marta, faleceu em 2017, e em 2018 surgiu a ideia de homenageá-la. Essa coleção deu muito certo: vendemos muito, alcançamos uma visibilidade gigantesca, e esse nome acabou ficando muito marcado para mim, porque é o nome da minha mãe de trás para frente”, conta.

Everton possui duas empresas a Mr. Darwin e a Atram.

O nome da minha empresa tem um peso enorme, porque existe o envolvimento com a minha mãe. “A Atram nasceu com a ideia de ajudarmos pequenas marcas que estão começando, que querem produzir e não têm volume de produção. Então, a gente ajuda essas pequenas empresas a iniciar, e, lá no começo, uma das pessoas que mais me ajudava e apoiava era a minha mãe. Ela sempre me incentivou e abraçou as minhas ideias empreendedoras e, hoje, tenho uma marca, ajudo novos empreendedores e ela está comigo”, frisa.

Everton lidera uma equipe com cinco funcionários.

De Criciúma para o país todo

Uma marca que surgiu em Criciúma, mas que ajuda empresas de todos os estados. “Começamos na cidade, tudo começou aqui. Hoje, já atendemos 24 estados, sendo que Roraima e Amapá ainda não tiveram demanda; porém, nosso objetivo é conseguir atender os 26 estados, porque faltam apenas dois e, com certeza, chegaremos neles também”, projeta.

Everton ressalta o quanto o mercado de vestuário está mudando no país em relação às pequenas marcas. “A moda, no geral, tem voltado muito para pequenas marcas; o público tem buscado novas opções, e pequenas marcas têm ganhado visibilidade. Falo até pela minha marca, pois ganhamos muita visibilidade nos últimos anos. Durante e pós-pandemia da Covid-19, houve uma campanha sobre a valorização de marcas regionais, o que fez com que empreendedores que estavam começando, ou que já tinham uma demanda maior, crescessem”, observou.

Atualmente, o empreendedor conta com cinco funcionários diretos e 22 trabalhadores indiretos. Everton comenta sobre como é ser um jovem empreendedor e como lida com os desafios.

Portal Engeplus · Everton Maciel comenta sobre como é ser um jovem empreendedor


Referência em hambúrguer

Se em Criciúma existem empreendedores que vendem para fora do país ou comercializam para mais de 20 estados do Brasil, também existem aqueles que pensam no comércio local e criam raízes, como o The Boss Parrilla Burger, que surgiu durante a pandemia da Covid-19, em 2020.

Reunir os amigos, criar molhos, preparar a carne e montar um hambúrguer. Esse sempre foi um hobby de João Victor Teixeira, de 27 anos. Com o passar do tempo, ele foi ficando mais crítico em relação às receitas, buscando aperfeiçoamento. Porém, tudo não passava de algo prazeroso para ele e para as pessoas que estavam à sua volta.

Apesar de ser apenas um hobby, fazer hambúrguer sempre deu prazer a Teixeira. Com o passar dos anos, os amigos começaram a incentivá-lo a abrir uma hamburgueria. O custo alto sempre fez a ideia ficar de lado, mas a chegada da pandemia trouxe novos projetos.

Teixeira percebeu que poderia comercializar seus hambúrgueres e molhos e, além de fazer algo prazeroso, também ganhar dinheiro. Ele envolveu toda a família no projeto: sua irmã, Maria Eduarda Teixeira, e a namorada, Angel Idalgo, se jogaram de cabeça no empreendimento e, durante meses, estudaram o novo negócio da família.

Angel e João Victor criaram o The Boss.

“Quando iniciou a quarentena, surgiu a ideia de abrir uma hamburgueria em formato de delivery, até pelo alto custo que teríamos se tivéssemos um ponto físico. Mas pesquisamos muito, fomos atrás de detalhes e buscamos entender o mercado, que é bem amplo. Não queríamos oferecer aos clientes qualquer produto. Então, trouxemos uma embalagem diferenciada, um carimbo no pão, ou seja, uma marca registrada. Fomos buscar um bom frigorífico para que realmente o hambúrguer tivesse o sabor que queríamos. O pão também tem um diferencial”, revela Angel.

Tudo iniciou com delivery na garagem da mãe de João Victor, em Içara, com dois motoboys. Com isso, eles não atendiam tantos lugares da cidade. Mas tudo mudou. “A demanda começou a nos surpreender, e isso quando era só delivery. Percebemos que precisávamos de outra localização e decidimos ir para Criciúma. Então, alugamos uma casa na rua Álvaro Catão, onde morávamos, e na cozinha preparávamos os hambúrgueres. Neste espaço, ficamos oito meses apenas com delivery, só eu e o João Victor”, conta.

Um novo projeto

A The Boss crescia, e os empreendedores perceberam que precisavam mudar de ponto quando surgiu em Criciúma o espaço Roof 360 Food Hall, localizado na avenida Luiz Lazzarin. “Sabíamos que nosso negócio precisava crescer, e apostamos no novo espaço, no novo projeto, e deu certo. Nesse novo espaço, apesar de pequeno, fomos muito felizes e tivemos uma virada de chave. No começo, nossos clientes esperavam até uma hora para comer o hambúrguer, porque a cozinha era pequena, mas mesmo assim fomos crescendo dia após dia, melhorando, evoluindo, e novamente percebemos que precisaríamos mudar”, destaca.

Fachada do The Boss na área central de Criciúma.

Um sonho virando realidade

Apesar de ter ajudado muito na história do The Boss, o espaço Roof 360 Food Hall começou a ficar pequeno para o negócio do casal, e eles perceberam que era necessário ter um espaço próprio. “Começamos a pensar em diversas ideias, acreditamos no projeto e alugamos um terreno na área central. Fomos para São Paulo conhecer outras hamburguerias e tínhamos algumas coisas das quais não abríamos mão, por exemplo, ter uma parrilla. Contratamos uma arquiteta e uma engenheira, que montaram o projeto. Nós pensamos em cada detalhe, na fachada, e elas nos atenderam, e conseguimos montar nosso próprio espaço”, afirma.

Hoje, o The Boss funciona na rua Germano Magrin, na área central de Criciúma. “Temos um espaço para atender 124 pessoas sentadas. Antes de entrar no Roof 360, não sabíamos o potencial que o The Boss tinha. E, quando entramos ali, foi uma virada de chave muito grande, porque a gente não imaginava que o cliente ficaria esperando uma hora para comer um hambúrguer, até porque isso é inaceitável. Mas a galera esperava, compreendia que a gente não tinha como dar conta de toda a demanda”, relembra.

Da cozinha de casa para um espaço com mais de 120 lugares.

Novos negócios surgiram

O Roof 360 foi realmente a virada de chave na vida do The Boss e do casal, que assumiu a administração do espaço. “O dono nos chamou porque sabia que estávamos construindo um novo espaço, então ele fez a proposta para assumirmos o funcionamento do parque inteiro, e a gente aceitou. Estamos reformando este espaço também e vamos fazer um novo restaurante. Vai ter também um espaço do The Boss, vai ter frutos-do-mar, vai ser uma gastronomia bem geral mesmo, mas a gente vai investir em espaço kids, um ambiente bem legal para a família”, projeta. Angel ressalta que tudo aconteceu do jeito que precisava acontecer. “Começamos em família e hoje temos 19 pessoas trabalhando entre atendimento, garçons, bar, cozinha e motoboys”, afirma.

Atualamente a The Boss emprega 19 pessoas, com isso, fomenta a economia da cidade.

Futuro

A empreendedora comenta que continua estudando sobre o seu próprio negócio e que buscar conhecimento é fundamental para a empresa continuar evoluindo. “Queremos expandir o The Boss para outras cidades, sim. Pensamos em Florianópolis e estamos estudando novas possibilidades”, garante. “Nós já pensamos em abrir franquias, porém isso pode fugir um pouco do controle, pois gostamos de manter a qualidade do atendimento e do produto. Então, é algo que pensamos, mas nosso foco está em nossa nova casa e também na administração do Roof 360”, finaliza.

Números de empresas em Criciúma

Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, nos primeiros nove meses de 2025 foram abertas 6.546 empresas em Criciúma, sendo 4.854 MEIs e 1.692 de demais portes. O tempo médio de abertura de empresas em 2025, até setembro, é de 2 horas.

Com mais de seis mil empresas abertas, o governo municipal lançou, em setembro, o programa Criciúma + Crédito. A iniciativa amplia os investimentos e garante condições facilitadas para micro e pequenos empreendedores, estimulando a formalização de negócios e o desenvolvimento econômico regional.

O programa Criciúma + Crédito foi lançado em setembro em Criciúma.


O novo programa atualiza as políticas de apoio e microcrédito do município, com aporte inicial de R$ 750 mil. A iniciativa prevê crédito de até R$ 5 mil, parcelado em oito vezes. Caso o empreendedor quite as parcelas em dia, a sétima será custeada pelo governo municipal e a oitava pelo governo de Santa Catarina, por meio do programa Juro Zero, fortalecendo a integração entre políticas públicas municipais e estaduais.

O prefeito de Criciúma, Vagner Espindola, reforçou que o programa representa confiança no empreendedor, integração de esforços e fortalecimento da economia local, garantindo dignidade e oportunidade para quem investe em Criciúma. “O Criciúma + Crédito nasce para ampliar sonhos e transformar iniciativas em realidade. Estamos unindo forças para fortalecer as políticas públicas e dar ao pequeno empreendedor as condições que ele precisa para crescer. Quando apoiamos quem gera renda e emprego, desenvolvemos toda a cidade e garantimos um futuro de mais oportunidades para a nossa gente”, ressalta.

O cadastro e a análise de crédito serão realizados pela Credisol. Para o diretor-executivo da instituição, Júlio Búrigo, por ser uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, a operadora é dedicada ao microcrédito produtivo e orientado.

“Nossos agentes visitam cada microempreendedor, seja nos bairros, no centro ou no interior, para avaliar o pedido de crédito e oferecer orientação individualizada. O programa Criciúma + Crédito é uma inovação social que fortalece pequenos negócios, promove trabalho decente e impulsiona a geração de emprego e renda”, destaca.

Após a liberação de recursos, os beneficiários terão acesso à orientação, capacitação e suporte técnico disponibilizados pela equipe da Casa do Empreendedor, assegurando o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios.

Criciúma: uma cidade voltada ao empreendedorismo

O Paço Municipal Marcos Rovaris conta com um espaço destinado aos empreendedores: a Casa do Empreendedor. Com sete anos de funcionamento, o setor cumpre um importante papel de incentivo à geração de empregos e ao empreendedorismo. O setor beneficia todos os portes de negócios, como Microempreendedores Individuais (MEIs), Microempresas (ME), Empresas de Pequeno Porte (EPP), Empresas de Médio Porte (EMP), Empresas de Grande Porte (EGP) e profissionais autônomos.

A Casa do Empreendedor existe há sete anos em Criciúma.

Além disso, a Casa do Empreendedor foi reconhecida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) como a unidade com maior número de atendimentos realizados em Santa Catarina no primeiro semestre de 2025. No período, foram registrados 9.756 atendimentos, superando cidades de maior porte e consolidando Criciúma como referência estadual no fomento a pequenos negócios e na formalização de empreendedores.

Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, o total de atendimentos foi de 24.112 no primeiro semestre deste ano, sendo que Criciúma atingiu 39,7% desse total. De acordo com o diretor de Empreendedorismo do município, Marlon Araújo, o diferencial da unidade está no atendimento qualificado e no suporte contínuo oferecido aos empreendedores.

“Além de todos os serviços de abertura de empresas, orientações e formalizações, investimos em capacitações nas áreas de atendimento, marketing, comunicação e gestão financeira. Esse conjunto de ações fortalece o perfil do empreendedor criciumense e garante resultados tão expressivos”, destaca.

Criciúma conta com Associação das Micro e Pequenas Empresas

A Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedor Individual de Santa Catarina (Fampesc) tem como âmbito de atuação a defesa, o apoio e a capacitação das empresas de micro e pequeno porte (MPEs) do Estado de Santa Catarina. O objetivo primordial da Federação é promover o desenvolvimento das micro e pequenas empresas nos aspectos tecnológicos, gerenciais, de recursos humanos, entre outros, sempre se fundando nos princípios associativistas. Para isso, a Fampesc agrega as Micro e Pequenas Empresas do Estado por meio de uma rede de associações registradas com a marca da Associação das Micro e Pequenas Empresas de Criciúma (Ampe).

“A Ampe atende toda a região carbonífera, ou seja, 12 municípios. Nós representamos mais de 100 mil micro e pequenas empresas e empreendedores individuais. Temos como benefício, além da representatividade do movimento, capacitações, mentorias, palestras e acesso ao mercado, que ocorre quando participamos das feiras e dos eventos. Então, todos os eventos nos parques, nas praças, com os gazebos, a grande maioria faz parte do nosso movimento da Ampe”, comenta a presidente da Ampe de Criciúma, Adriana Borges Marquezine.

Adriana conta que atualmente mais de 300 pessoas estão cadastradas e envolvidas nas feiras. “Ainda temos também um núcleo cervejeiro, com todas as cervejarias artesanais da nossa região; hoje, ao todo, são oito cervejarias participantes do nosso movimento. Estamos montando agora também um núcleo mecânico. Além disso, temos a Feira Inspirar, que começou como núcleo da Ampe, se tornou associação. Também são mais de 100 mulheres cadastradas, empreendendo em negócios que não têm estrutura física, vendendo apenas pela internet e nas feiras”, frisa.

A presidente da Ampe explica sobre as ações da associação: “Os empreendedores recebem encaminhamento, orientação, participam dos cursos e de toda a parte de preparação de conhecimento e habilidades. Depois, têm acesso ao mercado, que é para vender. Muitas vêm com o sonho de conquistar uma melhoria na renda, outras têm a principal fonte de renda em casa, e algumas vêm com o objetivo de começarem assim e, depois, terem loja física. Temos casos de empreendedores que já conseguiram fazer essa virada de chave, já possuem loja física e tiveram seus negócios expandindo”, finaliza.

Franke Hobold é um entusisata do empreendedorismo jovem e sua liderança na Acic ajuda os novos empreendedores.

O presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Franke Hobold, ressalta a importância do empreendedorismo jovem, como o de Everton, João Victor, Angel e da coragem de Helton de iniciar ainda jovem seu próprio negócio. “São dos jovens que surgem as ideias inovadoras, os novos negócios e a coragem de quem acredita em construir o futuro. Por isso, para a Acic, é de extrema importância incentivar que os jovens sejam cada vez mais empreendedores e comprometidos com o desenvolvimento sustentável”, comenta.

Conforme o presidente, a entidade apoia desde os movimentos iniciados nos bancos escolares, como o Projeto Clube do Jovem Empreendedor, desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Criciúma, e o Projeto I-9, em parceria com o Cedup Abílio Paulo. “E esse apoio se consolida em ações concretas, como a criação da AJE Criciúma, que há 30 anos mantém vivo o espírito inquieto e colaborativo dos jovens empreendedores. A AJE mostra como o associativismo pode transformar potencial em resultado, conectando pessoas, gerando oportunidades e fortalecendo a economia da nossa região”, afirma.

“Temos consciência de que apoiar o empreendedorismo jovem é investir em crescimento, propósito, futuro e princípios que estão no coração da Acic”.

Presidente da Acic, Franke Hobold.
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AJE comemora três décadas incentivando o empreendedorismo jovem

Criciúma completa 100 anos de emancipação político-administrativa em 2025, mas não são apenas os moradores que poderão comemorar. Neste ano, a Associação de Jovens Empreendedores de Criciúma (AJE) completa 30 anos e também faz parte da história da cidade.

A AJE é um núcleo da Associação Empresarial de Criciúma, fundado em 1995, e integra o Conselho Estadual dos Jovens Empreendedores de Santa Catarina (CEJESC). A associação busca entregar conhecimento nas mais diversas áreas aos seus associados, além de promover o networking, incentivando e apoiando os empreendedores de Criciúma e região.

A presidente da AJE, Débora Sant’Ana, ressalta o papel da associação para os jovens empreendedores. “Hoje temos mais de 150 associados que possuem diversos desafios. Empreender, por si só, é muito solitário. E é justamente isso que a AJE vem quebrar. A AJE traz um ambiente que proporciona acolhimento a esses jovens empresários. Eles chegam até nós com muitas dores, principalmente no sentido de vendas e de como vender, de como fazer um comercial, um networking estratégico. Atualmente, o networking não é mais só entregar um cartão. Então, eles têm essa dor, uma dor muito grande na área comercial, que eu vejo como a principal”, analisa.

Parte da diretoria da AJE durante a comemoração de 30 anos da associação.


Débora ressalta que, para manter um negócio hoje, é necessário ter expertise em diversas áreas. “Às vezes, a gente pensa que empreender é só abrir um CNPJ e colocá-lo em prática, mas não é. A gente precisa ter competência em tudo e em todos os segmentos, de todas as áreas e, por isso, a AJE é um núcleo multissetorial, onde trazemos um pouquinho de cada. Queremos ensinar o empreendedor a fazer uma demonstração de resultado do exercício, a ser mais ativo nas redes sociais ou até mesmo a elaborar um contrato comercial seguro. Assim, deixamos esse empreendedor mais preparado em todas as áreas”, comenta.

A AJE promove eventos quinzenais, que têm como objetivo inspirar e instruir. “Quando falo em inspirar, falo em trazer grandes empresários, cases de sucesso da nossa região, que estão ali para mostrar como deram certo e como esses jovens empreendedores também podem dar certo. E, quando falo em instruir, é trazer cases práticos. Trouxemos, este ano, o tema de como usar a inteligência artificial, na prática. Nossa ideia é sempre promover um ambiente colaborativo, onde esses empreendedores possam compartilhar suas dores e, principalmente, crescer juntos”, afirma.

A presidente da AJE comenta que diversos jovens possuem ideias de negócios, mas não conseguem dar o primeiro passo. A Associação de Jovens Empreendedores de Criciúma existe justamente para ajudar. “Para quem tem uma boa ideia e ainda não se sente seguro em dar o primeiro passo no mundo dos negócios, a minha dica é buscar validar essas ideias com pessoas que têm mais conhecimento. E, às vezes, só de estar em um ambiente como a AJE, já se conhece várias pessoas que pensam diferente, com experiências diversas, e que estarão ali para ajudar a realizar isso. A AJE é um ambiente feito justamente para essas pessoas que querem tirar os sonhos do papel”, pontua.

Em um cenário de constantes mudanças e desafios, os jovens empreendedores de Criciúma representam a força de uma nova geração que transforma ideias em oportunidades e sonhos em resultados concretos. Com coragem, inovação e colaboração, eles moldam o futuro dos negócios e fortalecem o desenvolvimento da cidade. Assim, como Criciúma celebra 100 anos de história e conquistas, esses jovens constroem os próximos capítulos com propósito, criatividade e a certeza de que empreender é, acima de tudo, acreditar no poder de fazer a diferença.

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