Inovação para produzir: agricultura familiar amplia investimentos para suprir mão de obra

Falta de trabalhadores impulsiona modernização no campo

Inovação para produzir: agricultura familiar amplia investimentos para suprir mão de obra
Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplu

A agricultura familiar, fundamental para a economia e segurança alimentar do Brasil, está adotando novas estratégias para enfrentar a escassez de mão de obra no campo. Em um movimento de inovação, pequenos produtores estão ampliando investimentos em tecnologias que automatizam processos e otimizam o trabalho. A medida visa garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor, ao mesmo tempo que atrai uma nova geração de trabalhadores para o setor rural. A aposta em maquinários modernos, drones para monitoramento de lavouras e sistemas de irrigação inteligentes são apenas alguns exemplos da revolução tecnológica que está transformando a produção familiar no Sul de Santa Catarina.

Em 98% das propriedades da agricultura familiar da região de Criciúma, que abrange a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC) e a Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), é a própria família que cuida de tudo: planta, colhe, administra, e ainda enfrenta as dificuldades do dia a dia para manter a produção funcionando.

Embora o setor seja predominantemente formado por membros da mesma família, ele também gera empregos ligados às atividades rurais, entretanto, há a necessidade em compensar essa falta de mão de obra. Nesta reportagem, o Portal Engeplus mostra como os produtores do Sul de Santa Catarina estão virando a chave investindo em inovação, com menos mão de obra, mas com mais estratégia, e tendo como resultado, o fortalecimento da agricultura familiar.

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Produtor investe e moderniza

A boa notícia é que, mesmo com as dificuldades, os produtores estão encontrando formas de crescer. Prova disso é o aumento no uso do crédito rural na região. Só no Plano Safra 2024/25, foram movimentados R$ 1,53 bilhão por meio de agentes financeiros. Desse total, R$ 570 milhões foram destinados à agricultura familiar por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)*, e R$ 310 milhões desse valor foram aplicados em investimentos que ajudam a modernizar as propriedades.

Esse avanço colocou o Sul catarinense como a quinta região que mais investiu no Estado. Em comparação com a última safra, o volume de crédito cresceu 24%, segundo dados da da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

Para o coordenador de Políticas Públicas da Epagri, Fernando Damian Preve Filho, o destaque da região é a produção de arroz. “Gera muita riqueza e movimenta muito a economia local, em função de toda a cadeia produtiva que está vinculada a ela, desde tratores, implementos, armazenamento e industrialização, juntamente com os demais serviços vinculados à produção”, explica.

Mas o arroz não reina sozinho. A região também tem forte presença de pecuária leiteira, criação de frangos, suínos, produção de carne bovina e uma fruticultura bem variada, com banana, uva, maracujá, pitaya, morango e milho. Além disso, há famílias que apostam em produções artesanais e até no turismo rural para aumentar a renda. “Essas atividades demandam por investimentos que alavancam os negócios familiares, e fazem com que o produtor rural e sua família tenha renda”, frisa o coordenador.

Falta mão de obra

A falta de mão de obra é crescente nas propriedades rurais, segundo a engenheira agrônoma, Glória Maria Estartere Assola. Este fato afeta diretamente a produção agrícola no Brasil e em muitos países. “Essa escassez de trabalhadores ocorre principalmente nas lavouras, onde o trabalho é físico, muitas vezes sazonal, e exige dedicação intensa, especialmente em períodos de plantio e colheita”, afirma. Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, especialmente os de pequeno e médio porte, é o alto custo de insumos e o baixo valor do produto final nas lavouras. “Essa situação compromete a sustentabilidade econômica da atividade agrícola e pode ter impactos sociais e ambientais de longo prazo”, explica.

Na bananicultura, praticamente todas as etapas são realizadas de forma manual — desde o corte, a limpeza dos brotos e folhas, até o tratamento dos cachos. Segundo o presidente da Associação de Bananicultores de Criciúma (Abacri) e produtor rural Luiz Niquele, conhecido popularmente como Vanuza, essa é uma das atividades que mais enfrenta dificuldade para encontrar mão de obra. Ele atualmente cultiva banana branca em uma propriedade no bairro Morro Estevão, em Criciúma.

(Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)

Em Criciúma, a produção da banana cresceu aproximadamente 20% nos últimos cinco anos. Atualmente, o município possui 110 produtores e 800 hectares de área plantada. De acordo com o presidente da Abacri, 60% da produção local é comercializada fora da região, e até mesmo de Santa Catarina, enquanto os 40% restantes são consumidos internamente.

As principais variedades cultivadas no município são a banana caturra e a branca, sendo esta última a predominante nas lavouras. “A caturra é mais sensível, apesar de ter uma produtividade maior. Mas tem pouca saída aqui na região. Já a banana branca é bastante consumida e apresenta preço mais estável. A caturra, por outro lado, costuma oscilar, e geralmente para baixo”, explica Niquele.

Sobrevivência

(Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)

Embora haja essa diferença de preço, no geral, a banana ganhou valor. A expressão ‘a preço de banana’, utilizada para se referir a ‘algo muito barato’, ou ‘quase de graça’, deixou de fazer sentido após a pandemia da Covid-19.

Desde então, houve uma alta significativa nos preços, que de acordo com Vanuza, mudou a realidade do bananicultor e despertou o interesse de mais pessoas pela atividade.

“Antigamente não era possível viver apenas da banana. Hoje, ela mantém um preço muito estável, com tendência de subir. Tanto é que, agora no inverno, quando a produção cai por causa do frio, o preço subiu bastante. Há muita procura e pouca oferta”, complementa.

Vanuza acredita que a projeção para os próximos anos é de crescimento. “Hoje a banana se estabilizou, e dá para viver tranquilamente da produção. Muitos produtores, por idade, já pararam, mas os filhos estão se interessando e voltando. Estão até abandonando os empregos que tinham para retornar ao campo e viver exclusivamente da bananicultura. Hoje, o neto de produtor está estudando, fazendo faculdade com o objetivo de trabalhar na propriedade", garante.

(Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)

A maior dificuldade atualmente no cultivo da banana, além da escassez de mão de obra, está relacionado ao clima. No inverno, alguns produtores optam por utilizar sacos de proteção para preservar os cachos do frio e garantir a qualidade da fruta. A técnica também é adotada no verão.

“Os passarinhos fazem muitos ninhos, e isso acaba danificando a fruta. Precisamos manter a qualidade para conseguir colocar o produto no mercado”, comenta. Vanuza acrescenta que a chuva é outro fator importante. Na sua ausência, não é possível realizar a adubação, etapa essencial para o bom desenvolvimento da produção.

Cacho da banana recebeu proteção neste inverno. (Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)

A agricultura e a tecnologia no campo

Pensando em facilitar o trabalho no campo, há três anos Vanuza tomou a decisão de guardar os pulverizadores de uso manual e fazer a troca pelo drone para realizar o tratamento da folha da bananeira. A tecnologia tem contribuído com a produção.

“Há empresas especializadas nisso, e a gente contrata o serviço. A maioria dos produtores de banana está partindo para esse lado, porque não tem contato com produto químico nenhum. É rápido, fácil e dispensa o uso de mão de obra direta”, explica Vanuza.

Vídeo: Luiz Niquele

O uso de drones tem reforçado a defesa contra pragas e ajudado Santa Catarina a liderar exportações de banana, conforme o governo do estado. Folhas murchas ou com uma coloração característica de doenças podem ser localizadas com mais rapidez, por meio de um trabalho desenvolvido pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), órgão oficial de defesa agropecuária do estado. Santa Catarina é o quarto estado brasileiro em produção de bananas e o primeiro em exportações da fruta.

A engenheira agrônoma Glória Maria Estartere Assola ressalta que a tecnologia no campo tem se tornado uma aliada fundamental dos pequenos e grandes produtores rurais, ajudando a superar desafios como baixa produtividade, custos elevados e dificuldade de acesso a mercados e mão de obra. “Com o avanço das inovações acessíveis e adaptadas à realidade do pequeno agricultor, é possível produzir mais e com maior qualidade, com menos desperdício e maior rentabilidade”, frisa.

Conforme Glória, a tecnologia que mais tem ganhado destaque para pequenos produtores do campo é a agricultura digital acessível, que inclui o uso de aplicativos móveis, sensores simples, plataformas de gestão agrícola e sistemas de informação climática. “Essas ferramentas permitem que o produtor tome decisões mais assertivas e embasadas sobre manejo, irrigação, aplicação de insumos e comercialização, mesmo com recursos limitados”, detalha.

Ela destaca, ainda, que o drone tem se tornado uma ferramenta cada vez mais acessível, eficiente e estratégica para pequenos e grandes produtores rurais, oferecendo diversas funcionalidades que otimizam a gestão das propriedades e promovem ganhos em produtividade e sustentabilidade. “Embora o investimento inicial em tecnologia possa ser considerável, os benefícios decorrentes da redução no uso de insumos, maior agilidade nas operações e menor necessidade de mão de obra tornam os drones uma ferramenta viável e estratégica para pequenos e médios produtores rurais”, ressalta. “A atuação do drone na agricultura contempla principalmente a monitorização aérea das lavouras, a aplicação precisa de insumos e o mapeamento detalhado do terreno. Quando se trata da utilização de drones na aplicação de produtos químicos no campo, a eficiência e a precisão são características centrais dessa tecnologia inovadora", complementa.

Entre as funções do drone no campo, ela ainda detalha, que o equipamento permite a aplicação direcionada, concentrando os defensivos apenas nas áreas realmente necessárias, o que resulta em significativa redução de desperdícios e menor impacto ambiental. “Essa precisão não só otimiza o uso dos insumos, mas também contribui para a sustentabilidade das práticas agrícolas, alinhando-se às demandas crescentes por uma produção mais responsável”, garante.

Foto: Divulgação/Secom GOVSC

Outro ponto relevante do equipamento é a flexibilidade operacional, que permite a aplicação de doses variáveis, conforme a necessidade específica de cada área da lavoura, característica fundamental para a agricultura de precisão. “Isso promove um manejo mais racional dos insumos, adequando a dose à condição local do solo e da planta, o que potencializa a eficácia das aplicações e reduz custos”, frisa.

Tem ainda a questão da preservação do solo. “Diferentemente dos maquinários convencionais pesados, que compactam a terra e prejudicam sua estrutura física, os drones operam sem causar impacto direto sobre o solo, contribuindo para a manutenção da sua porosidade, fertilidade e capacidade de retenção hídrica. Isso é essencial para garantir a sustentabilidade e a produtividade a longo prazo das áreas agrícolas”, afirma.

Glória ainda destaca que as tecnologias como a aplicação de drones para monitoramento e pulverização de insumos, agricultura de precisão, uso de sensores e plataformas digitais de gestão agrícola têm transformado a rotina no campo, agregando eficiência, sustentabilidade e maior controle das operações. “Esses avanços despertam o interesse das novas gerações, que buscam alinhar o conhecimento tecnológico com a valorização do meio rural, promovendo uma agricultura mais inteligente, conectada e economicamente viável”, revela.

No arroz, a inovação aumentou a produtividade

(Foto: Epagri/Arquivo)

Em plantações como a de arroz, os produtores têm adotado as tecnologias com maior precisão e, paralelo a isso, nos últimos anos, houve seguidas safras com remuneração do preço do arroz muito satisfatória. O resultado tem sido o aumento da produtividade em lavouras, segundo o coordenador estadual do programa de grãos da Epagri, Douglas Oliveira.

“É uma área muito estável. Não cresce a área produzida, mas as lavouras estão tendo um desempenho melhor e, por isso, a produção na região tem crescido. Mas, em termos de área cultivada com o grão, há uma leve tendência a redução, porque normalmente são áreas que são dentro das zonas urbanas e a articulação imobiliária acaba pegando algumas delas e faz galpões, principalmente de indústria, mas são áreas muito pequenas”, destaca.

Segundo Douglas, os produtores têm investido mais em nutrição, em cuidados com a doença, e plantas que produzem mais. “Nas últimas sete safras, a produtividade média aumentou mais de mil quilos por hectare. Inclusive, nessa última safra, tivemos o maior recorde de produtividade catarinense de produção de arroz, com a melhoria nas condições de manejo”, afirma.

O coordenador estadual do programa de grãos da Epagri destaca que, diferente de outras lavouras, na área do arroz é tudo muito mecanizado, e que o próprio produtor tem adotado cada vez mais a tecnologia e adquirido equipamentos mais eficientes para que consiga fazer a produção.

(Foto: Epagri/Arquivo)

Normalmente, esse tipo de atividade tem duas pessoas da mesma família envolvida em tempo integral, e temporariamente é contratada mão de obra.

“O restante é tudo mecanizado desde o plantio até a colheita, isso faz com que ele consiga se defender um pouco da crise da mão de obra. Em todas as atividades tem sido difícil contratar e está cada vez mais caro, onerando o processo", comenta.

O coordenador também destacou como os equipamentos tecnológicos tem sido utilizados por produtores como estímulo para os filhos continuarem nas propriedades trabalhando com eles. “Em função de ter esse maquinário e alto nível de tecnologias, normalmente o jovem, o filho do produtor, tem uma tendência a querer ficar no campo trabalhando. Temos relatos de pais que compram equipamentos, drones e outros produtos tecnológicos com esse objetivo. Conseguimos ver um número muito interessante de jovens que acabam tocando a atividade junto com a família”, afirma.

Nível alto de eficiência

(Foto: Epagri/Arquivo)

Conforme Oliveira, atualmente há plantações na AMREC e Amesc, que chegam a produzir mais de 250 sacos por hectare, equivalente a 12,5 mil quilos. “Há alguns anos atrás, era algo impensável. São as produtividades mais altas no mundo. Inclusive, temos um nível de eficiência muito alto. No ano passado fiz uma viagem técnica para os Estados Unidos, e visitamos produtores e pesquisadores. O produtor catarinense tem se mostrado mais eficiente do que o americano, utilizando as mesmas tecnologias disponíveis. Muda o ambiente, a forma de produzir e as variedades", reitera.

Somente na AMREC e Amesc, que abrange 27 municípios, são aproximadamente 78 mil hectares de plantação de arroz, que equivale a mais da metade do que é produzido do produto em Santa Catarina, com uma média de quase 2 mil produtores, segundo o coordenador estadual. “As principais regiões produtoras estão aqui. Santa Catarina é o segundo maior produtor de arroz do país. Nós respondemos por aproximadamente 12% da produção de arroz do Brasil”. O principal produto entre os diferentes tipos de arroz, é o parboilizado.

Pesquisas

Uma característica que marca a cadeia produtiva do arroz no estado está na pesquisa. Segundo Oliveira, em torno de 75% da área produzida em Santa Catarina usa a variedade de grãos da Epagri, que passa por uma pesquisa de desenvolvimento e se destaca por um sistema de produção que é o pré-germinado, onde as sementes são germinadas antes do plantio.

“Isso é muito interessante porque a Epagri gera, cultiva, faz a tecnologia, aí existe uma associação de produtor de semente que viabiliza para quem tem a produção. Essas variedades já são desenvolvidas pensando na necessidade da indústria. Se a indústria quer um produto com esse padrão, a Epagri já faz toda a pesquisa pensando no parboilizado”, destaca.

Apesar dos investimentos, a realidade não é a mesma para todos

Embora os números mostrem uma crescente de investimentos, a realidade não é boa para todos. No caso de Valdeciro Antonio Alves as dificuldades podem levar ao fim dos negócios. O produtor rural mantém as plantações de fumo, milho, aipim e a criação de peixes (tilápia) com a ajuda de outros cinco membros da família, no bairro São Domingos, em Criciúma.

Na visão dele, os produtores estão sempre preocupados com o resultado no final da safra. “O governo está botando investimento, mas a falta de mão de obra vai acabar fazendo os agricultores parar o serviço, porque nós já estamos ficando com a idade meio avançada e não temos mais a capacidade de trabalhar nesses ramos”, comenta. Ele contou que um dos filhos está atuando com metalúrgica, enquanto o outro permaneceu no campo.

Com a piscicultura, ele afirmou ser um trabalho difícil. “O peixe é um produto caro, em que se gasta até 80% só com ração. Os 20% que restam é para se manter. Se der alguma mortalidade, o prejuízo é grande. Meu filho fica meio apreensivo nesse sentido. É ele que faz todo o trabalho no açude”, afirma.

Açude utilizado para piscicultura. (Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)


Foi em uma das edições da Feira AgroPonte, em Criciúma, há dez anos, que o produtor resolveu que iria criar peixes. “Fomos lá visitar, e encontramos o proprietário do Frigorífico da Bruder Alimentos que é quem prepara o peixe. Conversamos, ele se interessou pela propriedade, gostou do lugar e assim começamos um trabalho. Hoje, ele fornece a ração e pega o nosso peixe vivo e o leva para o frigorífico, em Urussanga. Lá é feito o trabalho de purificação. Depois é retornado o filé para servir os meus clientes na feirinha”, explica.

Segundo Alves, para trabalhar com piscicultura é necessário muita dedicação. “São até sete meses que temos que estar cuidando. Não é algo para fazer por esporte ou para brincar. É algo muito sério. Poucos tem espaço e condições para realmente fazer”, avaliou. Além disso, ele pontuou que o investimento é alto. “Nós tivemos um incentivador, que veio aqui e apostou em nós, fornecendo a ração, porque se fosse considerar esse gasto seria em torno de R$250 mil para se ter um faturamento de R$300 mil”, frisa.

Plantação de fumo. (Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)

Alves acredita que o pequeno agricultor hoje depende de uma atividade para pagar outra, e que isso não deve mudar. “O fumo se manteve estável nos últimos anos, mas normalmente não é assim. Quando a soja está boa, o milho está ruim, quando o milho está bom, tem custos a pagar. Tem que ter um plano safra bem bom”, afirma.

Apesar da lavoura não contar com equipamentos e maquinários sofisticados, Alves adquiriu placas de captação de energia solar, também conhecidas como painéis solares fotovoltaicos. O dispositivo foi uma forma que ele encontrou de ter uma redução de despesas.

No caso do açude, por exemplo, o aerador precisa ficar ligado durante às noites para uma oxigenação adequada para aproximadamente 15 mil peixes, que devem dar uma média de sete a oito toneladas nos próximos meses.

Placas de captação de energia solar. (Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)

Incentivo

Para muitos produtores rurais, o incentivo faz uma grande diferença. No caso de Alves, que faz parte de duas cooperativas, a Nosso Fruto e a Nova Vida, o apoio é fundamental para que o produto seja disponibilizado ao consumidor final.

(Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)

“Elas nos ajudam a colocar o produto nas escolas, nos mercados”, frisa. Um exemplo disso está na distribuição da embalagem. “É um custo a menos para o produtor”, garante.

Todas as quintas-feiras, ele participa da Feira da Agricultura Familiar, no estacionamento do estádio Heriberto Hülse. Ele coloca à disposição o peixe e o aipim. “Todo agricultor que trabalha em Criciúma tem o direito de participar de feiras, é só querer e se inscrever, entrar em contato com a prefeitura e dar o nome”, garante. O criador de peixe também recebe, uma vez por mês, a visita de um técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) que oferece assistência e analisa a qualidade da água do açude.

Fomento financeiro

Conforme o Banco Central do Brasil, Criciúma é a sexta regional da Epagri com maior participação na aplicação de recursos no Estado, com R$ 1,5 bilhão investidos por meio de programas estaduais. Em 2024, o valor financiado aos produtores cresceu 11%.

“Talvez o mais importante é o apoio do estado vinculado aos agentes de crédito por meio do Plano Safra, com a subvenção de juros nos financiamentos de investimento do Pronaf”, destacou o coordenador de Políticas Públicas da Epagri, Fernando Filho. Ele também comenta que o estado oferece fomento financeiro direto aos produtores, por meio de empréstimos, com mais de 790 contratos e um total aplicado de R$ 22,2 milhões.

Desafios

Apesar dos avanços tecnológicos e do apoio de programas governamentais, assim como em outras áreas, a agricultura no Sul de Santa Catarina enfrenta desafios importantes como a escassez de mão de obra, os altos custos de produção e a instabilidade climática.

Ao mesmo tempo, a tecnologia, a exemplo do uso de drones na bananicultura, a mecanização das lavouras de arroz e a adoção de energia solar por pequenos produtores, tem se mostrado uma grande aliada no campo. Enquanto alguns agricultores não têm muita perspectiva de avanços em suas atividades, outros enxergam um caminho que conta com o retorno dos filhos para as lavouras. No fim das contas, o futuro do campo segue sendo escrito todos os dias por aqueles que se fazem presentes nele.

*O Pronaf tem por finalidade promover o desenvolvimento sustentável do meio rural, por intermédio de ações destinadas a implementar o aumento da capacidade produtiva, a geração de empregos e a elevação da renda, visando a melhoria da qualidade de vida e o exercício da cidadania dos agricultores familiares. O programa apoia as atividades agrícolas e não-agrícolas desenvolvidas por agricultores familiares no estabelecimento ou aglomerado rural urbano próximo e disponibiliza linhas de crédito adequadas às necessidades dos agricultores familiares. As informações são do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

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